Após BBB, marcas criam ‘realities’ próprios

Os reality shows são velhos conhecidos do público brasileiro, mas, com a pandemia, ficaram ainda mais em evidência. Quase 40 milhões de pessoas foram alcançadas diariamente pelo BBB 21 – cerca de 3 milhões a mais do que na edição anterior, segundo o Painel Nacional de Televisão. Toda essa audiência atraiu patrocinadores dos mais diversos tipos e incentiva, agora, uma nova “onda”: a dos realities produzidos pelas próprias marcas.

Uma pesquisa da Rede Globo – A relação dos brasileiros com realities shows – mostra que 70% dos consumidores acreditam que as marcas presentes nos realities têm credibilidade. Baseadas nessa expectativa, as empresas resolveram apostar no formato. O reality Ilhados com Beats, parceria da agência WMcCann com a produtora Endemol, é um exemplo dessa tendência.

Estrelado pela cantora Anitta, a atração trouxe, em 72 horas, 1,3 milhão de seguidores para o Instagram da marca de bebidas, onde Ilhados foi transmitido, em fevereiro. A explicação desse “boom” é simples, diz Hugo Rodrigues, presidente da WMcCann: “A audiência é consequência da hiperdigitalização e do isolamento social. Precisamos de entretenimento.”

Somados, os cinco episódios alcançaram 10 milhões de visualizações – só o primeiro chegou a 2 milhões em 12 horas. “A ideia de fazer um reality veio porque sabemos o quanto o consumidor gosta de se entreter, de conhecer mais e de se sentir parte”, diz Gabriela Gallo, diretora de marketing da Ambev.

Agora, a Beats vai lançar outro reality: o Manda Jobs, criado pela agência AKQA e a Endemol. A atração terá quatro episódios e contará com a participação dos influenciadores Foquinha, Gabi Lopes, Rafa Uccman e Yuri Marçal. Além de propor desafios e aconselhar os candidatos, eles também serão jurados.

Depois de uma seletiva, a marca já escolheu dez participantes, sendo que dois deles assinarão um contrato no valor de R$ 50 mil com a marca. A previsão é que as gravações comecem nesta semana e que o programa seja lançado no dia 15 de junho, no Instagram da Beats.

Alcance dos programas

Os realities são bem vistos porque também dão o que falar nas redes sociais. De 2020 para 2021, o consumo online dessas atrações cresceu 117%, segundo pesquisa da Kantar Ibope Media. Por isso, a Chevrolet vai lançar em julho o Onix Music Trip, que será exibido no Instagram.

O diretor de marketing, Hermann Mahnke, diz que a ideia é reforçar o elo do carro com a música – a marca patrocinava o Lollapalooza. “Sempre tivemos a música como algo fundamental e, com a pandemia, muito do que havíamos planejado foi por água abaixo. Começamos a redesenhar um novo formato.” 

Na atração, nove famosos farão um percurso que começa em Indaiatuba (SP) e segue até o Rio. Durante o trajeto, eles terão de “disputar likes” pelos conteúdos postados. Quem gerar mais engajamento, vence. O ganhador fará uma live como prêmio para os fãs. 

Extensão da TV

Já a Skol viu o No Limite, da Globo, como uma oportunidade de estender o seu conteúdo. Lançado no último dia 19 pela marca, O reality que eu Vivo é protagonizado pelo humorista Rafael Infante. Ele interpreta o personagem Cauê, que nunca participou de um reality show, mas se diz “expert”. 

A produção, criada em parceria com a Globo, a agência GUT e a Delírio Produções, é exibida no Multishow. Serão 11 episódios, sempre às quartas-feiras, depois de No Limite – A Eliminação.

Diretamente de uma tenda no quintal, Cauê comenta sobre possíveis estratégias de jogo e técnicas de sobrevivência. “É uma oportunidade de levar diversão para a vida das pessoas com a cara da marca”, diz Helena Isaac, diretora de marketing da Skol. Segundo ela, o programa permite “continuar essa conversa” com o consumidor após o fim de No Limite.

https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,apos-febre-do-bbb-marcas-criam-realities-proprios,70003731803

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