Economia tem menos peso na eleição deste ano, indicam pesquisas

Um velho ditado na política é que as pessoas votam com o bolso e que, portanto, uma economia forte normalmente ajuda quem está no poder e uma fraca, prejudica. Na eleição de 2020, contudo, essa convenção perdeu força e tornou incerto o papel de influência da economia na votação nos EUA. 

A forma como muitos veem a economia não é definida pelo desempenho real, segundo pesquisas, mas pela inclinação partidária. Eleitores tendem a achar que a economia está forte quando seu partido está no poder e vice-versa. E problemas como pandemia, estilos de liderança, e raça têm influenciado escolhas eleitorais, diminuindo o peso da economia. 

Além disso, a própria economia se tornou mais complicada de se interpretar. Após período recorde de expansão, com desemprego baixo e alta das ações, veio o retrocesso mais profundo da história, após os EUA serem atingidos pela pandemia. Uma recuperação já começou, mas a trajetória é incerta. 

Para o presidente Donald Trump, há uma notícia boa e uma má notícia nisso. A boa é que os eleitores não atribuem pesadamente a ele a culpa pela crise. Trump ainda é bem avaliado pela forma como lidou com a economia. Em julho 54% aprovaram a forma como vinha administrando a economia, segundo pesquisa “The Wall Street Journal” com a NBC, ante 49% em agosto de 2019. 

A má é que alguns que o consideram melhor administrador do que Joe Biden dizem que não pretendem reelegê-lo. Na pesquisa “The Wall Street Journal/NBC News” de agosto, 48% disseram que Trump era o candidato mais apto a lidar com a economia, mas 41% pretendiam votar nele. Por outro lado, 38% disseram que Biden seria melhor para a economia, mas 50% planejavam votar nele. 

Charles Franklin, da Universidade Marquette, em Wisconsin, disse estar surpreso por Trump não valer-se com mais ênfase de temas econômicos. “Claramente, ainda é seu ponto forte”, afirmou. 

A economia foi ponto central em muitas campanhas. Em 1980, Ronald Reagan perguntou “Você está melhor do que há quatro anos?”. Isso o ajudou a ganhar de Jimmy Carter. Acredita-se que mensagem usada dentro da campanha de Bill Clinton em 1992 (“É a economia, estúpido”) o ajudou a derrotar George H. W. Bush. 

“Esta é uma eleição em que outras questões, como lealdade e afinidades de um grupo específico, vêm ofuscando fatores econômicos que costumavam virar o jogo”, disse Patrick Murray, da Universidade Monmouth, em Nova Jersey. 

O estilo Trump gera forte lealdade e oposição. Alguns dizem que isso é motivo para colocar outros assuntos à frente da economia. 

Justin Ríos, de 31 anos, que trabalha em um depósito, teve uma boa fase no começo do governo Trump. Ganhou aumento e mudou-se para uma casa nova, na Filadélfia. Foi demitido e recebeu o seguro-desemprego no início da pandemia. Agora, voltou a trabalhar. Quando votar em Trump, diz, a economia não será o principal motivo. Para ele, Trump cumpre o que promete – como transferir a embaixada para Jerusalém – e ele gosta disso. “Quero alguém que seja um homem de ação”, disse. 

Pesquisa Gallup de agosto apontou que 35% viam o coronavírus como o problema mais importante e 22%, a liderança do governo. Questões como o desemprego ou a economia em geral apareciam em terceiro lugar, com 12%, pouco acima de questões raciais. 

https://valor.globo.com/mundo/noticia/2020/09/14/economia-tem-menos-peso-na-eleicao-deste-ano-indicam-pesquisas.ghtml

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