Tecnologia e sociedade: 5G como catalizador de transformação.

Parte 1.

Matheus Matsuda Marangoni

A tecnologia muda o mundo, em especial a nossa conexão com a internet cada vez mais presente e rápida. Transformando nossa sociedade em um ritmo cada vez mais rápido e impactante. Há menos de 20 anos não existiam os smartphones que carregamos em nossos bolsos, não tínhamos filmes e música por streaming etc. Para discutir esse assunto vamos trabalhar uma série de artigos sobre o impacto das novas tecnologias na sociedade. Começaremos nesse momento com uma das promessas tecnológicas mais esperadas no Brasil e no mundo, o 5G, em um artigo dividido em duas partes.

O 5G foi projetado com o objetivo de minimizar as desigualdades no acesso físico, em particular as diferenças de acesso que surgem como consequência da divisão rural-urbana. Essa nova tecnologia para a transmissão de dados é a grande aposta para uma nova revolução na internet móvel. O 5G promete entregar, além de um maior raio de acesso por antena, baixa latência e um sinal de alta velocidade para a transmissão de dados. Essas duas características precisam ser entendidas de forma um pouco mais profunda antes de discutirmos os impactos do 5G na sociedade.

A velocidade é normalmente o atributo mais vendido e desejado quando falamos de acesso à internet. Seja este acesso móvel ou fixo. As redes de 4G promete entregar até 1 Gbps (gigabyte por segundo), o que seria mais que suficiente para assistir um filme em 4K sem qualquer tipo de interrupção ou perda de qualidade. O 5G tem previsão para multiplicar essa velocidade 20 vezes. Para termos uma ideia, a conexão por meio de fibra ótica hoje no Brasil nominalmente entrega entre 200 e 300 Mbps (megabytes por segundo), quase um quarto do que é prometido pelo 4G.

Mas a velocidade sem a latência não significa realmente uma conexão rápida. A latência é o tempo, que é medido em milissegundos, gasto para que o dispositivo conectado à internet receba resposta da torre de celular. Ou seja, o tempo médio em que uma ação, como um clique em um link, o reconhecimento de recebimento de dados ou uma ação em um game, deverá ser reconhecido pela rede e tal comando seja executado. Neste caso, não adianta em nada termos uma alta velocidade nominal na conexão se a latência é alta (tempo médio de resposta é maior). Hoje no Brasil as atuais redes 4G prometem latência entre 30 e 70 ms (milissegundos), já o 5G tem a perspectiva de diminuir a latência para algo em torno de 5 a 20 ms, segundo o portal de tecnologia Olhar Digital.

A alta velocidade aliada à baixa latência que o 5G prometem vão possibilitar uma série de transformações na sociedade. Não somente no entretenimento, mas também nos negócios, no consumo e na sociedade como um todo.

Um exemplo muito utilizado para vender os benefícios do 5G é a possibilidade de podermos jogar games AAA (títulos das grandes fabricantes de games que podem exigir muito dos dispositivos e normalmente são encontrados em consoles ou computadores games) por streaming. Algo como a Netflix está testando atualmente na Polônia e reforçado pela matéria de um importante game designer publicada no NotaAlta.  O site Tecmundo apresenta um estudo da GlobalData, que nos indica os impactos do 5G na indústria dos games de forma bastante significativa. Até 2025 é esperado que a nova tecnologia de transmissão de dados faça com que essa indústria passe a representar mais de U$ 300 bilhões. Muito graças à possibilidade do streaming de jogos em nossos dispositivos móveis.

Nos negócios temos a maior eficiência e controle de drones e robôs, como demonstrado pela matéria Antena 5G eleva produtividade de fazenda do IMAmt publicada no NotaAlta em 19/05/21, que demonstra o monitoramento de plantações por vídeo 4K por meio do 5G. A indústria 4.0, ou indústria do futuro, também prevê uma automação e controle maior de atividades industriais a partir desta alta conexão e baixa latência. Uma revolução industrial que irá causar grandes impactos no mercado de trabalho e na forma como consumimos. Segundo dados da PWC, a conectividade inteligente, habilitada por 5G, será um catalisador para o crescimento socioeconômico na Quarta Revolução Industrial, com valor econômico global estimado em US $ 13,2 trilhões em 2035. De acordo com um estudo da Comissão Europeia realizado em 2016, a produção econômica potencial do 5G é estimada em 141 bilhões de euros, com 2,3 milhões de empregos criados nos 28 Estados-Membros da União Europeia.

Continuaremos essa discussão no próximo artigo. E deixamos uma questão: Como outras tantas tecnologias, podemos entender que o 5G vai ser apenas uma realidade para as classes mais altas da sociedade brasileira?

Matheus Matsuda Marangoni

Professor do curso de Ciências Sociais e do Consumo da ESPM-SP

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