Criador de ‘Final Fantasy’ diz que 5G acabará com console

O advento da tecnologia 5G como padrão mundial prenuncia o fim dos aparelhos de videogame no longo prazo, mesmo depois do impulso proporcionado pela pandemia da covid-19 aos consoles em um primeiro momento, de acordo com um dos profissionais mais destacados na produção de jogos eletrônicos. 

A previsão de Naoki Yoshida, um dos diretores da Square Enix, responsável pelo desenvolvimento do sucesso de vendas “Final Fantasy” e da série “Dragon Quest”, chega mesmo em meio à força do PlayStation 5, da Sony, cuja oferta não vem dando conta da demanda, e às altas vendas do Switch, da Nintendo, que não param de superar as previsões. 

Isso pode mudar, no entanto, em razão do aumento na velocidade da transmissão de dados e da tendência de abandono do monitor de TV no longo prazo como meio principal no qual jogar. 

“Quando o 5G se tornar o padrão mundial, definitivamente, chegará o momento em que poderemos transferir imagens a qualquer dispositivo”, disse Yoshida ao “Financial Times”. 

“Os jogadores podem desfrutar de uma experiência de jogo de alta qualidade em qualquer dispositivo, sem estar amarrados a um console ou a um monitor de TV. Estamos nos encaminhando, definitivamente, nessa direção, e não acho que o coronavírus retardará essa mudança”, acrescentou. 

Empresas de videogames e analistas se mostram divididos em dizer se os jogos na nuvem e a entrada no mercado do Google e da Amazon, entre outros grupos tecnológicos, enfim acabarão com a era dos consoles. Os aparelhos, que datam de meados dos anos 70, já resistiram antes a previsões de que sua extinção era iminente. 

Yoshida é mais conhecido por ter ressuscitado a série “Final Fantasy”, depois de um lançamento ctastrófico em 2010. Passados mais de dez anos, a série é um dos jogos on-line mais populares do mundo, com 22 milhões de usuários registrados. O próximo título, “Final Fantasy XVI”, também está sendo produzido por Yoshida. 

A própria Square Enix se beneficiou das medidas de distanciamento social para evitar a disseminação da covid, que impulsionaram a demanda por opções de entretenimento doméstico. No ano fiscal encerrado em março, a empresa teve o maior lucro operacional em sua história, de 47,2 bilhões de ienes (US$ 430 milhões), 44% a mais do que no exercício anterior, graças ao lançamento do “Final Fantasy VII Remake” e de outros títulos. 

“Com os consoles domésticos você precisa estar na frente da TV […] e apertar o botão de ligar, e esperar o aparelho inicializar, então é uma opção de lazer demorada”, disse Yoshida. “Com o ‘fique em casa’, houve mais oportunidades para apertar o botão de ligar.” 

Depois dos ganhos extraordinários no ano fiscal passado, a empresa de análises de mercado Newzoo prevê que o mercado de aparelhos de videogame terá uma retração de 8,9%, para US$ 49,2 bilhões, uma vez que as empresas de jogos enfrentam limitações no lado da oferta, causadas pela escassez mundial de chips. 

Quanto às condições de trabalho mais flexíveis que as empresas foram forçadas a adotar com a pandemia para seus programadores e designers, Yoshida admitiu que houve algumas desvantagens por não poderem interagir presencialmente durante o desenvolvimento dos jogos. 

“É difícil ler a atmosfera quando você está on-line, então as pessoas começaram a fazer perguntas o tempo todo usando ‘chats’”, disse. “De início, pensávamos que seria mais confortável on-line, mas houve alguns pontos cegos inesperados. 

https://valor.globo.com/empresas/noticia/2021/06/01/criador-de-final-fantasy-diz-que-5g-acabara-com-console.ghtml

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