Não foram só multinacionais brasileiras como Embraer, Weg, Vale e Stefanini que marcaram presença na Hannover Messe, a maior feira da indústria do mundo, realizada na cidade alemã de Hannover. Na delegação brasileira embarcaram 60 startups. Elas se apresentaram ao exigente mercado alemão, que busca soluções sustentáveis para a indústria.
Para isso, uma parte dessas empresas participou de uma dinâmica que se assemelha ao reality show global “Shark Tank”, , em que empreendedores se apresentam a uma banca composta por investidores para tentar convencê-los de que se trata do melhor negócio para investimento. No caso da Hannover Messe, as startups receberam orientações de especialistas sobre como “vender” melhor seus empreendimentos a possíveis interessados.
Segundo o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Laudemir Müller, foi feito um edital público para selecionar startups brasileiras para o evento, além de uma aproximação de centros tecnológicos e entidades que trabalham com startups. “Temos muito interesse de combinar a flexibilidade e a capacidade de adaptabilidade do Brasil e trazer startups para cá, mas também levar startups alemãs ao Brasil. A nossa participação era muito baixa na feira”, afirmou Müller.
A Vox Epower, uma das startups na delegação brasileira, atua de olho no crescimento de veículos eletrificados, com soluções de recarga destes carros. Pelo aplicativo da empresa, o motorista pode encontrar os pontos de recarga disponíveis e planejar suas rotas. O Brasil tem cerca de 21 mil carregadores para quase 630 mil carros eletrificados. Isso significa um carregador para cada 30 carros, enquanto na China essa relação é de um carregador para cada dois veículos.
Outra visitante da feira foi a Energia das Coisas, que monitora e gerencia o consumo de energia elétrica em tempo real, com foco em indústrias, comércios e empresas. O objetivo da startup é reduzir desperdícios e custos para as companhias. Os dados são coletados com uso de inteligência artificial através de sensores.
A Metenergy se apresentou como uma empresa do setor de meteorologia, que oferece previsões entre 30% e 50% mais acuradas do que a média do mercado. Para isso, usa um modelo com inteligência artificial baseado em machine learning, que capacita sistemas para aprimorarem seu desempenho a partir de dados.
“Na catástrofe ocorrida no município de São Sebastião, no litoral de São Paulo, onde choveu 684 milímetros em um dia, previmos que a precipitação seria de 592 milímetros, enquanto nossos competidores apontaram chuva de 120 a 301 milímetros. Foi um desvio de apenas 10%”, disse Estella Cuten, uma das sócias da empresa responsável por novos negócios.
Evamaria Lutz, gerente adjunta de projetos na Rede de Competências em Economia Ambiental da Renânia do Norte-Vestfália – Estado mais populoso da Alemanha -, avaliou que o Brasil tem muito a oferecer em tecnologias verdes através de suas startups e que o objetivo da rede é buscar soluções baseadas em dados e em IA, que contribuam para a sustentabilidade industrial.
Lutz disse que, na região oeste da Alemanha, os investimentos em soluções verdes chegaram a € 5,3 bilhões no ano passado, um crescimento de 4,3% ante o ano anterior. “São 6 mil postos de trabalho gerados na região a partir da economia verde”, afirmou.
O consultor de inovação e idealizador do programa Brazilian Indtechs (startups da indústria) in Germany, Claudio Goldbach, lembrou que as empresas que se apresentaram na Hannover Messe têm base tecnológica e possuem musculatura para mostrar suas soluções na feira. Portanto, não são empresas que trazem apenas uma “ideia”
“A melhor hora para buscar parcerias ou investimento é quando a empresa já ganhou musculatura. Existe um produto que pode ser adaptado e levado para outro mercado. Assim fica mais fácil se internacionalizar”, afirmou Goldbach, que ofereceu treinamento para 43 empresas que “venderam” na feira este ano.
O consultor de inovação já participa da feira há quatro anos, trazendo empreendedores brasileiros, e começou pelas indtechs, focadas em desenvolver soluções para a eficiência da indústria. Goldbach também selecionou todos os consultores que assistiram às apresentações brasileiras. Eles são alemães, conhecem bem o mercado local, assim como têm capacidade técnica para avaliar as startups. O objetivo foi ouvir as apresentações e trazer conselhos para cada uma das empresas.
“Fizemos o trabalho nas duas pontas. Do lado brasileiro, fizemos um esforço para poderem apresentar bem as soluções deles, porque no final das contas estão, também, representando o Brasil”, disse Goldbach.
