Rafael Alcantara Lima
Membro do Núcleo de Estudos e Negócios Asiáticos (NENA)
Zhang Hao Jie
Membro do Núcleo de Estudos e Negócios Asiáticos (NENA)
Orientação: Prof. Dra. Natalia Fingermann
No dia 25 de março de 2026, o Cônsul da China em São Paulo, Zhuang Su, esteve presente na 3º edição do Global Perspectives Summit, organizado pela Bacharelado de Relações Internacionais, na ESPM São Paulo, para auferir uma palestra sobre “China´s Policy Paper on Latin America and Caribbean”. Em pouco mais de noventa minutos, ele passou por um panorama do cenário mundial, apresentou a proposta diplomática chinesa para a América Latina e detalhou os cinco eixos que estruturam essa parceria.
Na visão do Cônsul, vivemos um momento de turbulência e transformação sem precedentes no panorama internacional. Diante desse cenário, a China propõe estabelecer uma parceria baseada na Comunidade de Futuro Compartilhado da Humanidade, incluindo em seu compromisso a América Latina e Caribe, por meio da publicação do Livro Branco Chinês, em dezembro de 2025. Para destacar que a relação entre as duas regiões tem raízes profundas, o Cônsul retomou as grandes navegações no século XVI, quando as trocas de seda e porcelana chinesas chegaram na América Latina.
Em seguida, o Cônsul apresentou os Cinco Grandes Projetos que estruturam a parceria China–América Latina hoje. Cada um desses projetos cobre uma dimensão diferente da cooperação, mas todos eles partem dos mesmos princípios: respeito à soberania, não interferência nos assuntos domésticos e a busca por ganhos mútuos. O primeiro projeto – Solidariedade- parte do respeito à soberania para propor apoio à independência dos países latino-americanos e a construção de uma voz conjunta no cenário internacional. O Cônsul foi direto: a China não interfere nos assuntos internos de ninguém e defende o direito de cada nação de escolher seu próprio caminho.
O segundo projeto – Desenvolvimento – foca na melhoria da qualidade de vida da população, podendo ser visto no cotidiano dos brasileiros por meio das obras realizadas junto a empresas chinesas, como a expansão da Linha 2 do Metrô de São Paulo, o sistema de abastecimento de água de São Lourenço e a transferência de tecnologia agrícola chinesa. De maneira que a faz mais de 17 anos que a China como maior parceiro comercial do Brasil tem transformado, nas suas palavras, “vantagens comparativas em prosperidade conjunta”.
O terceiro projeto – Civilização- acredita no aprendizado mútuo e no diálogo entre as culturas para criar os laços de amizade entre os povos. O cônsul citou a parceria de cidades-irmãs, tal como é visto entre Wuhan e São Paulo, além dos intercâmbios entre universidades, órgãos de governo e os projetos do Institutos Confúcio. O projeto – Paz- parte de uma visão de segurança comum, integrada, cooperativa e sustentável. Nessa linha, a China se apresenta como uma parceira dos países latino-americanos para apoiar na resolução de seus próprios conflitos, sem a imposição de soluções externas. O Cônsul ressaltou alguns temas ligados a esse projeto: saúde pública, resposta a pandemias e segurança cibernética, incluindo a proteção de infraestruturas digitais. Por fim, o Cônsul apresentou o projeto – Ligação entre os Povos- que visa estreitar os laços diretos entre as sociedades, com atenção especial ao intercâmbio juvenil como motor de renovação das relações bilaterais, voltado principalmente a criação de oportunidades às novas gerações.
No geral, a palestra destacou como o Brasil é estratégico e central para a concretização dos “Cincos Grandes Projetos” na América Latina, com potencial de aprofundar ainda mais a cooperação bilateral nas áreas de energia, agricultura, ciência e tecnologia, espaço aeroespacial e economia digital. Além disso, o cônsul concluiu sua fala com uma convocação direta à juventude. Para ele, os jovens são os protagonistas da relação China–América Latina, e os Cinco Grandes Projetos precisam da participação ativa das novas gerações para se tornarem realidade. É somente com a participação dos jovens que o Brasil e os demais países da região vão mostrar que “a América Latina não é quintal de ninguém”.
