O presidente da Rússia, Vladimir Putin, chega nesta terça-feira, 19, a Pequim para se reunir com o presidente da China e seu “velho amigo”, Xi Jinping, em uma visita que deve reforçar a proximidade entre os dois países, poucos dias após a viagem do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao país asiático.
O anúncio da viagem de Putin ocorreu poucas horas depois de Trump concluir, na sexta-feira, 15, uma visita de Estado – a primeira de um presidente americano à China em quase uma década – com o objetivo de estabilizar as turbulentas relações entre os dois países.
Putin e Xi pretendem discutir como fortalecer ainda mais a parceria estratégica entre Rússia e China e trocar opiniões sobre questões internacionais e regionais cruciais, segundo comunicado do Kremlin.
Os laços entre os dois líderes se aprofundaram desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022. Desde então, Putin visita Pequim todos os anos.
Moscou está diplomaticamente isolada no cenário internacional e depende em grande medida da China economicamente, já que o país é o principal comprador do petróleo russo sob sanções.
Para reforçar o tom cordial da visita, os dois líderes trocaram cartas de felicitação no domingo, 17, para marcar os 30 anos da parceria estratégica entre os países.
Xi afirmou que a cooperação entre Rússia e China tem se aprofundado e consolidado continuamente, segundo a imprensa estatal chinesa.
Em uma mensagem em vídeo dirigida ao povo chinês e divulgada nesta terça-feira, Putin afirmou que as relações atingiram um nível verdadeiramente sem precedentes e o comércio entre Rússia e China continua crescendo.
“Sem nos aliarmos contra ninguém, buscamos a paz e a prosperidade universal”, acrescentou o presidente russo, sem citar diretamente nenhum terceiro país.
Queridos e velhos amigos
Quando Putin visitou Pequim pela última vez, em setembro de 2025, Xi o recebeu de braços abertos como um “velho amigo” – tratamento que o líder chinês não usou com Donald Trump na semana passada.
Putin, que chama Xi de “querido amigo”, busca demonstrar ao mundo que a relação entre os dois países não foi afetada pela visita de Trump.
A visita do presidente russo não deve ter a mesma pompa da viagem de Trump, mas “a relação entre Xi e Putin não exige esse tipo de gesto de apaziguamento”, disse a pesquisadora Patricia Kim, do centro de pesquisa Brookings Institution, com sede em Washington.
Segundo a analista, os dois lados consideram que seus vínculos são “estruturalmente mais fortes e estáveis” do que as relações entre China e EUA.
A China pede com frequência o início de negociações para encerrar a guerra na Ucrânia, que já dura mais de quatro anos, mas nunca condenou a Rússia pela ofensiva. Além disso, Pequim se apresenta como uma parte neutra.
Trump e Xi abordaram a questão da Ucrânia na semana passada, mas o presidente americano deixou a China sem conseguir qualquer avanço.
“É quase certo que Xi informe Putin sobre sua reunião com Trump”, afirmou Kim.
A falta de resultados claros do encontro, segundo a analista, “provavelmente tranquilizará Moscou ao mostrar que Xi não chegou a nenhum acordo com Trump que minasse substancialmente os interesses russos”.
Petróleo
Putin espera que a China aprofunde sua parceria com Moscou, depois de Trump afirmar à emissora Fox News, durante sua visita, que Pequim havia concordado em comprar petróleo dos EUA.
Como a Rússia depende das exportações para a China para sustentar seu esforço de guerra, “Putin não quer perder o apoio”, explicou o pesquisador Lyle Morris, da Asia Society.
“É provável que Putin esteja ansioso para ouvir de Xi qual será o próximo passo da China no Oriente Médio”, acrescentou Morris, após “Trump deixou claro que espera que Pequim desempenhe um papel de liderança”.
No entanto, em relação à guerra travada por EUA e Israel contra o Irã, China e Rússia podem ter prioridades diferentes.
“[A China] depende da liberdade das principais rotas marítimas do mundo para sustentar suas atividades econômicas e preferiria que o impasse no Estreito de Ormuz terminasse o mais rápido possível”, afirmou o professor James Char, da Universidade Tecnológica de Nanyang, em Singapura.
Por outro lado, Moscou “se beneficiou economicamente dos combates no Irã devido à flexibilização das sanções sobre o fornecimento de energia russa e, por isso, pode ter uma visão diferente”.
Após se reunir com Xi em abril, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, afirmou que Moscou poderia “compensar” a escassez de energia da China à medida que a guerra afeta os suprimentos globais./Com informações da AFP
