O Catar afirmou nesta terça-feira, 19, que as negociações entre Estados Unidos e Irã, mediadas pelo Paquistão, precisam de mais tempo para chegar a um acordo. A declaração ocorre um dia depois do presidente americano, Donald Trump, anunciar que adiou ataques previstos para dar uma oportunidade ao processo.
“Estamos apoiando o esforço diplomático do Paquistão, que demonstrou seriedade ao reunir as partes e buscar uma solução, e acreditamos que é necessário mais tempo”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, Majed al-Ansari, em entrevista coletiva.
“Queremos proteger a população da região para que não seja a principal perdedora de qualquer escalada”, acrescentou al-Ansari.
Trump, que prorrogou indefinidamente a trégua e deixou claro que deseja sair de uma guerra que se revelou politicamente prejudicial, afirmou na segunda-feira, 18, que havia desistido de um ataque contra o Irã previsto para o dia seguinte, a pedido de líderes de países do Golfo, entre eles o Catar.
O presidente americano também disse que há “ótimas chances” de se chegar a um acordo com o Irã.
O Exército do Irã afirmou nesta terça-feira, em comunicado divulgado pela imprensa estatal iraniana, que abrirá “novas frentes” se os EUA retomarem os ataques.
“Se o inimigo cometer a tolice de cair novamente na armadilha dos sionistas e realizar uma nova agressão contra o nosso querido Irã, abriremos novas frentes contra ele”, disse o porta-voz do Exército, Mohammad Akraminia, segundo a agência de notícias estatal iraniana Isna.
Desde a entrada em vigor do cessar-fogo em 8 de abril, após quase 40 dias de ataques, Irã e EUA realizaram uma rodada de negociações diretas em Islamabad em 11 de abril, que fracassou.
Desde então, os dois países trocam propostas para um acordo duradouro, mas sem avanços significativos devido às posições distantes de ambas as partes, especialmente no que diz respeito à questão nuclear.
Exigências do Irã
Na resposta à última proposta feita pelos EUA para pôr fim ao conflito, enviada a Washington na segunda-feira por meio do Paquistão, o Irã listou suas exigências para chegar a um acordo.
Segundo a agências de notícias estatal iraniana Fars, o Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que, entre os pontos destacados, estão o fim da guerra em todas as frentes, inclusive no Líbano, a compensação pelos danos causados durante o conflito para fins de reconstrução e o fim do bloqueio marítimo imposto pelos EUA a Teerã.
A pasta também disse que o país exige o respeito ao seu direito de manter o programa nuclear pacífico, incluindo o enriquecimento de urânio. Esse ponto é uma das principais discordâncias entre as partes envolvidas nas negociações, já que os EUA exigem que o Irã não apenas suspenda seu programa nuclear, mas também transfira o urânio enriquecido para outro país.
Teerã exige ainda a liberação de ativos e bens iranianos, o fim de todas as sanções unilaterais e das resoluções do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e a retirada de todas as tropas americanas do entorno do país.
A Fars afirmou que as informações constam em um relatório apresentando à Comissão de Segurança Nacional e Política Externa do Parlamento do Irã pelo vice-ministro das Relações Exteriores para Assuntos Jurídicos e Internacionais, Kazem Gharibabadi.
No mesmo dia, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Ismail Baghaei, afirmou que as demandas de Teerã “são claras”. Segundo a Fars, ele disse que o desbloqueio dos ativos iranianos “trata-se de um direito legítimo do Irã, e não de um favor da outra parte”. Para ele, os recursos foram bloqueados injustamente ao longo dos anos em diversos bancos, o que impediu o acesso do Irã.
Baghaei também afirmou que as negociações são “um processo contínuo” e que, apesar de Washington afirmar ter rejeitado a proposta da semana passada, o Irã recebeu, por meio do Paquistão, um conjunto de observações e sugestões de ajustes por parte dos americanos./Com informações da AFP
