Dados apontam desaceleração da China

A atividade econômica da China enfraqueceu em outubro, pressionando o governo a aumentar o apoio depois de ele ter tomado medidas importantes na semana passada para reduzir o impacto sobre os consumidores da política dura de combate à covid-19 e da crise no setor imobiliário.

As vendas no varejo encolheram 0,5% em outubro em relação ao mesmo período do ano passado – a primeira queda desde maio e pior do que o esperado pelos economistas, que previam um crescimento de 0,7%. O crescimento da produção industrial perdeu força, os investimentos no mercado imobiliário continuaram caindo e a taxa de desemprego permaneceu alta. 

Com as infecções por covid continuando a se espalhar em novembro – inclusive no grande centro industrial de Guangdong, onde “lockdowns” parciais têm sido impostos -, as perspectivas de crescimento para o resto do ano parecem ruins. 

Recentemente, Pequim deu os maiores passos até agora para estabilizar o mercado imobiliário e reduzir o ônus econômico da política de “covid zero”, alimentando o otimismo dos investidores. No entanto, qualquer recuperação só será sentida depois de vários trimestres e, com os economistas prevendo que as interrupções causadas pela covid continuarão no ano que vem, as autoridades estão sendo pressionadas a fazer mais. 

“Diante da fase suave em outubro, as autoridades poderiam lançar mais medidas de flexibilização para estabilizar a economia no fim do ano”, escreveram em uma nota a investidores analistas da Macquarie Group liderados por Larry Hu. “As autoridades da China deverão perder a meta de crescimento para este ano, mas eles poderão querer trazer o crescimento de volta para o seu potencial” de mais de 5% no ano que vem, escreveram eles. 

Ding Shuang, economista-chefe do Standard Chartered para a Grande China e Norte da Ásia, diz que o afrouxamento significativo das restrições contra a covid provavelmente só ocorrerá no segundo trimestre do ano que vem e assim, “uma recuperação significativa do consumo poderá ocorrer apenas no segundo semestre de 2023”. 

Além das restrições contra a covid e a crise imobiliária, outros pilares do crescimento também estão com problemas: os empréstimos bancários encontram-se nos menores níveis em cinco anos e as exportações caíram em outubro pela primeira vez desde maio de 2020.

Os investimentos em infraestrutura foram um ponto positivo no mês passado, crescendo 8,7% nos primeiros dez meses do ano em relação ao mesmo período do ano passado, à medida que o governo aumenta os estímulos. No entanto, os investimentos imobiliários continuaram caindo (8,8% sobre o mesmo período do ano passado). 

A China enfrenta no momento o maior surto de covid-19 desde segundo trimestre, com 17.298 novos casos registrados na segunda- feira, apesar dos lockdowns em alguns lugares, dos testes em massa e de outros controles para conter a doença no país. 

https://valor.globo.com/mundo/noticia/2022/11/16/dados-apontam-desaceleracao-da-china.ghtml

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