O acordo preliminar entre Estados Unidos e Irã para suspender as hostilidades no Oriente Médio e reabrir o Estreito de Ormuz deve dominar as discussões da cúpula do G-7, que começa nesta segunda-feira, 15, em Évian-les-Bains, na França.
Líderes das principais economias do mundo esperam obter mais detalhes sobre o entendimento anunciado no domingo, que pode abrir caminho para o fim do conflito que há meses afeta a região.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chega para a reunião após celebrar o acordo nas redes sociais. Em uma publicação, afirmou que o entendimento garantirá a “abertura livre e permanente” do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado globalmente.
Apesar do anúncio, os detalhes do acordo ainda permanecem sob sigilo. Segundo a agência iraniana Fars, Teerã teria incluído de última hora uma cláusula relacionada à cobrança de taxas por serviços marítimos na região, o que levanta dúvidas sobre os termos definitivos da reabertura da via.
A situação em Ormuz é vista como uma das prioridades da cúpula. O fechamento do estreito durante o conflito provocou turbulências nos mercados de energia e elevou os preços internacionais do petróleo. Após o anúncio do acordo, as cotações registraram forte queda, refletindo a expectativa de normalização do fluxo marítimo.
Horas antes da abertura do encontro, o presidente francês, Emmanuel Macron, destacou a importância da retomada da navegação na região. Embora tenha evitado comentar os detalhes do acordo, afirmou que a reabertura de Ormuz é uma das principais preocupações dos países participantes.
França e Reino Unido discutem ainda a possibilidade de apoiar os esforços para garantir a segurança da navegação no estreito. Segundo autoridades francesas, o porta-aviões Charles de Gaulle poderia ser mobilizado em poucos dias, caso haja necessidade de apoio internacional à operação.
Além da questão energética, os líderes devem discutir as consequências políticas e militares do acordo. Permanecem indefinidos os impactos do entendimento sobre a situação no Líbano e sobre o programa nuclear iraniano, temas que ficaram de fora dos termos preliminares divulgados até agora.
Divisões entre aliados
A cúpula ocorre em meio a um momento de crescente tensão entre os Estados Unidos e seus aliados europeus. Embora os líderes do G-7 compartilhem preocupações sobre a guerra no Oriente Médio, a invasão russa da Ucrânia e os desafios econômicos globais, há divergências sobre como lidar com essas crises.
Segundo analistas ouvidos pela imprensa internacional, a relação entre Washington e seus parceiros atravessa um dos momentos mais delicados das últimas décadas. O novo conflito envolvendo os Estados Unidos e o Irã, iniciado sem consultas prévias aos aliados europeus, aprofundou as diferenças em temas de segurança e política externa.
Ainda assim, Macron tenta evitar confrontos diretos e preservar a unidade do grupo. O presidente francês organizou uma agenda extensa de encontros bilaterais, almoços temáticos e reuniões com convidados externos para ampliar o diálogo sobre segurança, energia, inteligência artificial e cadeias globais de suprimentos.
Além dos integrantes do G-7 — Estados Unidos, Alemanha, Japão, Reino Unido, França, Itália e Canadá —, participam de sessões do encontro líderes de países como Brasil, Índia, Egito, Catar, Emirados Árabes Unidos, Quênia e Coreia do Sul.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou à França nesta segunda-feira para participar das discussões. Já o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, é esperado na terça-feira, 16, quando deve reforçar os apelos por maior pressão internacional sobre a Rússia após uma nova onda de ataques contra cidades ucranianas.
Outro tema de destaque será a dependência ocidental das terras raras produzidas pela China. Macron pretende buscar apoio para iniciativas que diversifiquem o fornecimento desses minerais estratégicos, considerados essenciais para as indústrias de tecnologia, defesa e transição energética.
Embora a pauta oficial seja ampla, diplomatas admitem que o acordo entre Estados Unidos e Irã e seus desdobramentos para a segurança global tendem a concentrar boa parte das atenções durante os três dias de reuniões às margens do Lago Léman
