EUA divulgam plano para repatriar setores estratégicos

O governo Biden delineou ontem novas medidas para tentar resolver os problemas generalizados nas cadeias de suprimentos, buscando trazer a produção de volta aos EUA e diversificar o acesso a materiais produzidos no exterior, como os minerais de terras raras. 

Também ontem, o Senado americano aprovou por 68-32 votos, com apoio da oposição republicana, um projeto de lei que destina quase US$ 250 bilhões nos próximos cinco anos em pesquisa e investimentos para enfrentar a ameaça tecnológica da China. 

O projeto prevê um programa de subsídios de US$ 52 bilhões, com poucas restrições, a fabricantes de semicondutores, oferecendo apoio para o setor em meio à escassez global de chips, o que paralisou fábricas de automóveis. 

As medidas anunciadas ontem pelo governo incluem a criação de uma força-tarefa para a cadeia de suprimentos e são resultado de uma análise de 100 dias que o presidente ordenou em fevereiro, quando a pandemia expôs problemas em setores importantes. 

Essa análise cobre quatro áreas: semicondutores, usados em produtos que vão de carros a telefones; baterias de grande capacidade, usadas em veículos elétricos; produtos farmacêuticos; e elementos de terras raras, essenciais nas áreas de tecnologia e defesa. 

“Embora o problema tenha sido amplificado pela crise econômica e de saúde pública, décadas de investimento insuficiente e escolhas de políticas públicas levaram a cadeias de fornecimento frágeis em uma série de setores e produtos”, diz documento da Casa Branca. 

Os secretários de Comércio, Transporte e Agricultura formarão a força-tarefa para a cadeia de suprimentos, com foco nos setores que sofreram com interrupções no abastecimento e problemas de demanda, como os de construção civil, semicondutores, transportes e alimentos. 

O relatório propõe uma série de ações que significam um papel mais ativo do governo nas questões que envolvem as cadeias de suprimentos e a produção interna, e muitas dessas medidas são orientadas para a competição com a China. Entre elas estão usar a Lei de Produção para a Defesa – promulgada durante a Guerra da Coreia para impelir a indústria interna a apoiar as Forças Armadas – para formar um consórcio público- privado para a produção de medicamentos essenciais. 

O Departamento de Energia emitirá dívida para investir na produção de células avançadas de baterias para veículos e para instalar novas fábricas. Será criada uma “força comercial de ataque” para propor ações contra o que o governo considera práticas desleais de comércio exterior, como subsídios governamentais, e reforçar a cooperação com aliados. 

Outra proposta é um programa de financiamento do Banco de Exportação e Importação dos EUA para instalações de manufatura e projetos de infraestrutura no país. 

Na área comercial, há um pedido de investigação pelo Departamento de Comércio que pode levar à adoção de tarifas sobre ímãs de neodímio, que são usados em motores e equipamentos de defesa e que costumam ser importados da China. 

O governo também pretende enfrentar a escassez de semicondutores, que gera desaceleração em vários setores, principalmente o automotivo, que mais tem pressionado o governo por ajuda. 

O governo Biden tem feito contato com fornecedores estrangeiros e trabalhado para melhorar a transparência na cadeia de suprimento, mas as soluções de curto prazo são difíceis de encontrar. O objetivo mais amplo é aumentar a produção americana de chips. 

https://valor.globo.com/mundo/noticia/2021/06/09/eua-divulgam-plano-para-repatriar-setores-estrategicos.ghtml

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