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Quando a vontade de chegar ao céu é maior do que a vontade de fazer direito

Clarisse Setyon

Sou formada em Marketing há 30 anos (na verdade 31, mas não preciso contar os detalhes, né ?!).

Depois do Marketing fiz uma especialização em Empreendedorismo Social, uma especialização em Ecoturismo e um Mestrado em Comunicação e Consumo. Em todos eles eu sempre tive que explicar porque marketing não é uma “coisa do capeta” e sim uma ciência.

Lembro-me como se fosse hoje quando, no curso de Ecoturismo, escutei que o Marketing era o responsável pelas 22 embalagens de BIS que as pessoas largavam nas trilhas. Era melhor ouvir isto do que ser surda.

Hoje vejo a seguinte manchete no UOL “Polêmica com aposentadoria de Ceni leva Penalty para a Justiça”. Vou tentar resumir o imbróglio.

A Penalty tinha uma assessoria de imprensa chamada Sing. Em novembro do ano passado, a Sing convidou jornalistas para um grande evento, um “momento histórico”, como cita em seu convite. A ideia do evento era o lançamento da última camisa do goleiro do SPFC, bem como de sua última entrevista coletiva (como se alguém pudesse garantir isto!).

Surpresa! Foi a reação de todos os convidados.

Não foram necessárias horas, mas apenas minutos para que a diretoria do SPFC negasse a informação. Haveria sim o lançamento de um uniforme (não o último) e não haveria entrevista de despedida, pois o goleiro não estava se despedindo. Nova surpresa. Aliás, agora já não se chama mais surpresa e sim confusão.

Há uma impressão no ar de que a Sing ouviu o passarinho cantar, mas não sabia onde (José Simão diria “piada pronta”).

Rogério e SPFC afirmam que estarão juntos, em campo, até agosto deste ano, para disputar a Copa Libertadores da América (pelo menos por enquanto, é o que dizem). Ou seja, nada de despedida.

Tem início o disse-que-disse … foi a Penalty que falou. Não, foi o SPFC quem anunciou. Não, foi a assessoria que fez. Este filho não tem pai. É óbvio ! Se o evento tivesse sido um sucesso, todos brigariam pela paternidade da criança.

Por trás de tudo isto, havia ainda outra agência chamada Babel (manja aquela torre construída pelos descendentes de Noé, quando o mundo falava apenas uma língua, para se alcançar os deuses – a glória – e aí os deuses não gostaram, mandaram um vendaval bravo e as pessoas começaram a falar várias línguas e ninguém mais se entendia? qualquer relação entre o capitulo do Livro do Gêneses e a história de Rogério Ceni, é mera coincidência!). Retomando … A Babel era a agência responsável pelo adeus do goleiro. O que ela faria exatamente como “responsável pelo adeus”, não fica claro na notícia. Melhor nem imaginar quais seriam suas funções para fazer com que isto acontecesse.

Tudo isto se passou no final do ano passado.

Hoje, o Rogério ainda joga no SPFC, dá entrevistas, a Penalty teve seu contrato com o SPFC antecipadamente encerrado e agências e cliente estão se digladiando na Justiça.

Mas o que o Marketing e as embalagens de BIS têm a ver com tudo isto ?

A despedida proposta (erroneamente ou não) de Rogério Ceni era um evento. Eventos são ferramentas de comunicação do P de Promoção, no mix de Marketing.

Eventos exigem planejamento. Eventos exigem critérios. Eventos exigem profissionais. Eventos não respeitam aqueles que preferem, como não me canso de dizer em sala de aula, colocar o carro na frente dos bois.

Querer chegar aos céus, à fama ganha rapidamente, aos deuses, sem uma comunicação perfeita, é impossível. Com uma comunicação perfeita (existe ?!) já é difícil, imaginem sem.

Eventos são feitos por pessoas e não por deuses. A comunicação é o que diferencia os homens dos animais. Gente e comunicação: o maior celeiro de problemas em um evento. Está aí o Rogério Ceni que não me deixa mentir!

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