A Meta lançou o agente pessoal de inteligência artificial, uma aposta do CEO Mark Zuckerberg de que bots autônomos – que prometem fazer tudo, desde encomendar compras de supermercado até planejar encontros românticos – serão a chave para a estratégia de IA da gigante das redes sociais.
O Muse estará disponível no WhatsApp, no Instagram e no Facebook. Pode ser conectado a ferramentas como e-mails e bicicletas ergométricas inteligentes.
A expectativa da Meta é de que o acesso a dados de atividades em suas plataformas sociais e sua capacidade de colocar o assistente pessoal de IA nas mãos de 3 bilhões de usuários ativos a ajudem a competir com a OpenAI e a Anthropic.
“Essa é uma daquelas oportunidades que só a Meta tem”, disse Alexandr Wang, diretor da área de inteligência artificial da Meta, ao Financial Times. “Estamos muito empolgados com a ideia de levar agentes pessoais a bilhões de pessoas ao redor do mundo.”
Inicialmente, o recurso está sendo lançado para adultos nos Estados Unidos e de forma gratuita – mas tem planos pagos para maior uso, com preços que variam de US$ 20 a US$ 100 por mês. Os planos para o agente foram noticiados pela primeira vez pelo Financial Times em maio.
A novidade foi anunciada em um momento em que Zuckerberg tem sofrido pressões dos investidores por causa dos custos enormes de suas iniciativas para transformar o grupo de redes sociais em um líder na área de inteligência artificial. A Meta informou que gastará até US$ 145 bilhões em investimentos de capital (capex) este ano, a maior parte concentrados em infraestrutura de IA. Analistas têm levantado dúvidas sobre a decisão de Zuckerberg de se juntar às outras gigantes da tecnologia na dispendiosa corrida para ampliar o poder de computação, já que a Meta – ao contrário de Google, Amazon e Microsoft – não tem uma divisão de computação em nuvem que lhe garanta uma receita direta com seus centros de dados.
A empresa tem ficado para trás em comparação com os modelos de maior desempenho dos últimos lançamentos, já que a OpenAI e a Anthropic tiveram avanços rápidos em capacidades e cresceram na área dos chamados agentes, que podem realizar tarefas complexas de forma independente com base nas instruções do usuário.
O novo agente de assistência pessoal da Meta vai rodar com base em sua família de modelos Muse, que recentemente ganhou terreno em relação aos concorrentes em alguns testes de referência do setor.
O assistente terá acesso a mensagens diretas no Instagram e no Facebook, segundo a empresa. Já os usuários do WhatsApp poderão interagir com o Muse dentro do aplicativo, mas o agente só terá acesso a dados que sejam compartilhados com ele diretamente, pois as mensagens são criptografadas.
A Meta anunciou que os usuários poderão compartilhar “grandes metas audaciosas”, como “perder a barriga de cerveja” ou “ser um pai melhor”. O Muse lembrará de detalhes sobre o usuário e fará sugestões espontâneas com base nesses dados, como transformar uma receita salva no Instagram em uma lista de compras ou em um cardápio para um jantar com amigos. Os usuários poderão excluir essas informações armazenadas.
Em outro exemplo, a empresa mostrou como o agente Muse pode compreender, a partir de uma sequência de mensagens, que um amigo do usuário quer fazer uma trilha e se oferecer para planejar a atividade. A Meta integrou a plataforma de pagamentos Stripe para permitir que o assistente faça compras com facilidade, e seu acesso a dados de uma conta bancária pode ser concedido por meio da fintech Plaid.
“Eu o uso para me ajudar a acompanhar e manter alguns relacionamentos; ele me ajuda a lembrar quando já faz tempo que não vejo um amigo e que deveria retomar o contato com ele”, contou Wang.
“Já no caso de encontros românticos, eu acho que eles devem vir do coração”, acrescentou ele, observando que o Muse pode ajudar com a logística.
O lançamento do Muse acontece depois que uma série de incidentes de invasão cibernética levou a um aumento do escrutínio sobre esses agentes. Em várias ocasiões, ferramentas de inteligência artificial da OpenAI, da Anthropic e da Meta escaparam do controle humano e invadiram sistemas de outras empresas. Nesses casos, era frequente que os agentes se organizassem às escondidas para agir em conjunto.
“Não observamos esses tipos de comportamento… seja em termos de capacidade cibernética ofensiva ou nessa propensão a se organizar para agir em conjunto… por isso, nos sentimos confiantes de fato sobre o Muse como um produto sendo lançado sem ter alguns desses riscos associados a agentes que agem por conta própria”, afirmou Wang.
Zuckerberg já tinha dito em ocasiões anteriores que não via nenhum agente de IA no mercado que “gostaria de dar à minha mãe”.
Segundo a Meta, o Muse foi projetado para pedir permissão antes de acessar a internet, enviar e-mails ou fazer compras. A empresa acrescentou que o assistente também foi planejado para manter um registro completo de todas as suas ações e não compartilha conversas ou dados com os sistemas de publicidade da Meta. (Colaborou Akila Quinio) (Tradução de Lilian Carmona)
https://valor.globo.com/empresas/noticia/2026/09/09/sob-pressao-meta-lanca-agente-faz-tudo.ghtml
