Só 26% dos profissionais veem liderança alinhada para uso de IA, diz pesquisa

Embora a inteligência artificial avance no cotidiano do trabalhador e amplie sua capacidade de entrega, apenas um quarto dos profissionais (26%) afirmam que a liderança de suas empresas esta alinhada sobre como usar a tecnologia. O dado, do Microsoft Work Trend Index 2026, indica um descompasso entre a adoção e o direcionamento que deveria ser dado pelas companhias.

A IA já ocupa espaço na rotina de trabalho. O avanço, porém, não acontece de forma homogênea. Se, de um lado, profissionais ampliam o uso da tecnologia para análise, produção e tomada de decisão, do outro, a liderança ainda busca definir como incorporar a ferramenta aos fluxos internos, aponta o estudo baseado em entrevistas com 20 mil trabalhadores em dez países e pesquisas complementares com 1.800 profissionais globais.

O levantamento mostra que a lA tem ocupado espaço relevante em atividades intelectuais. Uma avaliação de mais de 100 mil conversas no Microsoft 365 Copilot aponta que 49% das interações estão relacionadas ao trabalho cognitivo, que inclui análise de informações, resolução de problemas, avaliação de cenários e pensamento criativo.

Além disso, o impacto aparece na gestão do tempo. Segundo a big tech, 66% dos usuários de IA afirmam que a tecnologia permite dedicar mais tempo a atividades de maior valor agregado. Na prática, isso inclui tarefas como sintetizar informações, aprofundar conhecimentos técnicos e ampliar repertório em diferentes áreas.

A pesquisa também identifica uma expansão na capacidade de produção. Entre os entrevistados, 58% dizem conseguir entregar hoje trabalhos que não conseguiriam realizar há um ano. Entre os nomeados pela Microsoft como Frontier Professionals, grupo formado por 3.233 usuários avançados de IA, esse percentual chega a 80%.

O avanço da IA também reposiciona quais competências ganham espaço no ambiente corporativo. Entre os profissionais ouvidos, metade (50%) aponta o controle de qualidade do conteúdo gerado pela tecnologia como habilidade central, enquanto 46% destacam o pensamento crítico para analisar e validar informações.

Esse movimento ajuda a explicar outro dado do levantamento; 86% afirmam usar o conteúdo gerado pela IA como ponto de partida, e não como resposta final, e “que permanecem responsáveis pelo raciocínio”. Para os autores do estudo, os usuários da ferramenta percebem que seu papel está mudando. Ao invés de apenas gerar respostas, a companhia sugere que devemos refiná-las e assumir ainda mais responsabilidade por elas.

Por fim, o relatório indica que o ambiente corporativo tem peso duas vezes maior no uso efetivo da IA do que a exploração individual. Segundo a Microsoft, fatores organizacionais respondem por 67% do impacto no uso da tecnologia, enquanto fatores individuais representam 32%.

Na prática, isso significa que o potencial da IA está diretamente ligado às condições criadas pela empresa para sua incorporação à rotina de trabalho. Cultura interna, incentivo à experimentação, treinamento, autonomia e tempo para testar novas ferramentas aparecem entre os principais elementos para ampliar esse uso. Características individuais, como abertura à inovação, disposição para aprender e capacidade de adaptação, seguem relevantes, mas têm peso menor nesse processo.

“As empresas que construírem hoje um novo modelo operacional não apenas ganharão velocidade no curto prazo, mas criarão uma vantagem duradoura”, “, segundo a análise da big tech. Para os pesquisadores boas organizações devem aprender mais rápido do que seus concorrentes e acumular inteligência própria para se tornarem difíceis de alcançar.

https://valor.globo.com/carreira/noticia/2026/05/05/so-26percent-dos-profissionais-veem-lideranca-alinhada-para-uso-de-ia-diz-pesquisa.ghtml

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