Secretário-geral da ONU sugere taxar empresas de gás e petróleo

“Nosso mundo está com grandes problemas”, afirmou nesta terça-feira (20) o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, ao defender que os países cobrem um imposto sobre a receita extraordinária das empresas de combustíveis fósseis. “Os poluidores precisam pagar”, continuou ele, pelos danos crescentes causados pelas ondas de calor, inundações e secas.

Guterres também fez um balanço sobre a situação global, trazendo perspectiva negativa para as ameaças mundiais, que, segundo ele, vão desde as mudanças climáticas, passando por problemas de crédito que podem colocar em risco as economias mais vulneráveis

. Guterres ressaltou o acordo de grãos da Ucrânia como uma mostra do que o mundo consegue alcançar quando trabalha em conjunto, ressaltando que a chegada dos navios na região do chifre da África “traziam esperança”, mas fez um alerta que alimentos podem voltar a ser um problema para o mundo em um futuro próximo. 

Ele citou a crise dos fertilizantes como um problema que pode afetar o mundo nos próximos meses. “Para atenuar a crise alimentar global, temos agora de enfrentar urgentemente a crise do mercado mundial de fertilizantes. 

“Este ano, o mundo tem alimentos suficientes; o problema é a distribuição”, disse o secretário-geral da ONU. “Mas se o mercado de fertilizantes não estiver estabilizado, o problema do próximo ano poderá ser o próprio abastecimento alimentar.” 

Guterres também falou sobre o impacto dos preços elevados do gás na produção dos fertilizantes. “Sem ação agora, a escassez global de fertilizantes rapidamente se transformará numa escassez global de alimentos”, advertiu. 

Crise energética e combustíveis fósseis 

Ao falar da crise de energia que assola o mundo, principalmente na Europa, Guterres criticou os movimentos de alguns países em voltar a investir em energias sujas, com a reativação de usinas termelétricas movidas a carvão e o retorno da aplicação de subsídios para a compra de fontes poluentes. 

“Nosso mundo é viciado em combustíveis fósseis. É hora de uma intervenção. Precisamos responsabilizar as empresas de combustíveis fósseis e seus facilitadores. Isso inclui os bancos, private equity, gestores de ativos e outras instituições financeiras que continuam a investir e subscrever a poluição por carbono”, disse Guterres. “Isso inclui a enorme máquina de relações- públicas que fatura bilhões para proteger a indústria de combustíveis fósseis do escrutínio”. 

O secretário-geral aproveitou a crítica para citar as ondas de calor que atingiram o hemisfério norte nos últimos meses, dizendo que “os verões mais quentes de hoje podem ser os verões mais frescos de amanhã” e que o mundo “ainda não viu nada” em relação ao aquecimento global. 

“Choques climáticos que ocorrem uma vez na vida podem em breve se tornar eventos anuais”, disse Guterres. “Os poluidores precisam pagar [pelos seus atos]”. 

Tensões geopolíticas 

“Estamos vendo a ameaça de divisões perigosas entre o Ocidente e o Oriente. Os riscos para a paz e a segurança globais são imensos. Devemos continuar trabalhando pela paz de acordo com a Carta das Nações Unidas e o direito internacional”, disse o secretário-geral ao abordar o tema das disputas geopolíticas. 

Ele criticou o aprofundamento de divisões entre países, dizendo que o mundo caminha para um mundo dominado por um G2. “Agora estamos arriscando viver um G-nada”. 

“Sem diálogo, não há solução coletiva de problemas. A realidade é que vivemos em um mundo onde a lógica da cooperação e do diálogo é o único caminho a seguir. Nenhum país ou grupo sozinho pode dar as cartas”, disse Guterres 

Problemas de crédito global 

O secretário-geral abordou o tema da fragilidade econômica global, fazendo apelos para o Banco Mundial e grandes bancos do planeta para aumentarem a liquidez e revisem os requisitos de crédito para países, dizendo que as análises devem ir além do produto interno bruto e devem considerar “todas as vulnerabilidades que afetam os países em desenvolvimento”. 

“Eu peço ao Fundo Monetário Internacional e aos principais bancos centrais a expandir sua liquidez e linhas de crédito de maneira imediata e significativamente”, disse o líder da ONU. “Também precisamos de um mecanismo eficaz de alívio da dívida para países em desenvolvimento – incluindo países de renda média – em situação de superendividamento. Os credores devem considerar mecanismos de redução da dívida, como trocas de adaptação da dívida ao clima”. 

https://valor.globo.com/mundo/noticia/2022/09/20/aquecimento-global-e-crises-diversas-secretario-geral-da-onu-diz-que-mundo-corre-grande-perigo.ghtml

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