Quase metade das companhias no Brasil não tem gestão formal de cultura

Quase metade das empresas brasileiras (45%) não trabalha com processos formais de gestão de cultura, revela pesquisa da consultoria Korn Ferry realizada a partir de entrevistas com 317 companhias no Brasil.

Da parcela que afirma investir em cultura organizacional, a maioria (55%) está há menos de 3 anos dedicando esforços para o fortalecimento cultural. Ainda de acordo com o levantamento, os maiores desafios culturais das empresas são o retorno do trabalho presencial, a ausência de feedback para trabalhadores, a falta de planejamento e ruídos na comunicação, assim como o desalinhamento entre as matrizes globais e as equipes locais. As propostas de redução do trabalho remoto, especialmente destacadas pela pesquisa, sofrem resistência de profissionais administrativos e das gerações mais jovens.

Empresas que adotam o trabalho híbrido afirmam buscar uma transmissão clara de valores para manter a cultura institucional, além da liderança exemplar, eventos presenciais de integração, escuta contínua por meio de pesquisas e cuidados na integração de novos funcionários. Apesar dos empecilhos e dos esforços citados pelos respondentes, 74% afirmam não ter indicadores (KPIs) para a gestão da cultura. Da mesma forma, 87% não utilizam métricas para gerir mudanças.

Para Adriana Rosa, líder de práticas de consultoria para a América do Sul na Korn Ferry, o que mais chama atenção é o descompasso entre o discurso e a prática. “A cultura é reconhecida como relevante, mas pouco gerida com o mesmo rigor aplicado a finanças ou operações”, diz. Para ela, os elementos culturais impactam o negócio e utilizá-los é um trabalho estratégico.

Segundo Rosa, a cultura é tratada como um conceito subjetivo, associada apenas ao clima ou engajamento. “Muitas empresas ainda têm dificuldade de traduzir comportamentos e valores em métricas objetivas e conectá-los a resultados de negócio”, reforça.

Na experiência da especialista, a cultura não medida tende a ser percebida apenas quando vira problema, como no aumento de turnover, na queda de engajamento ou na dificuldade em executar uma estratégia. “Sem indicadores, a empresa não consegue identificar desalinhamentos. cultura é o ‘sistema operacional’ da organização.

Ela define como a as decisões são tomadas, como conflitos são resolvidos e como prioridades são executadas”, detalha.

A executiva também defende que o trabalho híbrido não enfraquece a cultura. “Ele expõe fragilidades que já existiam”, elabora. Rosa, por fim, considera três fatores críticos na sustentação da cultura em ambientes híbridos ou remotos, sendo eles uma liderança que traduza valores em comportamento visível; rituais de alinhamento como integração de novos funcionários e medição contínua de engajamento e alinhamento, com planos de ação. “Cultura não se faz apenas com presença física”, frisa.

https://valor.globo.com/carreira/noticia/2026/03/24/quase-metade-das-companhias-no-brasil-nao-tem-gestao-formal-de-cultura-diz-pesquisa.ghtml

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