Estive em Pequim, Xangai e até no interior, em Zhangjiajie. Vi muita coisa. Primeiro, WeChat e Alipay facilitam demais a vida. Esses superapps não são apenas redes sociais ou meios de pagamento, mas também grandes ecossistemas digitais para fazer compras, pedir comida, pagar faturas, chamar um DiDi – o Uber chinês – e acessar vários outros serviços.
Esses serviços funcionam através de mini apps, versões simplificadas dos apps tradicionais. Eles são tão populares na China que até os QR Codes se adaptaram: há os redondos que abrem mini apps, enquanto os quadrados que conhecemos abrem qualquer link.
Na JD.com, um dos maiores varejistas digitais do mundo, robôs gerenciam boa parte dos armazéns e centros de distribuição sem intervenção humana. No Asia No.1, o maior parque logístico inteligente do mundo, mais de 10 mil robôs de classificação processam até 4,5 milhões de pacotes diários com 99,99% de precisão.
No Ant Group, dono do Alipay, a visão é que o futuro dos bancos não está mais nos bancos, mas em plataformas digitais que usam inteligência artificial (IA) para atender clientes, gerenciar contas, sugerir investimentos… Para fazer tudo. Aliás, em muitos lugares, você pode pagar com seu rosto ou palma da mão. Já o dinheiro físico? Cada vez mais raro, representando só 7% do valor total das transações no país.
O live commerce é uma febre, responsável por 20% do varejo online chinês. 60% dos consumidores online da China já usaram esse formato para fazer compras. Na loja da Nike, vi uma funcionária fazendo live de vendas. Na Shanghai Tower, uma garota vendia garrafinhas da mesma forma. Para os chineses, rotina. Para nós, novidade.
Encontrei robôs de limpeza e de delivery nas ruas. Andei em carros e ônibus autônomos. Sem falar no silêncio do trânsito devido à quantidade enorme de carros e motos elétricas.
Peguei o trem-bala de Pequim a Xangai – uma distância como São Paulo a Porto Alegre – em apenas 4 horas. A China tem mais trilhos de alta velocidade que o resto do mundo combinado. E o serviço é tão eficiente que, dentro do trem, pedi um McDonald’s que foi entregue no meu assento. Logística perfeitamente sincronizada com as paradas.
Também entrei em um carro voador da Vertaxi. Há mais de 250 empresas desenvolvendo essa tecnologia na China, fazendo o país deter 50% do mercado global desse tipo de veículo. E o delivery por drones? Já é realidade em alguns lugares, inclusive na Muralha.
Definitivamente, vivemos uma era onde iremos competir ou colaborar com a China.
