No Brasil, 30% não se importam em checar informação

A maior parte dos usuários de internet no país se informa diariamente em redes sociais e aplicativos de mensagens. E também é grande a parcela de pessoas que não verifica se as informações obtidas on-line são falsas ou verdadeiras, segundo a pesquisa Painel TIC – Integridade da Informação, realizada pelo Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) e pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGl.br).

Entre 5.250 usuários de internet de 16 anos ou mais, 72% acessam diariamente informações por redes sociais, o que inclui vídeos curtos (53%), sites ou aplicativos de vídeo (50%) e feeds de notícias (46%), mostra pequisa inédita do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br).

A sondagem realizada entre agosto e setembro mostra que 60% dos pesquisados se informam com frequência diária por aplicativos de mensagem, 58% por rádio e televisão (telejornais, canais de notícias 24 horas e rádio) e 34% por jornais e revistas, em versões impressas ou digitais. A pesquisa indica que 65% dos internautas relatam consumir diariamente notícias, proporção que é de 46% na faixa de 16 a 24 anos de idade.

Os dados revelam menor tendência dos brasileiros à verificação do que leem, com 34% concordando totalmente ou em parte com a ideia de que “não vale a pena pesquisar se as informações que recebo são verdadeiras ou falsas”, e 30% mostram que não há interesse nesse tipo verdadeiras ou falsas” de pesquisa. Já 20% dos pesquisados apresentaram um perfil mais engajado, preocupado em verificar as informações.

Entre os usuários que não conferem informações que recebem por aplicativos de mensagem ou redes sociais, 36% argumentam que esquecem, 33% disseram não ter tempo ou interesse de conferir.

Entre os pesquisados, 41% relataram ter contato diário com imagens, vídeos ou audios manipulados por IA generativa para parecerem verdadeiros. A pesquisa identificou que 47% dos respondentes usam assistentes de IA.

“O que está se discutindo internacionalmente é que vai complicar o cenário de verificação, na medida em que é muito mais difícil checar a origem de uma informação por esses meios do que por um jornalista, um veículo tradicional”. “, disse Fabio Senne, coordenador-geral de pesquisas do Cetic.br ao Valor.

A postura de desengajamento com a veracidade das informações é mais comum entre os mais jovens, do sexo masculino, pertencentes às classes Ce D/E e com ensino fundamental incompleto.

A postura de desengajamento com a veracidade das informações é mais comum entre os mais jovens, do sexo masculino, pertencentes às classes Ce D/E e com ensino fundamental incompleto.

Fatores sociodemográficos, socioeconômicos e de conectividade estão associados a melhores capacidades de classificar corretamente informações como “falsas” e “enganosas” na internet, revela a pesquisa. Os pesquisados foram convidados a classificar como falsas ou verdadeiras informações selecionadas que circularam no país nos últimos dois anos. O exercício conduzido em parceria com a Agência Lupa apresentou 16 enunciados de notícias verdadeiros e 8 falsas sobre meio ambiente, saúde e tecnologia, incluindo enunciados de autoria de humanos e 8 feitos por inteligência artificial. Os índices de acerto foram melhores entre os respondentes de 45 anos ou mais, das classe AB e com maior escolaridade.

O acesso à informação no ambiente online varia conforme o recorte socioeconômico, aponta o estudo. O percentual dos que acessam informações diariamente via sites ou portais de notícias, por exemplo, é superior entre aqueles das classes AB (58%), se comparados às classes C (33%) e DE (27%).

Cerca de metade da população da pesquisa desconfia “sempre” ou “na maioria das vezes” de informações publicadas ou compartilhadas por diferentes fontes como veículos de notícias tradicionais (48%), canais, páginas ou perfis em aplicativos de vídeo ou streaming (47%) e influenciadores e/ou figuras públicas em redes sociais (43%).

O estudo identificou dificuldades da população de entender como funcionam algoritmos e dinâmicas de recomendação de conteúdos em plataformas digitais. Metade dos entrevistados acha que se um conteúdo circula mais na web é porque é mais confiável.

Por outro lado, os brasileiros compreendem a lógica da monetização na internet – 64% concordam que um influenciador é polêmico porque isso o faz ganhar maior visibilidade e 61% entendem que as redes sociais são gratuitas porque ganham dinheiro com publicidade.

https://valor.globo.com/empresas/noticia/2026/04/10/no-brasil-30-nao-se-importam-em-checar-informacao.ghtml

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