Itaú compra a startup de inteligência artificial NeoSpace por R$ 2,9 bilhões

O Itaú Unibanco comprou a NeoSpace AI Technologies, startup brasileira de inteligência artificial (IA), por R $2,9 bilhões (US$ 580 milhões), em uma operação que mira em acelerar as ambições tecnológicas do banco.

A transação ajudará o Itaú a desenvolver seus próprios modelos de inteligência artificial, combinando a tecnologia da NeoSpace com o conhecimento do banco no setor de serviços financeiros, informou o Itaú em comunicado nesta segunda-feira.

A aquisição, integralmente em dinheiro, manterá a startup com gestão e estrutura autônomas, sob o comando de seu fundador, Bruno Pierobon, como presidente-executivo.

Fundada em 2023, a NeoSpace desenvolve soluções de IA capazes de identificar padrões e relações complexas em grandes conjuntos de dados, segundo o banco. O Itaú já era sócio da empresa e liderou uma rodada de investimentos de US$ 18 milhões no início de 2025. O banco vê os modelos da NeoSpace como uma forma de personalizar o atendimento aos clientes.

Desde o início da parceria, segundo o Itaú Unibanco, foram desenvolvidas soluções próprias de inteligência artificial generativa em escala com aplicações em crédito, gestão financeira, relacionamento com clientes e prevenção a fraudes

Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú Unibanco, afirmou que a aquisição da NeoSpace é um “investimento estratégico” para desenvolver soluções que “estabeleçam novos padrões de mercado, no Brasil e no mundo”.

“Queremos que o Itaú esteja entre as instituições que vão definir o próximo capítulo da indústria financeira global. O Brasil já demonstrou sua capacidade de estabelecer referências internacionais em inovação bancária, e temos a oportunidade de elevar esse patamar com inteligência artificial de fronteira. Trata-se de uma transformação que abre novas avenidas de crescimento, amplia nossa capacidade de servir milhões de pessoas e empresas e redefine o valor que um banco pode gerar para seus clientes”, disse o executivo.

O Itaú vem investindo pesadamente na modernização de suas plataformas, enquanto o setor financeiro brasileiro busca acompanhar o ritmo de uma indústria de fintechs bem desenvolvida. Em 2024, o banco unificou diferentes aplicativos móveis em um único app, em um momento em que os clientes migravam das agências físicas e a instituição buscava oportunidades para ampliar o relacionamento com clientes que utilizavam apenas um de seus produtos.

A iniciativa tem como objetivo aumentar o volume de dados disponíveis para o banco na análise do risco de cada cliente, mas também garantir que esses clientes mantenham um relacionamento mais amplo com a instituição. Bancos tradicionais e fintechs de outros mercados também buscam esse objetivo, em meio à intensificação da concorrência.

O banco realizou outras aquisições na área de tecnologia na última década. Em 2019, anunciou um acordo para comprar a Zup, startup também fundada por Pierobon, que oferece serviços para integrar sistemas recém-desenvolvidos a estruturas tecnológicas legadas.

Para que seja concluída, a operação terá de contar com o aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e do Banco Central do Brasil, além de cumprir outras condições precedentes.

https://oglobo.globo.com/economia/negocios/noticia/2026/10/26/itau-compra-a-startup-de-inteligencia-artificial-neospace-por-us-580-milhoes.ghtml

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