Freio na IA racha o mundo corporativo

Alex Karp, CEO da Palantir Technologies, levantou ontem uma questão central no debate sobre os riscos da inteligência artificial: se os líderes do setor defendem com tanta veemência a desaceleração do desenvolvimento da tecnologia, por que simplesmente não param?

“É uma questão social”, disse Karp ao programa “Squawk on the Street”, da CNBC. “É preciso encontrar uma maneira de estabelecer diretrizes razoáveis que sejam efetivamente aplicadas”. Para ele, “a primeira linha de defesa é a responsabilização pelos próprios atos. Portanto, é uma reviravolta estranha que eles peçam regulamentações para toda a sociedade a fim de escapar dessa primeira linha de defesa. Se alguém desenvolve uma tecnologia capaz de destruir 10% do mundo, isso envolve responsabilidade civil e criminal”.

O CEO da Palantir sugere que os pedidos de regulamentação feitos pelos laboratórios de IA são uma forma de evitar a responsabilidade pelos riscos associados a seus produtos. “Isso é apresentado como um movimento a favor ou contra a regulamentação. Mas não é disso que esse movimento realmente trata. A meu ver, essas empresas acreditam que precisam ser estatizadas, porque, se não forem, todos os meus clientes vão processá-las”, disse.

O comentário de Karp é feito em uma semana que se mostrou decisiva para a maneira como as empresas de IA discutem publicamente os riscos associados à tecnologia.

De um lado estão Elon Musk, da SpaceX; Sam Altman, CEO da OpenAI; e Dario Amodei, CEO da Anthropic, que defenderam uma desaceleração do ritmo de desenvolvimento da IA. Do outro lado, o presidente Donald Trump, Mark Zuckerberg, CEO da Meta Platforms, e Jensen Huang, CEO da Nvidia, rejeitaram os apelos para limitar o desenvolvimento da tecnologia.

Em uma posição intermediária está Satya Nadella, CEO da Microsoft, que diz que os seres humanos devem manter o controle sobre a IA. A Microsoft também divulgou nesta semana um novo código de conduta para o treinamento e a operação de seus modelos de IA. A empresa afirmou repetidamente que seu objetivo com a tecnologia é permitir que a humanidade prospere.

Neste momento, tudo indica que o debate sobre a ameaça existencial que a IA pode representar ficará ainda mais intenso. Mas, ao contrário do que ocorreu na segunda-feira, quando ações de “big techs” atreladas à IA caíram na Nasdaq, sob impacto da proposta de desaceleração do ritmo de desenvolvimento da IA, ontem os papéis subiram.

A Nvidia mostrou alta de 2,54%, depois de ter recuado 3,36% no início da semana. Na mesma base de comparação, a Advanced Micro Devices (AMD) subiu 6,36%, após queda de 4,40%; a Intel saiu de uma queda de 5,59% para uma alta de 7,67%; e a Broadcom, depois da retração de 4,47% subiu 2,29% ontem.

A recuperação ocorreu porque os investidores decidiram aproveitar a queda para comprar ações, após uma onda de vendas na quarta-feira provocada pela decisão do Federal Reserve de elevar os juros pela primeira vez em mais de três anos. Isso sugere que Wall Street já perdeu o interesse por uma possível desaceleração da IA, apenas três dias depois de alguns investidores temerem que ela pudesse derrubar o mercado.

https://valor.globo.com/google/amp/empresas/noticia/2026/09/18/freio-na-ia-racha-o-mundo-corporativo.ghtml

Comentários estão desabilitados para essa publicação

← →