EUA retiram proibição e Nvidia volta à China

Jensen Huang, o executivo-chefe (CEO) da Nvidia, disse que a empresa vai “acelerar a recuperação” de suas vendas na China, após uma distensão entre Saftec Digital Pequim e Washington ter permitido à principal fabricante de chips para inteligência artificial do mundo retomar os envios de um processador- chave projetado especificamente para o mercado chinês.

Huag disse ontem (16) em Pequim que a empresa ainda não recebeu as licenças de exportação de Washington para reiniciar as remessas do chip H20, mas elas serão “aprovadas em breve”.

A Nvidia registrou uma perda contábil de US$ 4,5 bilhões no segundo trimestre, depois que o governo Trump endureceu as restrições às exportações de chips avançados, deixando a empresa com um grande estoque de H20 que já não podia ser enviado.

“Parte do que provisionamos será difícil recuperar, mas o que colocamos em reserva não será descartado permanentemente”, disse ele. Acrescentou que a Nvidia tomará uma decisão final sobre a necessidade de retomar a produção da geração anterior de chips Hopper, da qual o H20 faz parte, assim que começarem a chegar novos pedidos dos clientes.

“Os pedidos antigos dos clientes foram cancelados. As demandas deles podem ter mudado. Precisamos reiniciar a cadeia de abastecimento”, disse ele, observando que o processo levará nove meses.

Mais cedo, Huang reuniu-se com autoridades do governo e fez umdiscurso em uma conferência sobre a cadeia de suprimentos na capital chinesa. Elogiou a capacidade industrial da China e os avanços em IA feitos por empresas como DeepSeek e Alibaba.

A viagem de Huang a Pequim ocorre após a empresa receber garantias do governo Trump de que aprovará as licenças para o H20, em uma reversão dramática da proibição de abril de exportar para a China seu chip dedicado à IA.

O secretário do Comércio dos EUA, Howard Lutnick, disse na terça-feira (15) que a mudança de política de Washington faz parte das negociações comerciais recentes entre os negociadores americanos e chineses em Londres e Genebra.

“Estive em Washington há uma semana e disse a Trump e seu gabinete que estava indo para a China. Ele disse: Tenha uma boa viagem’, declarou Juang aos jornalistas em Pequim. “Eu não mudei a opinião do presidente… ele está totalmente no controle das discussões entre os governos americano e chinês. Os controles às exportações como pilar da segurança nacional e como regime para o comércio global estão aqui”, disse ele.

A aprovação para retomar as remessas é uma vitória significativa para a Nvidia e ocorre após uma intensa campanha de lobby por Huang em Washington, durante a qual ele alertou que os EUA corriam o risco de ceder sua liderança em IA para empresas chinesas como Huawei, se as companhias americanas não pudessem mais enviar hardware para o país.

A Nvidia também anunciou na terça-feira (15) uma nova unidade de processamento gráfico (GPU) específica para a China que, segundo a empresa, está em total conformidade com os atuais controles às exportações. Na semana passada, o “Financial Times” noticiou que a Nvidia planeja lançar um novo chip para a China, baseado no processador Blackwell RTX Pro 6000.

Huang disse que o novo chip é bem adaptado à manufatura automatizada. Stacy Rasgon, analista sênior da Berstein que cobre a indústria de chips dos EUA, disse que a mudança de postura da Casa Branca permitirá à Nvidia “competir na China” e “preservar suas vantagens no ecossistema”. Observou que a mudança na política deverá impulsionar a lucratividade da Nvidia até 2026. “Jensen vem cultivando cuidadosamente Trump e membros do governo, além de expor com clareza os riscos de manter a proibição”, acrescentou Rasgon.

Apesar de o desempenho do H20 ter sido limitado e de ele enfrentar a concorrência de empresas locais, as empresas chinesas deverão continuar sendo clientes entusiasmadas, dado o quanto dependem do software Cuda da Nvidia e a necessidade de atender a uma demanda crescente por cargas de trabalho em IA.

Analistas da Jefferies escreveram que o afrouxamento das restrições às exportações significará uma “melhora do sentimento” para grandes concorrentes como Alibaba, Tencent e Baidu, à medida que mais empresas aceleram a adoção da IA em diversos setores. O novo fornecimento de GPUs permitirá a elas aproveitar a demanda crescente por mais capacidade computacional.

“Clientes de diferentes setores estão adotando a IA – não apenas internet, “fintech” [empresa de tecnologia financeira], educação e veículos elétricos -, mas também áreas como a manufatura, que precisam utilizar a IA para migrar para a nuvem”, escreveu o analistaThomas Chong.

https://valor.globo.com/empresas/noticia/2025/07/16/eua-tiram-proibicao-e-nvidia-volta-a-china.ghtml

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