A chegada ao mercado brasileiro da nova geração da televisão digital, chamada de TV 3.0 ou DTV+, ampliará a relevância da TV aberta em um ambiente de maior disputa pela atenção do consumidor entre múltiplas telas. A opinião é dos executivos dos principais grupos de radiofusão brasileiros que participaram da abertura do evento SET Expo 2025, promovido pela Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão (SET) em São Paulo, nesta terça-feira (29).
O decreto que regulamenta a TV 3.0 deve ser assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na próxima quarta-feira, dia 27, em Brasília.
“Tomamos como desafio desenvolver esse novo padrão de televisão, a TV 3.0 ou DTV+, algo que é pioneiro no mundo também. São poucos países e emissoras que abraçaram a causa da forma como estamos abraçando aqui no Brasil’, disse o diretor-presidente da Globo, Paulo Marinho, durante o painel “Visão dos CEOs: o futuro da mídia”
A nova tecnologia de TV interativa permitirá a convergência dos sinais de televisão e internet nos aparelhos de TV. O usuário poderá alternar entre programas de TV aberta e via internet, como se estivesse em um único ambiente.
“É um momento muito importante de um alinhamento e de manutenção do pioneirismo da radiodifusão brasileira, especialmente das emissoras ui representadas”‘, disse Marinho ao lado dos CEOs do Grupo Bandeirantes, Claudio Luiz Giordani, do SBT, Daniela Beyruti, e da Record TV, Marcus Vinicius Vieira, no painel moderado pelo jornalista Guilherme Ravache, colunista do Valor.
“Quando a gente saiu do [sinal de TV] analógico para o digital, cada um de nós estava trabalhando individualmente nessa transição”, afirmou a executiva-chefe do SBT. “Desta vez, desde o início, estamos trabalhando juntos. Provavelmente, vai ser mais rápida a transição desta vez do que foi a transição do [sinal] analógico para o digital”
Esse movimento também é uma fortaleza diante do avanço da concorrência das mídias digitais, comentaram os executivos. “Antigamente estávamos acostumados a competir entre nós. Hoje em dia, essa competição se ampliou, se acirrou pela busca da atenção do consumidor”, disse Marinho.
O diretor-presidente da Globo afirmou que o setor “não quer negar a concorrência” de outras mídias, mas se preparar para que a TV aberta mantenha “extrema relevância no país”. Marinho lembrou que a TV aberta “é um meio que desenvolveu, ao longo de sua história, uma relação muito próxima com a audiência brasileira.”
A competição se ampliou, se acirrou pela busca da atenção do consumidor” — Paulo Marinho
O salto tecnológico da nova geração da televisão digital abre mais possibilidades ao setor de oferecer métricas de audiência e segmentação de campanhas, bem como de padronização de resultados entre diferentes meios. “Há uma necessidade fundamental e presente de comparar as mesmas métricas”. “, observou Marinho.
Para Vieira, da Record, a nova geração da TV aberta abre o leque de métricas de audiência. “Com essa integração, a nossa medição de audiência, que já é uma medição de audiência qualificada, se qualifica ainda mais”, afirmou.
Outro ponto levantado pelos executivos foram os investimentos em infraestrutura necessários para colocar a TV 3.0 no ar, em todo o país.
“Esse caminho para a TV 3.0 vai ser longo, exigir custos e demandar investimentos”, afirmou Giordani, do Grupo Bandeirantes. “É importante que o governo subsidie de alguma forma para isso chegar rapidamente na ponta, principalmente nas menores cidades onde a única forma de entretenimento é a TV aberta”, comentou.
Perguntado pelo Valor sobre os planos do governo de apoiar o investimento em infraestrutura para a expansão da TV 3.0 no país, o ministro das Comunicações, Frederico Siqueira Filho, presente no evento SET Expo, respondeu que “existe uma demanda do setor e que o governo está trabalhando para buscar soluções alternativas para isso.”
