Milhões de pessoas em Taiwan foram obrigadas a ficar em casa e a velocidade da internet móvel foi reduzida por 30 minutos nesta quinta-feira, 13, durante uma simulação de um ataque chinês à ilha.
O exercício fez parte do programa militar anual “Han Kuang” de Taiwan, que visa preparar a ilha de 23 milhões de habitantes para uma possível invasão chinesa.
Às 14h30, pelo horário local, sirenes estrondosas soaram por toda a capital Taipei, fazendo com que as pessoas se refugiassem em estacionamentos subterrâneos, estações de metrô, shoppings e prédios comerciais no simulado anual de ataque aéreo.
O exercício deste ano também incluiu, pela primeira vez, uma redução na velocidade da internet móvel, interrompendo brevemente o acesso a aplicativos de mensagens, videochamadas, transmissões ao vivo e serviços de entrega de comida durante hipotéticos ataques aéreos chineses à infraestrutura de comunicações.
“Eu acho que quando você não consegue entrar em contato com as pessoas… outras pessoas podem se preocupar comigo, e eu também me preocupo com elas”, disse Ashley Hou, uma estudante de pós-graduação de 23 anos, à AFP em um túnel subterrâneo para pedestres. “Isso faz você pensar em como lidaria com a situação se (emergências) acontecessem de verdade.”
Hospital subterrâneo
Durante os exercícios Han Kuang, com duração de 10 dias e que terminam nesta sexta-feira, 14, as forças armadas de Taiwan simularam cenários de combate para que suas tropas e reservistas praticassem a resposta a um ataque chinês.
Na quarta-feira, 12, navios da Guarda Costeira e da Marinha realizaram um exercício conjunto para escoltar uma embarcação durante uma simulação de bloqueio chinês em águas a leste da ilha.
Um exercício realizado nesta quinta-feira no estacionamento subterrâneo de um hospital perto de Taipé demonstrou como seriam as instalações médicas em tempos de guerra.
“Se eu representar o papel de um paciente e realmente vivenciar e compreender a situação, acho que isso pode me ajudar em algumas das minhas respostas a emergências no futuro”, disse à AFP o funcionário do hospital Gary Chen, de 39 anos, enquanto estava deitado em uma cama de unidade de terapia intensiva (UTI) fingindo estar em estado crítico.
Taiwan condenou o plano da China de realizar um exercício naval com a Indonésia na costa leste da ilha democrática, afirmando que Pequim busca criar a “falsa impressão” de que tem jurisdição sobre a área.
A China afirma que Taiwan faz parte de seu território e insiste que tem autoridade sobre as águas que circundam a ilha, o que Taipei rejeita.
O Ministério da Defesa chinês informou na terça-feira, 11, que um de seus navios de guerra e uma fragata indonésia realizarão um “exercício de passagem” a leste de Taiwan em meados de agosto para “aprimorar as capacidades operacionais conjuntas das duas marinhas” e “salvaguardar conjuntamente a paz e a estabilidade regional”.
O principal órgão de política externa de Taiwan em relação à China reagiu, na noite de terça-feira, afirmando que “condena veementemente a provocação militar do PCC”, referindo-se ao Partido Comunista Chinês.
“Esta medida visa, na realidade… criar a falsa impressão na comunidade internacional de que o PCC tem jurisdição sobre as águas a leste de Taiwan e infringir flagrantemente nossa soberania nacional, nossos direitos e interesses marítimos”, afirmou o Conselho de Assuntos Continentais de Taiwan em um comunicado.
O anúncio da China surge no momento em que Taiwan realiza seus maiores exercícios militares do ano, com o objetivo de preparar sua população para uma possível invasão chinesa.
Pequim mobiliza navios de guerra, caças e embarcações da guarda costeira ao redor de Taiwan quase diariamente para afirmar sua reivindicação de soberania.
Em junho, navios chineses começaram a patrulhar uma área do Pacífico Ocidental perto da costa leste de Taiwan, o que Taipei classificou como “provocativo” e “expansionismo disfarçado”.
Com informações da AFP
