A China está fabricando e instalando robôs industriais em um ritmo muito maior do que qualquer outro país, com os Estados Unidos em um distante terceiro lugar, fortalecendo ainda mais seu papel global já dominante na indústria manufatureira.
Havia mais de dois milhões de robôs trabalhando em fábricas chinesas no ano passado, de acordo com um relatório divulgado na quinta-feira, 25, pela Federação Internacional de Robótica, um grupo comercial sem fins lucrativos para fabricantes de robôs industriais.
As fábricas na China instalaram quase 300 mil novos robôs no ano passado, mais do que o resto do mundo junto, segundo o relatório. As fábricas americanas instalaram 34 mil.
Embora as fábricas chinesas tenham usado mais robôs, elas também melhoraram na fabricação deles. O governo tem usado capital público e diretrizes políticas para estimular as empresas chinesas a se tornarem líderes em robótica e outras tecnologias avançadas, como semicondutores e inteligência artificial (IA).
Em todo o mundo, os robôs e a inteligência artificial estão desempenhando um papel cada vez maior e mais impactante na manufatura. Os robôs industriais variam de máquinas que soldam peças de automóveis a garras que levantam caixas em correias transportadoras. À medida que a tecnologia ajuda as fábricas a se tornarem mais eficientes, algumas estão se contentando com menos trabalhadores e alterando as funções dos demais.
Na última década, a China embarcou em uma ampla campanha para usar mais robôs em suas fábricas, tornar-se uma grande fabricante de robôs e combinar a indústria com os avanços em inteligência artificial.
As empresas chinesas se beneficiaram de um impulso nacional que reflete o crescimento das indústrias de veículos elétricos e inteligência artificial do país, disse Lian Jye Su, analista-chefe da Omdia, uma empresa de pesquisa tecnológica.
“Isso não é uma coincidência”, disse Su. “Foram necessários muitos anos de investimento por parte das empresas chinesas.”
O impulso da China para a automação fabril tem sido uma parte fundamental para alcançar sua posição como potência mundial na indústria manufatureira. As fábricas na China instalaram mais de 150 mil robôs por ano desde 2017. Ao mesmo tempo, a produção industrial disparou. No início deste ano, as fábricas na China produziam quase um terço de todos os produtos manufaturados em todo o mundo, mais do que os Estados Unidos, Alemanha, Japão, Coreia do Sul e Grã-Bretanha juntos.
As instalações de robôs caíram no ano passado, em comparação com o ano anterior, nos quatro maiores países usuários de robôs industriais: Japão, Estados Unidos, Coreia do Sul e Alemanha. O Japão instalou 44 mil.
Em 2015, Pequim tornou uma prioridade para a China se tornar globalmente competitiva em robótica como parte de sua campanha Made in China 2025 para importar menos produtos manufaturados avançados.
As indústrias receberam acesso quase ilimitado a empréstimos de bancos controlados pelo Estado a taxas de juros baixas, bem como ajuda na compra de concorrentes estrangeiros, injeções diretas de dinheiro do governo e outras formas de assistência. E em 2021, o governo emitiu uma estratégia nacional detalhada para a implantação expandida de robôs.
“Você pode ver como essa estratégia funcionou bem; sem uma estratégia, um país está sempre em desvantagem”, disse Susanne Bieller, secretária-geral da federação de robótica.
A participação da China na fabricação mundial de robôs aumentou no ano passado para um terço da oferta global, ante um quarto em 2023, segundo a federação. O Japão, líder anterior, caiu para 29% do mercado mundial, ante 38% no ano anterior.
Até o ano passado, a China instalava mais robôs importados em suas fábricas do que os fabricados no país. Mas, no ano passado, quase três quintos dos robôs instalados na China também foram fabricados no país.
No total, a China tem cinco vezes mais robôs trabalhando em suas fábricas do que os Estados Unidos.
Os dados da federação não incluem robôs humanóides, máquinas com duas pernas que ainda se encontram em grande parte em fase experimental. Mas o apoio do governo levou a um boom de startups que fabricam robôs humanóides e a um ecossistema de empresas que fabricam componentes especializados para robôs, como articulações motorizadas.
A startup de robôs humanóides Unitree Robotics, com sede no centro tecnológico de Hangzhou, anunciou no início deste mês que planeja abrir o capital até o final do ano. Os robôs humanóides básicos mais recentes da Unitree custam cerca de US$ 6 mil na China, uma fração do preço dos robôs fabricados pela Boston Dynamics, empresa americana líder no setor.
Ainda assim, as empresas chinesas estão atrás dos concorrentes estrangeiros em sua capacidade de fabricar alguns componentes essenciais usados em robôs humanóides, incluindo alguns sensores e semicondutores, disse Su, da Omdia.
As versões superiores de muitos componentes ainda são fabricadas em países com longa liderança na fabricação de robôs, como Alemanha e Japão, disse ele.
“Se você fosse montar um robô humanoide realmente de primeira linha, ele seria quase totalmente fabricado fora da China”, disse Su. “Talvez tivesse um ou dois componentes chineses, mas, em geral, todo o sistema seria muito internacional.”
Mas quando se trata de robôs industriais, a China tem várias vantagens. A China tem um grande número de eletricistas qualificados e programadores de computador especializados que podem instalar robôs. No entanto, mesmo a China tem enfrentado alguma escassez de especialistas em instalação de robôs, com salários que chegam a quase US$ 60 mil por ano.
Além disso, a China tem uma indústria de inteligência artificial fortemente focada no uso da nova tecnologia para rastrear e melhorar todos os aspectos do desempenho dos equipamentos industriais.
As empresas na China “estão usando IA para analisar e dizer quais máquinas estão funcionando bem e quais estão um pouco abaixo do esperado”, disse Cameron Johnson, consultor de cadeia de suprimentos em Xangai especializado em automação. Fora da China, acrescentou ele, “as pessoas não estão vendo isso como uma ferramenta de fabricação, pelo menos não ainda, e não da mesma forma que os chineses”.
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