EUA estão perto de retomar nível do PIB pré-pandemia

Em algum momento daqui a um ou dois meses, a economia dos EUA voltará a ter o tamanho que tinha antes do começo da crise da covid-19. Nos três primeiro meses do ano, o crescimento econômico recebeu um empurrão do enorme estímulo fiscal que alimentou os gastos do consumidor, e também do afrouxamento das medidas de isolamento social. 

O PIB americano avançou a uma taxa anualizada de 6,4% no primeiro trimestre, informou ontem o Departamento do Comércio. Isso superou as expectativas dos economistas, que esperavam uma taxa de 6,1%. Trata-se do maior crescimento em um primeiro trimestre desde 1984. 

A produção econômica avançou 1,6% em relação ao quarto trimestre, após crescer 1,1% no último trimestre de 2020. Isso indica uma aceleração da recuperação americana, com o PIB agora apenas 0,9% abaixo do patamar do quarto trimestre de 2019, antes do começo da crise. 

O desempenho econômico dos EUA é ainda mais extraordinário se comparado com o da China, que vem perdendo impulso após um ano de pandemia. Embora a taxa anual do PIB da China no primeiro trimestre tenha sido recorde, com crescimento de 18,3%, na comparação com o quarto trimestre de 2020 a expansão foi de apenas 0,6%, bem abaixo da dos EUA e historicamente baixa pelos padrões chineses. 

As perspectivas para os próximos trimestres para as duas maiores economias do mundo também são divergentes. Como a economia da China já retornou aos níveis pré-pandemia no ano passado, o crescimento dos próximos trimestres será mais modesto, enquanto que nos EUA os primeiros dados de abril apontam para uma forte expansão no segundo trimestre.  

Economistas consultados pela IHS Markit preveem um crescimento de 8,3% do PIB americano no segundo trimestre (anualizado), que se traduz em uma expansão de 2% em termos anuais. Isso significa que a economia dos EUA em breve estará acima da marca do quarto trimestre de 2019. 

Outras estimativas apontam que o crescimento neste segundo trimestre poderá chegar a um número anualizado de 10% ou mais. Um grande motivo da melhora das expectativas são os gastos federais recorde que deverão dar impulso à economia. Um pacote de US$ 1,9 trilhão que o presidente Joe Biden conseguiu aprovar no Congresso em março, forneceu – entre outras ajudas – pagamentos de US$ 1.400 para a maior parte dos adultos. Além disso, Biden está propondo dois enormes planos adicionais de gastos: um pacote de infraestrutura de US$ 2,3 trilhões e outro de US$ 1,8 trilhão de investimentos em educação, famílias e crianças, que o presidente promoveu na noite de quarta-feira em seu primeiro pronunciamento em uma sessão conjunta do Congresso. 

Outros dados divulgados ontem reforçam as expectativas positivas para a economia dos EUA. O número de pessoas que entraram com pedido de seguro-desemprego – um reflexo aproximado das demissões – na semana passada atingiu o nível mais baixo desde o início da pandemia. E a Associação Nacional dos Corretores de Imóveis disse que mais americanos compraram casas em março, num reflexo da força do mercado imobiliário residencial. 

Em março, os empregadores americanos criaram 916 mil empregos – o maior número de contratações desde agosto. Enquanto isso, os gastos no varejo aumentaram significativamente, a produção industrial está em alta e a confiança do consumidor alcançou seu mais alto nível desde que a pandemia começou. 

“Estamos vendo todos os motores da economia acelerando”, disse Gregory Daco, economista-chefe da consultoria Oxford Economics. “O cenário da saúde está melhorando, os estímulos fiscais continuam abundantes e começamos a ver uma retomada dos empregos.” 

A força renovada dos EUA – a maior economia do mundo – está ajudando a tirar o mundo desenvolvido da recessão. Na Europa, por exemplo, a recuperação tem sido mais lenta porque a ajuda governamental tem sido menor e vacinação lenta prolongou os “lockdowns”. Economistas do Berengerg Bank estimam que os 19 países que adotam o euro como moeda tiveram contração em suas economias no primeiro trimestre. 

Os consumidores americanos gastaram profusamente em bens de consumo com a reabertura da economia, aproveitando os cheques de estímulo e suas poupanças. Os gastos com consumo pessoal cresceram a uma taxa anualizada de 10,7%. No entanto, Ian Lyngen, diretor de estratégia de juros dos EUA na BMO Capital Markets, observou que os gastos com serviços pouco mudaram. 

“Isso deixa aberta a possibilidade de um segundo trimestre vigoroso, uma vez que a reabertura vai atiçar o consumo no setor de serviços, mas ao mesmo tempo reforça a preocupação de que só afrouxar as medidas de distanciamento social não será suficiente para fazer os consumidores voltarem para o comércio presencial”, disse ele. 

https://valor.globo.com/mundo/noticia/2021/04/30/eua-estao-perto-de-retomar-nivel-do-pib-pre-pandemia.ghtml

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