EUA e UE se preparam para endurecer relação com China

Estados Unidos e Europa estudam medidas comerciais, políticas e militares que devem esfriar as relações já abaladas com a China. O governo americano avalia a possibilidade de adotar sanções contra Pequim para tentar inibir uma possível ação militar chinesa contra Taiwan, disseram fontes sob a condição de anonimato.

Além disso, o Senado americano deve votar hoje uma ampliação significativa da ajuda militar a Taiwan. E a Alemanha prepara um pacote de medidas para reduzir a dependência de produtos chineses a acabar com a “ingenuidade” no comércio com Pequim.

As fontes disseram que tanto as deliberações em Washington quanto os debates na Europa – em discussões separadas e acompanhadas de perto pelo lobby de enviados de Taipé – ainda estão em estágio inicial. A ofensiva diplomática-comercial seria uma resposta aos temores de uma invasão chinesa, um receio que cresce à medida que as tensões militares aume

.Nos dois casos, a ideia é aplicar sanções além das medidas já tomadas pelo Ocidente para restringir comércio e investimento com a China em tecnologias sensíveis como chips de computador e equipamentos de telecomunicações. As fontes não deram detalhes sobre o que exatamente está sendo discutido, mas a noção de sanções à segunda maior economia do mundo e um dos maiores elos da cadeia de suprimentos global levanta questões de viabilidade. 

“A possível imposição de sanções à China é uma ação muito mais complexa do que sanções à Rússia, dado o extenso envolvimento dos EUA e aliados com a economia chinesa”, disse Nazak Nikakhtar, ex-funcionário do Departamento de Comércio dos EUA. 

A China reivindica a soberania de Taiwan, que considera uma província rebelde. Em agosto, Pequim disparou mísseis através do espaço aéreo da ilha e pôs navios de guerra em sua fronteira marítima não oficial depois que a presidente da Câmara dos Deputados dos EUA, Nancy Pelosi, visitou Taipé – um ato que Pequim viu como uma provocação. 

O projeto de lei que o Senado dos EUA deve votar hoje consiste em destinar US$ 4,5 bilhões em armas para Taiwan ao longo de quatro anos, de acordo com o jornal “Financial Times” – numa mostra da disposição de Washington de dissuadir ataques à ilha. 

Na Alemanha, o ministro das Finanças, Robert Habeck, defendeu a necessidade de seu país se abrir para novos parceiros comerciais como forma de reduzir a dependência que muitos setores da economia têm em relação à China. Ele afirmou que o governo alemão está redesenhando uma nova política comercial com a China para reduzir a dependência de matérias-primas, baterias e semicondutores chineses e prometeu abandonar a “ingenuidade nas negociações comerciais” com Pequim. 

Na semana passada, fontes informaram que Berlim estava planejando uma série de novas medidas para tornar os negócios com a China menos atraentes. 

Habeck acrescentou que a Alemanha não pode permitir que o protecionismo de Pequim distorça a concorrência e que as críticas a violações de direitos humanos sejam limitadas pela ameaça de perder negócios. “Não podemos nos permitir ser chantageados”, disse. 

As críticas à política de Pequim para Taiwan e às violações de direitos humanos contra minorias uigures em Xinjiang têm se itensificado na Europa. Na semana passada, ao atacar o que qualificou de “amizade especial entre China e Rússia”, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, adotou um duro posicionamento contra Pequim, comparando a dependência da Europa da China com a do gás russo. “Não devemos substituir as antigas dependências por novas”, disse. “Portanto, devemos garantir que o acesso a essas commodities não seja usado para nos chantagear”, acrescentou. 

Por meio do jornal estatal “China Dauly”, o regime chinês qualificou o discurso da líder europeia de mentiroso, acusando-a de estar empenhada em “desencadear uma nova Guerra Fria e construir um muro para dividir o mundo”. 

https://valor.globo.com/mundo/noticia/2022/09/14/eua-e-ue-se-preparam-para-endurecer-relacao-com-china.ghtml

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