A Coreia do Norte realizou seu primeiro teste de míssil balístico em cinco meses, segundo o Exército da Coreia do Sul. O lançamento ocorreu poucos dias antes da chegada do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e de outros líderes mundiais ao país sul-coreano para uma conferência regional.
De acordo com o Estado-Maior Conjunto sul-coreano, o projétil foi lançado em direção ao leste, mas ainda não há detalhes sobre a distância percorrida ou o local exato da queda.
A Coreia do Norte costuma realizar testes desse tipo em áreas marítimas entre a Península Coreana e o Japão, sem causar danos aos países vizinhos. Desta vez, o comunicado militar informou apenas que o míssil caiu nas águas da região.
O lançamento ocorre às vésperas da Conferência Econômica da Ásia-Pacífico (APEC), que será sediada pela Coreia do Sul e tem como objetivo promover a integração econômica e o comércio na região.
A expectativa era de que Trump viajasse a Gyeongju antes do encontro para realizar reuniões bilaterais com líderes como o presidente chinês Xi Jinping e o sul-coreano Lee Jae Myung, mas autoridades sul-coreanas afirmaram que o norte-americano provavelmente não participará da cúpula principal, marcada para os dias 30 de outubro a 1º de novembro.
Especialistas afirmam que a Coreia do Norte costuma realizar lançamentos provocativos antes de eventos internacionais para reafirmar seu status de potência nuclear. Segundo analistas, Kim Jong-un busca usar esses testes como instrumento de pressão para que a ONU suspenda as sanções econômicas impostas ao país.
O teste desta quarta-feira é o primeiro lançamento balístico desde 8 de maio, quando a Coreia do Norte testou sistemas de curto alcance que simulavam contragolpes nucleares contra as forças dos Estados Unidos e da Coreia do Sul. Também é o primeiro teste do tipo desde que Lee Jae Myung assumiu a presidência sul-coreana, em junho, prometendo buscar a restauração da paz na Península Coreana.
Desde o fracasso das negociações com Trump, em 2019, Kim intensificou significativamente o ritmo dos testes armamentistas. No mês passado, o líder norte-coreano indicou estar aberto a retomar o diálogo desde que os EUA abandonem a exigência de desnuclearização completa do país, condição que ele considera inaceitável.
No início deste mês, Kim apresentou um novo míssil balístico intercontinental (ICBM) em um desfile militar em Pyongyang, realizado para celebrar os 80 anos do Partido dos Trabalhadores. O evento contou com a presença de autoridades chinesas e russas e destacou tanto o avanço militar quanto a crescente inserção diplomática de Kim.
De acordo com a mídia estatal norte-coreana, o míssil exibido, identificado como Hwasong-20, seria o “sistema de arma estratégica nuclear mais poderoso” do país, projetado para transportar múltiplas ogivas nucleares e superar os sistemas de defesa antimísseis dos EUA. Observadores acreditam que o regime pode testar o ICBM nos próximos meses.
Kim Jong Un também reforçou recentemente sua posição no cenário internacional ao dividir o palco com Xi Jinping e Vladimir Putin em um desfile militar em Pequim. Tanto Trump quanto Lee Jae Myung expressaram interesse em se reunir novamente com o líder norte-coreano, enquanto Pyongyang continua a exibir sua capacidade nuclear como ferramenta de pressão diplomática. /Com informações da AP e AFP
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