O presidente da Ucrânia, Volodmir Zelenski, celebrou as sanções anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra a indústria petrolífera russa. Um dia depois do anúncio de Trump, a União Europeia (UE) anunciou uma nova bagatela de sanções. Oficiais de Moscou menosprezaram as medidas do Ocidente, alegando que elas são ineficazes.
As sanções pretendem ser parte de um esforço ampliado para cortar a receita e os suprimentos que alimentam a guerra de Putin contra Kiev. Os aliados da Ucrânia, esperam que as sanções possam levar Putin à mesa de negociação.
“Esperávamos por isso. Deus abençoe, que funcione. Isso é muito importante”, disse o líder ucraniano em Bruxelas, onde os países da UE, durante uma cúpula, anunciaram a última rodada de sanções à Rússia.
Apesar dos esforços de paz liderados pelos EUA nos últimos meses, a guerra não mostra sinais de terminar após mais de três anos de combates, e líderes europeus estão cada vez mais preocupados com a ameaça da Rússia às suas próprias fronteiras.
Kiev e Moscou travam uma guerra lenta e devastadora de desgaste ao longo de uma linha de frente de aproximadamente 1.000 quilômetros que passa pelo leste e sul da Ucrânia. Quase todos os dias, ataques russos de longo alcance têm como alvo a rede elétrica da Ucrânia antes do rigoroso inverno, enquanto as forças ucranianas têm visado refinarias de petróleo russas e fábricas de manufatura.
Petróleo
A receita energética é o pilar da economia da Rússia, permitindo que Putin invista dinheiro nas Forças Armadas sem piorar a inflação e evitando o colapso da moeda.
As medidas da UE visam especialmente o petróleo e gás russos. Elas proíbem a importação de gás natural liquefeito russo para o bloco, e adicionam proibições de porto para mais de 100 novos navios na frota sombra russa de centenas de petroleiros envelhecidos que estão driblando as sanções. As últimas sanções elevam o número total de tais navios a ser proibido para 557.
As medidas também visam transações com uma criptomoeda crescentemente usada pela Rússia para contornar sanções; proíbem operações no bloco com cartões de pagamento e sistemas russos; restringem o fornecimento de serviços de inteligência artificial e de computação de alto desempenho a entidades russas; e ampliam uma proibição de exportação para incluir componentes eletrônicos, químicos e metais usados na fabricação militar.
Um novo sistema para limitar a movimentação de diplomatas russos dentro da União Europeia de 27 nações também será introduzido.
Zelenski instou mais nações a punirem a Rússia. “Isso é um bom sinal para outros países no mundo se juntarem às sanções”, ele disse a repórteres em Bruxelas.
Os preços internacionais do petróleo bruto saltaram mais de $2 por barril na quinta-feira com notícias das sanções adicionais.
Rússia minimiza sanções
A porta-voz do ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, descreveu as novas sanções dos EUA como “totalmente contraproducentes e contra uma solução negociada significativa para o conflito ucraniano.”
“Se o atual governo dos EUA seguir o exemplo de seus predecessores, que tentaram coagir ou forçar a Rússia a sacrificar seus interesses nacionais através de sanções ilegais, o resultado será exatamente o mesmo — desastroso do ponto de vista político interno e prejudicial à estabilidade da economia global”, disse Zakharova.
Mídias estatais e pró-Kremlin na Rússia praticamente ignoraram a notícia.
“Com pressão ou sem pressão, isso não vai tornar as coisas mais doces para Zelenski. E, além disso, não vai aproximar a paz,” disse o Komsomolskaya Pravda, um popular jornal pró-Kremlin. A agência de notícias estatal russa RIA Novosti afirmou em uma coluna que as novas sanções eram “dolorosas, como sempre, mas não letais. Também como sempre.”
A eficácia das sanções econômicas em fazer Putin negociar é questionável, dizem analistas. A economia da Rússia até agora provou ser resiliente, embora esteja mostrando sinais de tensão.
As sanções dos EUA contra os gigantes do petróleo russo, Rosneft e Lukoil, vieram após Trump dizer que seu plano para uma reunião com Putin em Budapeste, na Hungria, estava suspenso porque ele não queria que fosse uma “perda de tempo”.
Em uma aparente lembrança pública dos arsenais atômicos russos, Putin direcionou exercícios das forças nucleares estratégicas do país nesta quarta-feira./com AP
