Com saída de Starmer, Reino Unido terá sete primeiros-ministros em uma década

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, levou o Partido Trabalhista a uma vitória eleitoral expressiva há apenas dois anos, prometendo encerrar o período de instabilidade vivido sob os governos conservadores, que tiveram uma rápida sucessão de líderes no número 10 de Downing Street.

Agora, Starmer também anunciou sua renúncia, o que fará com que o Reino Unido tenha, em breve, seu sétimo primeiro-ministro em uma década. A alta rotatividade de líderes se tornou uma das marcas da política britânica na era pós-Brexit – média de duração de um ano e quatro meses no cargo.

Críticos afirmam que a troca frequente de primeiros-ministros enfraquece a representatividade democrática, e partidos de oposição costumam aproveitar esses momentos para defender a convocação de novas eleições gerais. No sistema parlamentar britânico, porém, a substituição do primeiro-ministro não exige novas eleições, já que os eleitores escolhem um partido para formar governo, e não diretamente o chefe de governo. Cabe ao partido definir quem ocupará o cargo.

2016: Referendo do Brexit derruba David Cameron

David Cameron, primeiro-ministro britânico entre 2010 e 2016, convocou um referendo sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia numa tentativa de preservar a unidade do Partido Conservador. Ele fez campanha pela permanência no bloco, mas, após a vitória da saída em 23 de junho de 2016, anunciou que deixaria o cargo.

2019: Negociações fracassadas encerram o governo Theresa May

A sucessora de Cameron, Theresa May, enfrentou dificuldades ao assumir a tarefa de conduzir a saída do Reino Unido da União Europeia.

Os eurocéticos mais radicais do Partido Conservador se rebelaram contra May, que defendia uma versão mais moderada do Brexit, mantendo o país mais próximo da órbita econômica europeia. Seu acordo foi rejeitado três vezes pelo Parlamento e, em maio de 2019, ela anunciou a renúncia.

2022: Escândalos derrubam Boris Johnson

Boris Johnson, ex-prefeito de Londres e um dos principais críticos de May, assumiu o cargo e conseguiu concluir as negociações para a saída britânica da União Europeia.

Mas Johnson, conhecido por seu estilo político expansivo, acabou derrubado por uma sucessão de escândalos. Entre eles, vieram à tona festas realizadas em Downing Street durante o período em que vigoravam restrições contra a covid-19 impostas pelo próprio governo.

2022: Liz Truss fica apenas seis semanas no cargo

Liz Truss sucedeu Johnson e entrou para a história como a primeira-ministra britânica com o mandato mais curto. Sua passagem pelo governo ficou marcada pela comparação, amplamente divulgada pela imprensa britânica, com uma cabeça de alface que teria sobrevivido politicamente mais tempo do que ela.

Seu plano de cortes de impostos sem fonte clara de financiamento provocou turbulência nos mercados financeiros. A libra esterlina caiu ao menor patamar já registrado frente ao dólar, e o Partido Conservador rapidamente retirou seu apoio à premiê.

2024: Rishi Sunak convoca eleições gerais

O sucessor de Truss, Rishi Sunak, tornou-se o primeiro primeiro-ministro britânico de ascendência indiana. Considerado mais competente e estável que sua antecessora, ele, no entanto, herdou o desgaste provocado pelos anos de turbulência conservadora.

Com a popularidade do partido em queda, Sunak acabou convocando eleições gerais após cerca de um ano e meio no cargo. O Partido Trabalhista, liderado por Starmer, venceu a disputa impulsionado pela insatisfação dos eleitores com os conservadores.

2026: Starmer deixa o cargo em meio à queda de popularidade

A vitória trabalhista, porém, não foi seguida por um período de estabilidade. Com a economia britânica ainda enfrentando dificuldades, Starmer passou a ser criticado por mudanças de rumo em políticas públicas e por aquilo que seus adversários descreviam como falta de carisma. Após derrotas expressivas do Partido Trabalhista nas eleições locais de maio de 2026, aumentou a pressão para que ele deixasse o cargo.

Quando Andy Burnham, popular prefeito da Grande Manchester, conquistou uma cadeira no Parlamento na semana passada com ampla vantagem, a saída de Starmer passou a ser considerada cada vez mais inevitável.

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