Autoridades dos EUA e do Irã negociam reunião

Representantes dos governos do Estados Unidos e do Irã devem se reunir em Istambul na sexta-feira, 6, para conversas com o objetivo de reduzir a escalada da crise entre seus países.

As conversas, segundo fontes diplomáticas do Oriente Médio, têm como objetivo reunir Steve Witkoff, enviado do presidente Trump para o Oriente Médio; Jared Kushner, genro de Trump; e Abbas Araghchi, ministro das Relações Exteriores do Irã. Também são esperadas as participações de altos funcionários da Turquia, do Catar e do Egito.

Os funcionários falaram sob condição de anonimato, pois não estavam autorizados a falar com jornalistas. Entre eles, havia um funcionário árabe, um funcionário regional, um alto funcionário iraniano e um ex-diplomata iraniano.

Autoridades da Casa Branca não responderam imediatamente a um pedido de comentário. Os planos para as negociações podem mudar.

Caso as negociações ocorram, elas representarão um raro encontro presencial entre autoridades americanas e iranianas em um momento em que as ameaças militares de Donald Trump e a recusa dos líderes iranianos em aceitar suas exigências levaram os dois países à beira da guerra, espalhando o medo por toda a região.

Nas últimas semanas, Trump ameaçou bombardear o Irã caso seus líderes, que no mês passado reprimiram protestos em massa com força letal, não cedessem às suas exigências. Essas exigências incluem o fim do programa nuclear iraniano, a aceitação de limites para seus mísseis balísticos e a suspensão do apoio a milícias aliadas no mundo árabe.

Até o momento, os líderes iranianos afirmaram que não negociarão enquanto estiverem sob ameaça, ao mesmo tempo que prometeram uma resposta dura a qualquer ataque americano.

As relações entre Trump e o Irã estão tensas desde seu primeiro mandato, quando ele retirou os Estados Unidos de um acordo internacional de 2015 que limitava o programa nuclear iraniano. E pioraram consideravelmente no último ano.

Em junho, os Estados Unidos se uniram a Israel no bombardeio de instalações nucleares iranianase alegaram ter prejudicado significativamente a capacidade do país de enriquecer urânio.

No mês passado, enquanto protestos antigovernamentais assolavam o Irã, Trump ameaçou intervir militarmente caso as forças de segurança iranianas usassem violência contra os manifestantes. O que aconteceu, causando a morte milhares de pessoas, segundo grupos de direitos humanos.

Ao apresentar suas exigências no mês passado, Trump prometeu usar a força caso o Irã se recusasse a aceitá-las. Ele levantou a possibilidade de uma mudança de regime no Irã e afirmou que o tempo estava se esgotando, sem, no entanto, estabelecer um prazo claro.

Ele anunciou que uma “armada” americana estava se deslocando em direção ao país “com grande poder, entusiasmo e propósito”. Dados de rastreamento de voos e imagens de satélite confirmaram que os Estados Unidos de fato expandiram sua presença militar na região.

As exigências de Trump visavam abordar preocupações antigas sobre a ameaça que o Irã e seus aliados representavam para as bases militares dos Estados Unidos e para parceiros próximos dos EUA, como Israel e a Arábia Saudita. Mas, embora muitos países do Oriente Médio também se opusessem às atividades regionais do Irã, poucos de seus vizinhos apoiaram a promessa de Trump de atacá-lo, temendo que tal medida pudesse desencadear uma guerra mais ampla.

“A resposta regional coordenada e sem precedentes não é tanto um endosso ao Irã, mas sim uma reação coletiva de repulsa à perspectiva de uma intervenção americana que desencadearia um caos que não se limitaria às fronteiras nacionais”, disse Ali Vaez, diretor para o Irã do International Crisis Group.

Nas últimas semanas, diplomatas da Turquia, Egito, Omã e Iraque têm conversado com os dois lados, transmitindo mensagens entre eles na esperança de evitar uma escalada do conflito. O primeiro-ministro do Catar esteve recentemente no Irã como parte dos esforços diplomáticos, disseram dois funcionários iranianos.

Segundo autoridades iranianas e uma autoridade americana, Araghchi e Witkoff estão se comunicando diretamente por mensagens de texto.

Para acalmar a situação, disseram os dois funcionários, o Irã está disposto a encerrar ou suspender seu programa nuclear, uma concessão importante. Mas preferiria uma proposta feita pelos Estados Unidos no ano passado, para criar um consórcio regional para produzir energia nuclear.

Os dois funcionários também disseram que o secretário do Conselho de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani, se reuniu nos últimos dias com o presidente da RússiaVladimir Putin, com uma mensagem do Líder Supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, de que o Irã poderia concordar em enviar seu urânio enriquecido para a Rússia, como fez sob o pacto de 2015.

Questionado sobre essa possibilidade, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, disse nesta segunda-feira, 2, que “o assunto está na agenda há muito tempo”, acrescentando que “a Rússia continua seus esforços e contatos com todas as partes interessadas”.

O Irã insiste que seu programa nuclear tem como objetivo produzir energia, não bombas, e Araghchi afirmou que o Irã permanece aberto a negociações.

“Nunca perdemos a oportunidade de defender os direitos do povo iraniano por meio da diplomacia”, disse ele a funcionários do Ministério das Relações Exteriores em um vídeo compartilhado nesta segunda-feira nas redes sociais.

Refletindo o esforço regional mais amplo, um dos funcionários regionais que confirmou a reunião planejada em Istambul sugeriu que os Emirados Árabes Unidos, Omã e Paquistão também poderiam participar. Autoridades desses países não confirmaram se foram convidadas ou se comparecerão.

https://www.estadao.com.br/internacional/autoridades-dos-eua-e-do-ira-negociam-reuniao-ameacas-de-trump-se-intensificam

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