UE discute garantias de segurança à Ucrânia após ameaças da Rússia

Líderes europeus estão reunidos hoje na França para discutir garantias de segurança à Ucrânia na guerra contra a Rússia. O encontro ocorre em meio a novos ataques e ameaças por parte de Vladimir Putin, que estagnaram as negociações de paz após a cúpula entre o líder russo e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Alasca.

Anfitrião do encontro, o presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou ontem, ao lado do líder ucraniano, Volodymyr Zelensky, que as garantias de segurança europeias estão prontas e serão colocadas em prática assim que houver um acordo de paz. No entanto, pouco progresso ocorreu nas negociações entre as partes desde que Trump foi recebido por Putin há quase um mês.

“Nós, os europeus, estamos prontos para oferecer garantias de segurança à Ucrânia e aos ucranianos no dia que [o acordo] de paz for assinado”, afirmou Macron. “A questão agora é saber a sinceridade da Rússia”.

O presidente francês acrescentou que as garantias que serão discutidas na cúpula são “extremamente confidenciais”, mas que os planos foram concluídos durante um encontro de ministros da defesa dos países envolvidos..

No fim de semana, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que os países do bloco estavam trabalhando em um plano para enviar soldados à Ucrânia no pós-guerra e contariam com total apoio dos recursos dos Estados Unidos.

No entanto, a declaração pegou de surpresa alguns dos aliados. “Essas são questões que não se discutem antes de você se sentar à mesa de negociações com as várias partes envolvidas”, criticou o ministro de Defesa da Alemanha, Boris Pistorius.

Ao lado de Macron, Zelensky afirmou não ver sinais de que a Rússia está disposta a encerrar a guerra. O presidente ucraniano pretende aproveitar a cúpula para cobrar uma nova pressão sobre o Kremlin, após as forças russas terem desferido um amplo ataque ao país ontem, atingindo principalmente a infraestrutura de transporte e de energia.

A ofensiva envolveu o uso de mais de 500 drones e outras dezenas de mísseis, atingindo alvos em 14 localidades. Ao menos quatro trabalhadores ferroviários ficaram feridos, segundo autoridades locais e militares.

Mais tarde, o Ministério da Defesa da Rússia disse que suas tropas haviam capturado cerca da metade da cidade de Kupiansk, no nordeste da província de Kharkiv. Kiev negou o avanço russo na região, que tem sido foco de intensos combates entre militares dos dois países nos últimos meses. A maior parte da cidade, que foi capturada pela Rússia no início da guerra em 2022 e depois recapturada pela Ucrânia, está destruída.

“Estes são claramente ataques demonstrativos da Rússia. É apenas devido à falta de pressão suficiente, principalmente sobre a economia de guerra da Rússia, que esta agressão contínua”, ‘, afirmou Zelensky no aplicativo Telegram.

Se o bom senso não prevalecer, teremos que resolver pela força das armas” — Vladimir Putin

Em Pequim, onde participou de uma parada militar (leia mais em China faz exibição de força em parada militar e envia recados a Trump), Putin voltou a fazer ameaças à Ucrânia e reiterou exigências que têm travado os diálogos. O líder russo sugeriu estar disposto a se encontrar com Zelensky em Moscou e disse haver uma chance de alcançar a paz com negociações, uma opção que ele afirmou preferir. No entanto, ressaltou estar pronto para encerrar a guerra por meio da força.

“Parece-me que, se o bom senso prevalecer, será possível chegar a um acordo sobre uma solução aceitável para acabar com este conflito”, disse ele. “Caso contrário, teremos que resolver todas as tarefas que temos pela frente pela força das armas”.

Trump deve conversar com os líderes europeus e Zelensky por telefone após a cúpula. Questionado ontem o receber na Casa Branca o novo presidente da Polônia, Karol Nawrocki, sobre como destravar as negociações para o fim da guerra na Ucrânia, Trump disse não ter nenhuma mensagem a enviar a Putin.

“Ele sabe qual é minha posição e tomará uma decisão, de um jeito ou de outro”. “Qualquer que seja a decisão dele, ficaremos felizes ou insatisfeitos. E se ficarmos insatisfeitos, vocês verão coisas acontecerem”, afirmou.

Quando jornalistas insistiram sobre que medidas seriam tomadas diante da falta de avanços, o republicano se irritou e citou as tarifas impostas pelos EUA à índia pela compra do petróleo russo. “Ainda não fiz a fase dois e nem a fase três”, afirmou ele, sem dar detalhes sobre seus planos.

Trump apenas sinalizou que poderia reforçar a presença militar americana na Polônia, onde cerca de 10 mil soldados americanos atuam em regime de rodízio. “Colocaremos mais lá se eles quiserem”, “, afirmou.

https://valor.globo.com/mundo/noticia/2025/09/04/ue-discute-garantias-de-seguranca-a-ucrania-apos-ameacas-da-russia.ghtml

Comentários estão desabilitados para essa publicação