Rússia faz mega-ataque, mata civis e aumenta crise energética na Ucrânia

A Rússia promoveu um dos mais intensos ataques com mísseis em sua guerra contra a Ucrânia na madrugada desta quarta-feira (7), deixando ao menos 25 mortos e agravando a crise energética do país invadido em 2022.

A ação mais mortífera ocorreu em Priluki, uma cidade no norte do país, a cerca de 150 km a leste de Kiev. Lá, um míssil atingiu em cheio um prédio residencial, matando ao menos 19 pessoas, incluindo 5 crianças, e ferindo outras 55.

Segundo o presidente Volodimir Zelenski, foram lançados 70 mísseis, a maioria balísticos, de mais difícil interceptação. “Um dos alvos principais foi nossa infraestrutura energética”, escreveu no Telegram, relatando outras seis mortes em Kiev e outras regiões.

Zelenski disse que houve uma interceptação maior dos 46 drones a jato que participaram do ataque para saturar defesas antiaéreas, passando de 50% para 80% o índice de abates em relação às ações das últimas semanas.

Ele não detalhou o motivo. Recentemente, a Ucrânia fechou um acordo com a Polônia, Bélgica e Espanha para o fornecimento de mais munição de 20 mm para seus caças F-16, mais capazes de interceptar os drones a jato.

O governo em Kiev segue sem mísseis de interceptação para seus sistemas Patriot em número suficiente para conter o assalto russo.

A Força Aérea estima serem necessários pelo menos mais 300 mísseis para as baterias para proteger a capital durante a temida campanha de inverno, que começa no fim de dezembro no Hemisfério Norte.

Este é o ano mais violento da guerra para civis desde o começo do conflito. De 1º a 24 de setembro, segundo o monitor americano Acled (Projeto de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos, no acrônimo em inglês), 15 pessoas morreram por dia, 80% delas na Ucrânia.

Os ataques continuaram pela manhã, com apagões registrados em diversas regiões ucranianas, e telas antidrone foram instaladas em pontes de Kiev, novo alvo dos russos. Já estavam previstos cortes preventivos de energia nesta quarta, inclusive na capital, mas a situação agora tornou-se emergencial.

Segundo monitores de inteligência militar, há a suspeita de que a Rússia atacará a seguir usinas termelétricas e ao menos uma hidroelétrica. “Este é o presente de aniversário dos generais russos para Vladimir Putin”, disse Zelenski.

O presidente russo, que está no poder desde 9 de agosto de 1999, completou 74 anos nesta quarta. Zelenski buscou também enviar seu presente, na forma de uma explosão no mar à frente de uma das cidades preferidas de Putin, o balneário de Sochi, no mar Negro.

Um drone aquático atingiu a embarcação na noite de terça (7), provocando um incêndio no mar visível a quilômetros de distância, com uma nuvem negra colossal. O mar Negro tem assistido a uma escalada de ataques, com um navio afundado e outros incendiados nesta semana.

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, cujo país domina a margem sul do mar, ligou nesta quarta para Putin e pediu para que a livre navegação na região seja garantida.

Os ucranianos seguem com sua campanha de ataques assimétricos com drones de longa distância e os poucos mísseis de cruzeiro dos quais dispõem. Na semana passada, Kiev usou pela primeira vez um modelo balístico, e Zelenski diz que está desenvolvendo uma variante com alcance para chegar a Moscou.

https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/10/russia-faz-mega-ataque-com-misseis-e-mata-19-na-ucrania.shtml

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