O primeiro-ministro da França, Sébastien Lecornu, sobreviveu nesta quinta-feira, 16, a duas moções de censura no Parlamento – uma da esquerda e outra da direita. A vitória dá fôlego ao presidente Emmanuel Macron, que ameaçou antecipar as eleições legislativas caso o governo fosse derrubado pelos parlamentares.
A monção de censura é um voto de desconfiança que a Assembleia Nacional faz contra o governo, no qual os deputados votam se o primeiro-ministro está apto a seguir no cargo. Para ser aprovada, ela precisa de uma maioria de 289 votos. Em caso de aprovação, o premiê é obrigado a renunciar.
Uma das moções enfrentadas por Lecornu foi apresentada pelo partido de esquerda radical França Insubmissa. Ela recebeu apoio de 271 parlamentares e ficou a apenas 18 votos da aprovação.
Já o outro voto de desconfiança foi apresentado pela líder da direita radical, Marine Le Pen, do partido Reagrupamento Nacional. No entanto, ela só conseguiu apoio de seu partido, do União da Direita pela República e de alguns legisladores, chegando a apenas 144 votos.
Lecornu chegou a renunciar em 6 de outubro, mas foi reconduzido ao cargo por Macron na semana passada. Agora, o primeiro-ministro tem o desafio de conseguir aprovar o orçamento do próximo ano em um Parlamento dividido.
A presidente da Assembleia Nacional, Yaël Braun-Pivet, apoiadora de Macron, disse que o resultado das moções a deixou “razoavelmente otimista” sobre as chances de construir consenso para o orçamento de 2026 no Parlamento, apesar de suas profundas divisões. “Tenho certeza de que há um caminho”, disse.
Para obter os votos que precisava para continuar no cargo, Lecornu falou sobre a possibilidade de reverter a reforma previdenciária de 2023 que aumentará gradualmente a idade de aposentadoria na França de 62 para 64 anos. A medida foi uma das principais – e mais impopulares – ações do segundo mandato de Macron. Esse argumento foi o responsável por convencer, pelo menos por enquanto, um grupo de 69 legisladores do Partido Socialista a não apoiarem a queda do premiê. Parte dos republicanos conservadores também não apoiou a queda de Lecornu.
A posição ainda frágil do primeiro-ministro pode desmoronar caso um dos dois grupos mude de rumo e passe a apoiar futuros votos de desconfiança, se não conseguirem o que querem nas negociações orçamentárias. / COM INFORMAÇÕES DA AP
