G-20, FMI e Banco Mundial prometem liquidez

Os ministros de Finanças e banqueiros centrais dos países do G-20 (grupo que reúne as maiores economias do mundo) concordaram em preparar uma estratégia comum para tirar a economia global da crise provocada pela pandemia da covid-19, durante reunião virtual ontem. 

O grupo também discutiu a possibilidade de oferecer linhas adicionais de swap de moedas entre todos seus membros na ocorrência de uma crise global de liquidez. O Valor apurou que o tema foi debatido na reunião virtual. 

Grandes BCs abriram linhas bilaterais de swap de moedas com países emergentes. O Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA) fez um swap de até US$ 60 bilhões com o Brasil. O BC brasileiro pode usar o dinheiro para o BC fornecer liquidez em dólares aos bancos, em operações compromissadas ou linhas de empréstimo. 

Na reunião virtual de ontem, Turquia, Argentina e alguns outros países pediram para que as linhas de swap fossem estendidas a todos os países do G-20. E que não só o Fed, mas também o Banco Central Europeu (BCE), o Banco do Povo da China (o BC chinês) e o Banco do Japão deveriam fazer o mesmo. 

Conforme fontes, isso é considerado importante para garantir os fluxos de capitais e pagamentos entre os países, para que não haja nenhuma interrupção que possa gerar riscos sistêmicos. 

Vários países falaram da importância de medidas coordenadas para estabilizar os mercados. Mas isso não significa que será uma medida do G-20, e sim que cada país adotará posições nessa direção para manter ao máximo o funcionamento da economia. 

Surgiram várias propostas para prover liquidez aos mercados, garantir recursos para a saúde e proteção aos mais vulneráveis. Também foram discutidos recursos extras para vacinas e testes. 

Na reunião, a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, apontou perspectivas pessimistas para a economia global, com uma recessão este ano igual ou pior do que a ocorrida durante a crise financeira de 2008- 09. Mas ela espera uma recuperação a partir de 2021. 

O FMI apoiou medidas fiscais extraordinárias adotadas por vários países e ações de BCs que flexibilizaram a política monetária. Mas avalia que “será necessário mais, em especial na área fiscal”. 

O Fundo calcula que os investidores já tiraram US$ 83 bilhões de mercados emergentes desde o começo da crise, a maior saída de capital até hoje registrada. E se mostra particularmente preocupado com a vulnerabilidade de países de baixa renda, com enormes dívidas. 

Quase 80 países já recorreram ao FMI em situação de emergência financeira. E a instituição, antecipando-se à cobrança de boa parte dos países, disse que está pronta a utilizar toda sua capacidade de financiamento de US$ 1 trilhão. 

Na mesma linha, o Banco Mundial disse ter US$ 150 bilhões para socorrer países em desenvolvimento nos próximos 15 meses. 

O ministro de Finanças da França, Bruno Le Maire, confirmou o “impacto econômico violento” da crise de saúde sobre o crescimento mundial. E sugeriu que o FMI e o Banco Mundial utilizem “muito rapidamente” recursos para aliviar problemas de liquidez em emergentes e países pobres. 

O ministro japonês de Finanças, Taro Aso, insistiu que o G-20 deve responder firmemente para atenuar o impacto do coronavírus sobre a economia, e enfatizou a necessidade de medidas fiscais. 

Para o secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, “a boa notícia é que há muito entendimento [dentro] do G-20 com banqueiros centrais e ministros de Finanças de que estamos todos preparados para tomar ações para apoiar nossas economias e coordená-las em nível global, conforme necessário”. Para ele, “este é um esforço da equipe para matar esse vírus e proporcionar alívio econômico”. 

A Arábia Saudita, na presidência rotativa do G-20, disse que o grupo concordou em preparar um plano de ação para apoiar a economia durante e após a crise provocada pela pandemia. 

https://valor.globo.com/mundo/noticia/2020/03/24/g-20-fmi-e-banco-mundial-prometem-liquidez.ghtml

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