Especialistas em clima e inovação tecnológica vencem Nobel de Economia

Os americanos William Nordhaus e Paul Romer receberam o Nobel de Economia deste ano por revelarem fatores que impulsionam o crescimento sustentável e o papel de políticas públicas na determinação de seu impacto.
Nordhaus, 77, pesquisador da Universidade Yale, foi reconhecido por seu estudo pioneiro sobre as consequências econômicas do aquecimento global. Já Romer, 62, ex-economista-chefe do Banco Mundial e professor da Universidade de Nova York, foi mencionado por investigar as condições que fomentam a inovação tecnológica.
“Os laureados ampliaram o escopo da análise econômica ao construir modelos que explicam como a economia de mercado interage com a natureza e o clima”, afirmou a Academia Real Sueca de Ciências
Ao analisar as causas e as consequências da inovação e das mudanças climáticas, os dois economistas ampliaram a compreensão sobre políticas que fomentam o desenvolvimento sustentável.
Em sua pesquisa, Romer foi além da proposição de que a evolução tecnológica fomentava o crescimento econômico, demonstrando como as condições de cada mercado também incentivavam ou freavam o ímpeto inovador.
“Até então, os economistas não tinham conseguido explicar de onde vinha a tecnologia, apesar de reconhecer sua importância. Ele demonstrou que a tecnologia era gerada pelo próprio crescimento, indicando uma retroalimentação entre os dois”, diz Jorge Arbache, secretário de relações internacionais do Ministério do Planejamento.
O modelo desenvolvido por Romer deu origem à chamada teoria do crescimento endógeno. A partir da sua formulação, o próprio pesquisador e outros estudiosos buscaram respostas sobre as políticas que estimulam boas ideias, como a regulamentação do uso de patentes e da competição e o subsídio bem desenhado à pesquisa científica.
“Tanto Romer quanto Nordhaus mostraram que políticas públicas bem desenhadas são sim importantes para fomentar o conhecimento e a inovação”, afirma Arbache.
Vinícius Müller, professor do Insper, concorda: “Eles tiraram um pouco o pé da visão exagerada de que qualquer participação do Estado distorce os incentivos à inovação”, diz Müller, que é doutor em história econômica.
Uma das questões levantadas pela pesquisa de Romer, segundo o acadêmico, refere-se aos limites ao crescimento no contexto da evolução tecnológica como causa e produto da expansão econômica simultaneamente.
“A conclusão é que um dos limites surge a partir dos desequilíbrios ambientais, justamente um dos focos da pesquisa do Nordhaus. Essa é uma interseção importante entre os trabalhos dos dois.”
Nordhaus começou seus estudos sobre a interação entre o clima e a economia nos anos 1970, desenvolvendo um modelo que indica como a relação ocorre na prática. Tornou-se um dos principais defensores da cobrança de um imposto sobre as emissões de gases que causam o efeito estufa, com o propósito de reduzi-las.
Além de sua linha de pesquisa ambiental, Nordhaus é conhecido por outras contribuições acadêmicas. Seu livro “Economia” –escrito em coautoria com Paul Samuelson, premiado com o Nobel em 1970– é até hoje referência no ensino da disciplina.
Além de sua linha de pesquisa ambiental, Romer ganhou notoriedade nos últimos anos por sua participação na vida pública. Em 2016, foi nomeado economista-chefe do Banco Mundial. Deixou o cargo no início deste ano após conflitos com funcionários do organismo multilateral.
Em entrevista, Romer ressaltou que o reconhecimento que Nordhaus e ele receberam com a premiação reforça que é possível reduzir as emissões de carbono mantendo o crescimento econômico e contribuindo para que melhores condições de vida sejam alcançadas.

https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/10/especialistas-em-clima-e-inovacao-tecnologica-vencem-nobel-de-economia.shtml

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