China reduz sobretaxas a produtos dos EUA

China anunciou redução de tarifas adicionais impostas desde o ano passado sobre produtos dos EUA. A medida é vista como uma iniciativa de Pequim para estimular a confiança no acordo comercial de Fase 1 mesmo em meio ao surto do coronavírus 

A China anunciou ontem que reduzirá pela metade tarifas adicionais cobradas sobre 1.717 produtos dos EUA desde 2019, na sequência da assinatura do acordo de Fase 1, que aliviou a intensa guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo. 

O anúncio é visto por analistas como uma iniciativa de Pequim para estimular a confiança em meio ao surto do coronavírus, que prejudicou as empresas e abalou o sentimento dos investidores. 

O que provoca dúvidas sobre as perspectivas imediatas, no entanto, é a hipótese, levantada em uma reportagem da mídia local, de que Pequim possa invocar uma cláusula do acordo comercial relativa a desastres, o que lhe permitiria evitar consequências se não conseguisse cumprir totalmente as metas de compras de bens e serviços americanos para 2020. Washington recebeu bem os cortes de tarifas e os classificou como um “grande passo na direção certa”. 

“Estamos monitorando o vírus”, disse o secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, à Fox Business Network. “Mas, com base nas informações atuais, não prevejo que eles terão problema para honrar seus compromissos.” Segundo ele, a crise na China deve fazer com que os EUA não atinjam o crescimento previsto de 3% neste ano. 

Em nota, o Ministério das Finanças chinês informou que, a partir do dia 14, as sobretaxas cobradas sobre alguns produtos cairão para 5%, dos 10% anteriores, e outras serão reduzidas para 2,5%, de 5%. 

O ministério não declarou o valor dos produtos abrangidos pela decisão, mas eles fazem parte do grupo de produtos que passou a pagar tarifas chinesas de 5% a 10% em 1o de setembro, no montante equivalente a US$ 75 bilhões. 

A medida vai reduzir a tarifa sobre a soja de 30% para 27,5%, embora alguns operadores digam que seu impacto pode ser limitado, uma vez que a tarifa de 25% continua em vigor. 

O imposto sobre petróleo bruto cairá para 2,5%, metade dos 5% aplicados desde setembro. 

“Qualquer iniciativa para conter a escalada [de tarifas] é sempre boa”, disse Tommy Xie, chefe de pesquisa sobre a Grande China no OCBC Bank, em Cingapura. “O anúncio mostra o compromisso da China em implementar o acordo, apesar dos transtornos causados pelo surto do coronavírus.” 

A notícia animou os mercados financeiros, por reforçar a confiança dos investidores e das empresas em um momento em que o surto do vírus provocou uma profunda incerteza sobre as perspectivas econômicas. O yuan atingiu seu ponto mais alto em duas semanas, e as ações asiáticas e americanas se recuperaram logo após o anúncio. 

O “Global Times” da China noticiou ontem que Pequim avalia a possibilidade de invocar uma cláusula relativa a desastres no acordo da Fase 1 em razão do surto. Um funcionário chinês disse que é provável que o surto afete a implementação do acordo, e só as restrições dos EUA à entrada de chineses no país já seriam suficientes para reduzir os fluxos comerciais. 

O secretário de Agricultura dos EUA, Sonny Perdue, disse anteontem que o país terá de ser tolerantes se a epidemia prejudicar a capacidade da China de realizar as compras de produtos americanos previstas no acordo comercial. 

https://valor.globo.com/mundo/noticia/2020/02/07/china-reduz-sobretaxas-a-produtos-dos-eua.ghtml

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