Um dia após Donald Trump ter prometido que os Estados Unidos guiariam navios pelo bloqueado Estreito de Ormuz, as hostilidades reacenderam no Oriente Médio, colocando em xeque o frágil cessar-fogo. Países do Golfo relataram ataques ao seu território por parte do Irã, enquanto militares americanos disseram ter afundado várias embarcações iranianas.
As autoridades emiradenses culparam o Irã pelos ataques a um importante porto petrolífero e a um navio-tanque no Estreito de Ormuz, os primeiros ataques desse tipo desde o início do cessar-fogo, há quatro semanas. Omã também relatou um ataque que deixou duas pessoas feridas na cidade costeira de Bukha, perto do território dos Emirados Árabes Unidos, sem identificar o autor.
Estrondos ensurdecedores sacudiram Dubai quando mísseis de defesa aérea detonaram no céu. O Comando Central dos EUA afirmou ter abatido mísseis e drones iranianos que tinham como alvo navios e a região próxima ao estreito.
Não ficou claro se os ataques sinalizavam o colapso da frágil trégua e a retomada de conflitos armados. O Irã não confirmou nem negou oficialmente a retomada dos ataques.
Desde que Israel e os Estados Unidos iniciaram a guerra, o Irã tem atacado frequentemente a infraestrutura energética de países do Golfo que abrigam bases militares americanas. No entanto, esses bombardeios aos vizinhos iranianos no Golfo praticamente cessaram com a entrada em vigor do cessar-fogo em 8 de abril.
Pelo menos três cidadãos indianos ficaram feridos quando um drone iraniano atingiu uma zona industrial petrolífera em Fujairah, um porto dos Emirados Árabes Unidos localizado na extremidade sul do Estreito de Ormuz, informaram as autoridades locais. Omã, sem apontar culpados, disse que um prédio residencial próximo ao estreito foi atingido, deixando duas pessoas feridas.
Não houve relatos de vítimas no ataque a um petroleiro dos Emirados Árabes Unidos.
EUA guiam navios por Ormuz
As negociações entre o Irã e os Estados Unidos, mediadas pelo Paquistão, sobre um acordo abrangente para pôr fim à guerra estão paralisadas, uma vez que ambos os lados traçaram linhas vermelhas aparentemente incompatíveis. Washington quer que o Irã abandone o seu programa nuclear, algo que Teerã se recusa.
No domingo, o presidente Trump informou que as forças armadas americanas ajudariam a guiar navios que seguem retidos no Estreito de Ormuz, o que chamou de “Projeto Liberdade”, mas forneceu poucos detalhes.
Desde o início da ofensiva, Teerã bloqueia a passagem com ameaças de bombardear as embarcações. Os EUA responderam com um novo bloqueio aos poucos navios que ainda passam por Ormuz com destino aos portos iranianos.
Militares americanos esclareceram que não se trata de uma escolta, mas uma “ajuda humanitária”. O Irã advertiu que consideraria qualquer intervenção americana uma violação do cessar-fogo.
Segundo o Comando Central dos EUA, vários navios da Marinha dos EUA atravessaram o estreito e acompanharam alguns navios mercantes. Autoridades iranianas ameaçaram retaliar contra navios de guerra americanos ou outras embarcações que tentassem furar o bloqueio.
A preocupação é com as minas iranianas no estreito, por isso os EUA estariam guiando os navios.
O almirante Brad Cooper, chefe do Comando Central dos EUA, afirmou que as forças armadas americanas abriram caminho no estreito e estabeleceram uma “estrutura de defesa” que inclui helicópteros e aviões de combate para proteger os navios cargueiros que saem dali.
O controle do Estreito de Ormuz pelo Irã, uma rota vital para o petróleo e o gás, abalou os mercados e fez com que os preços da energia disparassem em todo o mundo.
Embarcações iranianas
Trump disse nesta segunda que as forças americanas destruíram sete pequenas embarcações militares iranianas. O almirante Cooper havia declarado anteriormente que foram seis embarcações, mas Teerã negou categoricamente essas alegações.
Cooper disse que helicópteros militares americanos afundaram as seis pequenas embarcações iranianas que tinham como alvo navios civis no Estreito de Ormuz. O Irã lançou vários mísseis de cruzeiro, drones e pequenas embarcações contra navios que as Forças Armadas dos EUA estão protegendo, disse.
Cooper afirmou durante uma coletiva de imprensa que “todas e cada uma” das ameaças foram neutralizadas. Ele afirmou ainda que as Forças Armadas dos EUA conseguiram abrir um corredor no Estreito de Ormuz livre de minas iranianas, em um esforço para permitir que embarcações comerciais transitem pela estreita via.
“A alegação dos Estados Unidos de que afundaram vários navios de guerra iranianos é falsa”, afirmou um comandante militar iraniano, citado pela televisão estatal.
Navio sul-coreano explode
No caso mais grave, a Coreia do Sul confirmou que sua embarcação sofreu uma explosão seguida de incêndio no Estreito de Ormuz nesta segunda. O comunicado foi divulgado após o anúncio dos tiros de advertência do Irã.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores sul coreano, por volta das 20h40 no horário de Seul (08h40 no horário de Brasília), “houve uma explosão e um incêndio em um navio operado por uma empresa de navegação sul-coreana ancorado em águas próximas aos Emirados Árabes Unidos, dentro do Estreito de Ormuz”.
Até o momento, não há registro de vítimas entre os 24 tripulantes, que incluem seis sul-coreanos e 18 estrangeiros, informou a pasta. “Estão sendo investigadas as causas da explosão e do incêndio, assim como a extensão dos danos”, acrescentou.
O navio envolvido, identificado como HMM Namu, é um cargueiro de quase 180 metros de comprimento que navega sob bandeira panamenha, segundo dados do site de rastreamento de tráfego marítimo MarineTraffic.
“Além do navio sul-coreano, até este momento não houve danos ao atravessar o estreito”, disse Trump em sua plataforma Truth Social. O Irã disparou “alguns tiros contra nações não beligerantes”, afirmou ele.
Ataques a países do Golfo e a navios em Ormuz colocam em xeque o frágil cessar-fogo entre Irã e EUA.
