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EUA já sofrem com falta de mão de obra mexicana

Nos EUA, uma população que envelhece, as demandas físicas de muitos empregos industriais e a tendência de muitos jovens de buscar diplomas universitários também colaboram para a escassez de mão de obra. Ao mesmo tempo, o Congresso americano fracassou na tentativa de chegar a um acordo sobre uma política de imigração que atenda às necessidades dos empregadores de uma força de trabalho legal e constante.
Muitos empregadores americanos dizem que a falta de mão de obra está elevando os salários, o que é uma boa notícia para os trabalhadores pouco qualificados. Mas isso também está elevando custos, o que pode limitar investimentos e alimentar a inflação.
As evidências de que há escassez de mão de obra estão aumentando. Os setores de restaurantes e hotelaria combinados tinham em maio 700 mil vagas não preenchidas, uma taxa de 5,1% de empregos disponíveis, a mais alta desde 2001, segundo o Escritório de Estatísticas do Departamento de Trabalho dos EUA, como mostrou matéria do The Wall Street Journal, publicada pelo Valor de 28/11
Uma pesquisa no ano passado da Associação Americana dos Trabalhadores da Construção (Associated General Contractors of America) concluiu que 86% das firmas de construção estavam tendo dificuldades para preencher vagas de carpinteiros, eletricistas e outras categorias.
No setor de saúde, o Departamento de Trabalho americano espera que a demanda por auxiliares de enfermagem domésticos dê um salto de 40% na próxima década, a ocupação cuja demanda cresce mais rápido, à medida que a geração nascida no pós- guerra envelhece. Já há uma crise em certos Estados americanos devido à falta de profissionais para executar a dura tarefa de dar banho, vestir e alimentar idosos.
Cerca de seis em cada dez imigrantes ilegais trabalham nos setores de serviços, construção e produção, duas vezes mais que trabalhadores nascidos nos EUA, de acordo com o Pew Research Center. Empregadores dizem que trabalhadores americanos não querem esses empregos.
Em uma tarde recente em uma obra da King of Texas, oito trabalhadores mexicanos – seus rostos cobertos para protegê-los do sol escaldante – agachavam-se a cada metro com suas parafusadeiras sobre o telhado que estavam instalando.
O mais velho deles, Roman Martinez, de 47 anos, tornou-se cidadão americano quando o então presidente Ronald Regan concedeu anistia a seis milhões de imigrantes ilegais em 1986. Mas outros da equipe admitem estarem no país ilegalmente. O último construtor branco de telhados que a empresa contratou, em 2014, durou só quatro meses no emprego. Outro não passou no teste de drogas. Um operário afro-americano recentemente apareceu na firma perguntando se havia vagas, mas nunca pediu emprego, segundo Braddy.
Em 2015, o salário médio de um construtor de telhados era de US$ 17,65 por hora, segundo o Departamento de Trabalho dos EUA. Braddy diz que já aumentou os salários duas vezes este ano, e a maioria de seus funcionários agora ganha mais de US$ 20 por hora.
O setor agrícola é especialmente afetado pela escassez de mão de obra. Cerca de 70% de todos os trabalhadores na lavoura são ilegais, a grande maioria mexicanos, segundo a Federação Americana de Agricultura. Os trabalhadores já estabelecidos nos EUA estão envelhecendo e deixando a força de trabalho.
Substituir a mão de obra por máquinas não é uma opção, diz Steve Johnson, da empresa que colhe laranjas para cerca de 50 produtores da Flórida. Quatro anos atrás, ele pagou US$ 75 mil por uma colheitadeira mecânica para tentar aliviar o problema da falta de trabalhadores. Mas a máquina não sabe distinguir as frutas maduras das verdes e acabou sendo tirada de circulação.

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