O melhor e o pior da E3 2015

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Por Equipe GameLab: Fernando Matijewitsch, Fernanda Kushima, Daniel Moori, Jessica Lin, Bruno Exner e Raphael Missiatto, coordenados pelo prof. Mauro Berimbau

A E3 (Electronic Entertainment Expo) é a feira mais importante do mercado de games. Há 20 anos, as maiores empresas do setor se reúnem para anunciar novidades, lançamentos e revelar tendências no Los Angeles Convention Center.

Na edição de 2015, realizada entre os dias 14 e 18 de junho, Microsoft, Sony e Nintendo, assim como os estúdios desenvolvedores Electronic Arts, Ubisoft, Square Enix e Bethesda realizaram suas conferências para a imprensa e consumidores espalhados pelo mundo. A equipe do GameLab analisou o evento e trará suas impressões sobre o melhor e o pior da E3 deste ano.

Fallout 4 está nascendo
Tudo começou com a primeira conferência da história da Bethesda. A empresa revelou aos fãs aquilo que eles mais esperavam: Fallout 4. Muito conhecida por suas histórias, a Bethesda provou, mais uma vez, que os gráficos não são o que mais importa em um game. Eles preferem investir no mundo do jogo e na interação do jogador com este do que num realismo quase inatingível. The Elder Scrolls Online e Dishonored 2 são outros exemplos de mundos abertos onde o player pode decidir o que fazer e como realizar suas missões.

Fallout 4

Fallout 4

Fallout Shelter, para jogar AGORA e de graça
Outro fato que chamou muita atenção na conferência da Bethesda foi a atenção que o estúdio deu para o mobile. Aliás, a E3 2015 comprovou a importância deste segmento para a indústria. Juntamente com Fallout 4, a empresa anunciou Fallout Shelter, um jogo administrativo totalmente relacionado com a história da série e bem adaptado para as dinâmicas dos devices móveis. Além disso, um aplicativo que imitará o Pipboy, relógio inteligente do mundo de Fallout, será lançado como uma experiência de segunda tela para o jogador.

Fallout Shelter

Fallout Shelter

Mais Halo e a Fantástica Fábrica de Franquias
A conferência da Microsoft, por sua vez, começou com 15 minutos destinados apenas para o lançamento de Halo 5. Um game realmente muito bonito, mas temos que nos perguntar: quantas vezes já não o jogamos? Halo 5 pode ser visto como um reflexo de uma indústria de abuso das franquias. Forza, Assassin’s Creed, Call of Duty e Battlefield também fazem parte desta lista. Muito recorrentes, somos bombardeados todo ano por eles. E é aqui que os indies têm uma oportunidade. Eles representam o diferente, o novo, o risco. Porém, a indústria não está errada. Ela apenas segue um caminho seguro. Quem vai querer apostar 300 milhões de dólares em um game totalmente desconhecido?

Star Wars Battlefront, por exemplo, é a aposta mais segura que a EA poderia fazer: um jogo com o nome quase igual ao da sua maior franquia é lançado no ano em que Star Wars volta aos cinemas. A jogabilidade, inclusive, é muito parecida com a de Battlefield.

Star Wars Battlefront

Star Wars Battlefront

Microsoft = tecnologia + integração + aproximação do mundo PC
A aproximação entre PC e console, feita pela Microsoft, também foi muito interessante. A partir de julho, o Windows 10 chegará a todas as plataformas, inclusive ao Xbox One. Isto possibilita que vários elementos cheguem aos consoles. Os mods, antes exclusivos do universo PC, serão introduzidos ao Xbox de uma maneira nativa com Fallout 4. A Microsoft também se aproximou da Steam e disponibilizará preview de jogos no console. Até o lançamento do novo controle Elite, muito mais preciso, pode ser relacionado. Os periféricos para consoles sempre foram voltados para a família, para party games (Rock Band, Kinect, etc.). Faltava uma atenção especial para os gamers profissionais.

A demonstração do Hololens foi o ponto alto da apresentação da Microsoft. A interação será o que vai definir esta nova geração de jogos? O problema da empresa é conseguir fazer isso e manter o conforto ao mesmo tempo. Estamos acostumados a controles, mas e a movimentos do corpo? Algumas reviews falam que o Hololens é pesado e aperta demais. Parece ser algo a se trabalhar ainda. Este produto não pode virar o novo Kinect, que é legal, todo mundo quer ter, mas fica limitado a 5 ou 10 jogos que realmente fazem bom uso da ferramenta.

Demonstração de Minecraft com Hololens

Demonstração de Minecraft com Hololens

Sony: sonhos realizados
Chegamos, então, à conferência da Sony. A empresa japonesa mostrou logo de inicio o que pretendia: surpreender. Realizar sonhos. Fantasias. Desejos. Dar o que seus jogadores tanto queriam. Por isso, o primeiro anúncio foi de The Last Guardian, jogo em desenvolvimento desde 2007 e objeto de desejo de muitos consumidores.

Para quem sonha em viajar no espaço: No Man’s Sky. Para quem sempre quis ver a mistura entre dinossauros e robôs: Horizon Zero Dawn. A Sony até apresentou um jogo que, literalmente, traduziu seu objetivo na conferência: Dreams.

Existem alguns jogos que fazem parte da nossa infância. Lembramo-nos deles como se fossem álbuns de fotografias. Porém, de repente, há a possibilidade de reviver essas lembranças. O remake de Final Fantasy VII foi anunciado e Shenmue 3, além de recuperar nossas memórias, pode ter sido a experiência inicial de um novo modelo de negócios na indústria dos games. O crowdfunding cresce cada vez mais. Por que não utilizá-lo para tornar possível aquilo que tanto queremos ver em nossos consoles? O resultado foi claro: 2 milhões de dólares arrecadados em menos de 9 horas.

Final Fantasy VII Remake

Final Fantasy VII Remake

Nintendo: nossos personagens favoritos estão de volta.
A empresa que mais é determinada em sair do álbum de fotografias e dar a possibilidade que seu jogador experimente e reviva suas lembranças é, com certeza, a Nintendo. Mario, Yoshi, Metroid, Starfox, Zelda… A maioria dos anúncios foi relacionada com as franquias clássicas da companhia. O apelo é inegável, mas já vimos tudo isso antes. Vários jogadores apontaram a conferência da Nintendo como a mais fraca da E3 e isso não foi por acaso. Além da indústria focar em franquias, quem é fã da Nintendo parece que é fã desde o N64. Os jogos são feitos para eles. A nostalgia faz parte da experiência da marca. Existe, contudo, a questão da época em que entramos como consumidores neste setor. Hoje em dia, as crianças jogam no tablet e em seus smartphones. A estratégia da Nintendo em ir para o mobile traduz a preocupação da empresa em fazer algo relevante para as novas gerações. O anúncio do NX para ano que vem apenas comprovou que o WiiU não fez sucesso nenhum e é a hora de correr atrás.

Super Mario Maker

Super Mario Maker

Considerações finais:
A E3 2015 foi surpreendente, envolvente e nostálgica, sem deixar de ser segura. A indústria dos games está crescendo, investindo e ganhando uma importância cultural imensa. Henry Jenkins, inclusive, já afirmou que “este é um meio que qualquer um que queira entender onde nossa cultura está, tem de olhar”. Para finalizar, queríamos terminar o texto com algumas considerações finais:

1. Não aguentamos mais ver certas franquias, mas com certeza as compraremos, porque nos divertimos com elas. Não são apostas seguras à toa;
2. Gostamos das experiências, das coisas diferentes. Não vão dar dinheiro como as franquias, mas Hololens, Oculus Rift, Unravel estão aí para tentar. Os grandes estúdios viram nos indies AAA chances de experimentar e de conquistar novos consumidores;
3. Não é na E3 que vamos achar essas experiências. O próximo passo da indústria pode ser a divisão entre uma feira de “blockbusters” e outra voltada mais aos indies. Comparando ao cinema, seria a criação de um Sundance Film Festival;
4. Novos modelos de negócios são necessários. O Kickstarter de Shenmue 3 foi a primeira tentativa de mudança. Os jogadores cansaram de terem que pagar por conteúdo adicional. Nesta E3, vimos um excesso de conteúdo exclusivo para consoles. Não jogos inteiros exclusivos, mas qualquer tipo de micro vantagem, seja DLC, early access ou early access ao beta. Guitar Hero Live é outro exemplo de modelo de negócios que parece não ter mais apelo entre os jogadores;
5. A estrutura de Jesse Schell diz que os gráficos são aqueles que mais diretamente se relacionam com a experiência do jogador. A E3 é uma feira de estética. Esquecemos, por um momento, da história, das mecânicas e da tecnologia por trás disso. Vemos os gráficos e ficamos com vontade de experimentar o restante dos elementos. O problema de analisar a E3 é exatamente este. Não estamos lá jogando e experimentando. A primeira impressão é a que fica.

Estrutura de Jesse Schell (2008)

Estrutura de Jesse Schell (2008)

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