A startup Data-H Artificial Intelligence desenvolveu um sistema de lA que monitora o trabalho de outras ferramentas similares e, quando percebe que aquele modelo está recebendo perguntas de usuários que não consegue responder, desenvolve outra lA com novo tipo de especialização. Chamado de Auto Genesis, o sistema funciona como um cérebro digital com autonomia para criar inteligências artificiais generativas que atuam de forma autônoma, sem a necessidade de intervenção humana. Esses modelos são conhecidos como agentes de lA. “Estamos falando de uma inteligência artificial que não depende de humanos para se adaptar. Ela entende a situação, identifica o que precisa ser feito e cria os recursos para isso”, “, diz o fundador e executivochefe (CEO) da Data-H, Evandro Barros, em nota. “É como se o próprio sistema tivesse um instinto de evolução.” A Data-H tem receita anual de R$ 10 milhões e 100 colaboradores.
O projeto visa automatizar tarefas e processos empresariais com uma lA principal que pode criar grupos de especialistas em tempo real, cada um responsável por uma tarefa específica, da mesma forma que as empresas fazem ao montar equipes de colaboradores humanos. O diferencial do projeto em relação aos concorrentes, segundo a empresa, é a execução em tempo real e a integração no fluxo de trabalho.
A segunda fase do projeto envolve o desenvolvimento de um agente, como se fosse um “orquestrador”, que deve assegurar a melhoria constante do processo. Ele verifica se o time de agentes está respondendo bem às demandas dos usuários, se precisam de treinamento e como penalizá-los ou recompensá-los em caso de erro e acerto, explica ao Valor o arquiteto de Inteligência Artificial e diretor de Tecnologia da Data-H, Marcelo Piovan. Os agentes ineficientes podem ser remodelados, receber novas instruções, ou serem eliminados da linha de produção.
O AutoGenesys está em fase de protótipo. Um modelo, que atua como “o cara do RH que contrata o pessoal”, recebe a pergunta do usuário e procura na cadeia de agentes se algum deles pode responder. Se nenhum deles tiver a resposta, a lA aciona a AutoGenesys para criar outro agente específico. Já foram desenvolvidos cerca de 60 agentes. O usuário pensa que está interagindo com um único “chatbot”. “Muitas atividades são feitas de forma mecânica, com pouco valor agregado, e isso pode ser feito pelo robô, que pode rodar na parte fiscal, contabilidade, atendimento ao cliente etc.”, diz Celso Azevedo, cofundador da Data-H e diretor de operações do Instituto de Inteligência Artificial Aplicada (12A2) da startup. “Em 2017 começamos com um sonho, ter uma empresa 100% administrada sem intervenção humana. Mas a tecnologia não estava madura. Agora, já é possível fazer isso.”
Como é inerente aos sistemas de lA, os agentes aprendem a cada decisão que tomam. “Isso muda completamente a lógica da análise financeira, afirma Barros. A tecnologia, diz, deve melhorar também os processos logísticos e de produção. Piovan observa que os próximos passos incluem o uso do sistema nas áreas de investimentos e auditoria.
Para desenvolver seus sistemas, a Data-H utiliza a infraestrutura da Nvidia no Brasil por meio do programa Inception, que auxilia startups a acelerar a inovação.
O diretor da Divisão Enterprise da Nvidia, Marcio Aguiar, disse ao Valor que o grupo americano tem parceria com mais de 22 mil empresas no mundo, e que a Data-H foi uma das primeiras a aderir ao programa. “Estão conosco desde a época em que os meninos [os cofundadores], então jovens pesquisadores, saíram da UFG [Universidade Federal de Goiás] já com uma visão empreendedora e puderam colocar na prática todo o conhecimento”, conta Aguiar. Ele explica que não há vínculo comercial com a Data-H e que a Nvidia não investe financeiramente na startup.
Segundo o executivo, mais de 6 milhões de desenvolvedores usam a tecnologia da Nvidia. “Em algum momento, quando eles têm o pleno conhecimento das nossas plataformas, vão ao mercado comprar o meu hardware e a minha GPU [unidade de processamento gráfico], através de nossos parceiros integradores – Dell, HP, Lenovo, entre outras -, que vendem a minha tecnologia.”
