O petróleo ultrapassou a marca dos US$ 100 por barril com os maiores produtores do Oriente Médio reduzindo a produção, o estreito de Hormuz praticamente fechado e os EUA ameaçando aprofundar um conflito que virou os mercados de energia de cabeça para baixo.
O Brent disparou até 20%, chegando a US$ 111,04 por barril, o maior nível desde julho de 2022, enquanto o West Texas Intermediate saltou 22%. Kuwait e Emirados Árabes Unidos começaram a cortar produção à medida que os estoques se enchem rapidamente com o fechamento de Hormuz. O Iraque começou a suspender a produção na semana passada.
A guerra no Oriente Médio não dá sinais de recuo após os ataques dos EUA e de Israel ao Irã há mais de uma semana. A paralisação do tráfego marítimo pelo estreito de Hormuz — uma estreita via navegável que normalmente movimenta um quinto do petróleo mundial — e os ataques à infraestrutura energética elevaram os preços do petróleo bruto e do gás natural.
O presidente dos EUA, Donald Trump, comentou a disparada do petróleo em uma publicação noturna em sua plataforma Truth Social, dizendo que os movimentos de curto prazo são “um preço muito pequeno a pagar” pelos EUA, pelo mundo e pela paz. Ele acrescentou que os preços cairão rapidamente “quando a destruição da ameaça nuclear iraniana terminar”.
Mais de uma dúzia de países foram tragados pelo conflito, que alimentou temores de uma crise inflacionária. Os preços da gasolina no varejo nos EUA saltaram para o maior nível desde agosto de 2024, representando um desafio significativo para Trump e seu partido nas eleições de meio de mandato ainda este ano.
Ainda assim, Trump segue em frente com a guerra e, em uma publicação nas redes sociais no início de sábado, disse que os EUA considerarão atacar áreas e grupos no Irã que antes não eram considerados alvos. Os comentários vieram após o presidente iraniano Masoud Pezeshkian jurar não recuar.
O Irã nomeou o filho do falecido aiatolá Ali Khamenei como seu novo líder supremo, informou a agência de notícias Fars no domingo, com a Guarda Revolucionária Islâmica prometendo obediência ao novo líder. Enquanto isso, o Departamento de Estado dos EUA ordenou a saída de funcionários americanos da Arábia Saudita, segundo o New York Times, que cita fontes anônimas.
“O nível de US$ 100 pode ser apenas uma meta de preço de curto prazo a caminho de patamares mais altos, à medida que o conflito se arrasta”, disse Andy Lipow, presidente da Lipow Oil Associates. “A produção está sendo represada porque os estoques estão se enchendo e os navios-tanque não conseguem carregar.”
https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/03/barril-de-petroleo-supera-os-us-100.shtml
