A nova executiva-chefe da BP pretende simplificar a companhia, dividindo-a em duas unidades de negócios principais em retorno à estrutura que a gigante petrolífera britânica mantinha antes de seu esforço, em 2020, para se transformar num grupo de energia verde.
Meg O’Neill comunicou aos funcionários, nesta terça-feira (14), que a BP será reorganizada em uma empresa voltada para a produção de petróleo e gás, e outra que cobrirá o refino, a distribuição e o varejo. Ela, no entanto, não estabeleceu um cronograma para as mudanças nem anunciou novos líderes.
Esta mais nova reestruturação ocorre depois que a BP “reiniciou fundamentalmente” sua estratégia, no ano passado, abandonando a tentativa do ex-executivo-chefe Bernard Looney de reinventá-la como líder na transição energética.
Falando aos funcionários durante uma visita à refinaria do grupo em Roterdã, O’Neill disse que quer reduzir a complexidade da companhia para que ela possa operar com mais eficiência e que a segurança será priorizada por meio da reestruturação.
Um porta-voz da BP disse que a iniciativa de O’Neill, que assumiu como CEO no começo do mês e substituiu Murray Auchincloss, é parte de um esforço para criar “uma BP mais simples, mais forte e mais valiosa”, estruturada em torno de uma “estrutura clara entre exploração/produção e refino/distribuição”.
O braço de trading da BP, que segundo a empresa apresentou um desempenho “excepcional” no primeiro trimestre, não será afetado pela reestruturação e continuará se reportando à executiva-chefe adjunta, Carol Howle.
Emma Delaney, ex-vice-presidente executiva encarregada das refinarias e operações com postos de gasolina da BP, anunciou, na semana passada, que deixará a companhia para se tornar executiva-chefe da refinaria austríaca OMV.
Várias fontes próximas da BP sugeriram que o presidente do conselho de administração, Albert Manifold, acredita que ela deveria ser mais enxuta. O Financial Times já havia informado que a BP estava avaliando a possível venda, total ou parcial, de um grande número de ativos fora de seus principais negócios de produção de petróleo e gás, refino e trading.
Um banqueiro especializado no setor de energia disse que a BP atualmente “tem fôlego e margem de manobra para implementar mudanças”, enquanto tenta se reinventar sob sua nova CEO.
A rede global de 20.500 postos de gasolina do grupo deverá atrair o interesse de potenciais compradores que vão de firmas de private equity a grupos varejistas e empresas nacionais de petróleo do Oriente Médio.
A transformação da BP em 2020, que abandonou o modelo clássico separado entre produção e comercialização/refino — respectivamente lideradas por Looney e Tufan Erginbilgiç, hoje executivo-chefe da fabricante de motores aeronáuticos Rolls-Royce — foi concebida com a ajuda da consultoria McKinsey.
Como parte da reformulação, a companhia criou novas divisões como “Cidades & Soluções”, que se dedicava a ajudar cidades a indústrias a reduzir suas emissões de carbono com “soluções integradas de energia e mobilidade” e que acabou sendo abandonada em 2024.
Atualmente, a BP tem cinco unidades: produção e operações, gás e energia de baixo carbono, clientes e produtos, tecnologia e suprimentos, comercialização e transporte. Conta ainda com três áreas de apoio: finanças, jurídico e pessoal, cultura e comunicações.
