‘IA generativa é só a ponta do iceberg’, diz especialista

O futuro das empresas de todos os portes passa pela inteligência artificial, mas a tecnologia tem de ser entendida como um meio e não um fim, para que gere ganho real e não seja adotada apenas como modismo, desperdiçando recursos, na visão de especialistas que participaram do primeiro dia do “Fórum Anual das Médias Empresas”, promovido pela Fundação Dom Cabral (FDC), em São Paulo.

Gustavo Donato, professor da FDC e conselheiro global do Grupo Stefanini, destacou que antes de investir em projetos sofisticados, médias empresas precisam organizar dados, sistemas e processos ternos. “Não se deve começar pela adoção tecnológica, mas pela visão e pelo valor que ela pode trazer ao negócio.” Para ele, a jornada deve ser iniciada com ganhos de eficiência e produtividade, avançar para a criação de uma cultura orientada por dados e só então incorporar a lA em produtos e serviços.

A opinião é compartilhada por Fernando Giglio, diretor de soluções de arquitetura da AWS (braço de computação em nuvem da Amazon). “IA generativa é só a ponta do iceberg. Muitas vezes o que a empresa precisa é organizar informações e extrair insights”, afirmou, observando que a verdadeira transformação dos negócios começa na governança de dados. “É comum procurarem cloud ou lA porque está na moda, mas sem necessariamente entender o caso de uso. Nosso trabalho é ajudar a identificar o problema real e traduzi-lo em tecnologia que faça sentido.”

Outro ponto de atenção é o retorno dos investimentos que vêm sendo feitos em IA. “Somente 5% das empresas que investiram bilhões nesses projetos transformaram operações em ganhos reais, segundo levantamento da semana passada do Projeto Nanda do MIT”, diz Patrícia Prado, diretora de soluções de data e IA da Accenture. “Ainda estamos em passos lentos. O maior desafio é esse, o gap para a captura de geração de valor com o uso da lA.”

Prado reforça a necessidade de mudança de perfil dos profissionais das empresas para lidar com as novas tecnologias, como os agentes de lAassistentes virtuais que podem compilar tabelas de Excel para uma apresentação, fazer a leitura rápida de relatórios jurídicos em busca de alguma informação que demandaria horas para ser encontrada por um ser humano, entre outras tarefas. “Quando olho para 2029, vejo 80% disso resolvido por agentes de IA.”

Segundo a futurista Sabina Deweik, pesquisas mostram que mais da metade dos CEOs estão com medo dos impactos da inteligência artificial e das lacunas desse entendimento em suas equipes, além dos próprios empregos – em levantamento da empresa de pesquisa de mercado Harris Poll, nos EUA, por exemplo, essa insegurança foi apontado por 74% das lideranças.

Há ainda o medo de se tornar obsoleto. ‘Vou a festivais de inovação, mas a todo momento estou com a sensação que estou sendo ultrapassada”, afirma Deweik, que vê sempre uma tecnologia nova chegando, um novo contexto de mundo, novas habilidades sendo exigidas. “Mas quando pergunto nas organizações quais são os principais desafios que encontram, poucas dizem que são tecnológicos. As ferramentas estão ali, disponíveis. Os grandes desafios são mão de obra e gestão do humano”, observa.

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