Google apresenta Gemini 3, nova geração da sua IA

Google deu um novo passo na corrida pelo domínio da inteligência artificial (IA). A gigante anuncia nesta terça, 18, o Gemini 3 , nova geração do seu principal modelo de IA, que já possui 650 milhões de usuários mensais. Entre as principais novidades estão melhorias em questões de elementos visuais de informações; respostas mais profundas e embasadas; integração do Gemini com Modo IA das buscas e um agente de IA, o Google Antigravity.

Segundo o Google, o Gemini 3 é o modelo mais inteligente do mercado em compreensão multimodal, ou seja, possui grande capacidade para entender e gerar tipos variados de formatos, como texto, imagens e vídeos. Em um dos exemplos fornecidos pela empresa, a IA conseguiu elaborar a explicação de um PDF com gráficos, imagens e exemplos de animações. A capacidade de transformar o formato de uma informação – como produzir um texto com base em um vídeo – parece ser o grande diferencial do lançamento.

“Estamos vendo um salto massivo no raciocínio. O Gemini 3 está respondendo com um nível de profundidade e nuance que nunca vimos antes. Portanto, isso significa que a IA está muito bem versado em resolver problemas de ciência e matemática com um grau muito alto de confiabilidade”, disse em apresentação para jornalistas Tulsee Doshi, chefe de produtos do Google.

O lançamento acirra a disputa pelo trono do mercado de IA. Em agosto, a OpenAI, empresa do ChatGPT, lançou o GPT-5, nova geração do seu principal modelo de IA — na semana passada, a companhia já fez uma atualização com o GPT-5.1, após resposta negativa dos usuários. Além dos modelos, a OpenAI revelou o Atlas, seu primeiro navegador IA, que chega para competir com o Chrome.

Como resultado, o Google parece defender o seu browser das estocadas de Sam Altman — atualmente, o ChatGPT tem 800 milhões de usuários mensais no mundo. Nesta terça, a companhia mostrou o Google Antigravity, ferramenta que serve não apenas como fonte de consulta, mas também como um facilitador e um assistente do usuário. A tecnologia funciona com um modo de raciocínio ainda mais sofisticado, o Gemini 3 DeepThink, que está disponível para testes de segurança e, em breve, aos usuários do Google AI Ultra.

Segundo a empresa, o DeepThink alcança números impressionantes em testes de raciocínio, com marcas de 41% no Humanity’s Last Exam; 93,8% no GPQA Diamond e 45,1% no ARC-AGI, porcentagem nunca antes vista.

O Antigravity, que está atrelado ao Gemini 3, funciona de maneira parecida com o Modo Agente, do ChatGPT, fazendo com que o usuário permita que a IA “controle” o dispositivo. Ou seja, com um prompt, a tecnologia consegue programar, fazer pesquisas, consultas, textos e compras sem a assistência humana. Por exemplo, o usuário pode pedir para que a IA organize a caixa de e-mails e, até mesmo, solicitar a criação de um site. A nova IA do Google estará disponível para teste para todos os usuários, e é compatível com sistemas MacWindows e Linux.

Mesmo com a proposta de ser um agente praticamente autônomo, o Google garante que nenhuma decisão importante, como um pagamento, por exemplo, será feita sem a permissão do usuário. “Ao utilizá-lo, você mantém o controle. O Gemini foi projetado para solicitar confirmação antes de ações críticas, como fazer compras ou enviar mensagens, e você pode assumir o controle a qualquer momento”, disse a empresa.

Buscas turbinadas

Além disso, o Modo IA, ferramenta que funciona como um chatbot dentro do buscador do Google, passará a ser impulsionada pelo Gemini 3. É a primeira vez que um modelo do Gemini é inaugurado nas buscas tanto no app quanto na web ao mesmo tempo. No entanto, por ora, o recurso só está disponível para os assinantes do Google AI Pro e AI Ultra nos EUA.

Além de fornecer respostas mais complexas, a integração da tecnologia permite que, por meio da pesquisa, o usuário também possa criar e planejar diretamente do buscador. No exemplo da empresa, o Modo IA criou uma calculadora em que o usuário podia simular dados de sua pesquisa diretamente do navegador.

“Nossa visão para a busca é realmente poder perguntar qualquer coisa que esteja em sua mente e obter informações sem esforço, não importa quão cheias de nuances ou complexas”, disse na apresentação, Robby Stein, vice-presidente de Buscas do Google

Indústria de mídia e IA

Por outro lado, o crescimento de ferramentas de busca que usam IA generativa preocupam a indústria de mídia e informação, já que dependem da lógica de cliques e acessos para sua monetização.

Em todo o mundo, o impacto de modelos como o Modo IA, por exemplo, já é sentido. Uma pesquisa global da Similarweb, publicada pela The Economist, aponta que o tráfego de buscas no mundo caiu em 15% entre junho de 2025 e o mesmo mês do ano passado. Além disso, o resultado de buscas de pesquisas, que não clicaram em links originais, subiu de 56% para 69%.

Segundo o Wall Street Journal, veículos americanos como Business InsiderWashington PostHuffPost e o próprio WSJ, tiveram uma queda de 55% em tráfego orgânico via busca – de abril de 2022 a abril de 2025 -, reforçando o impacto negativo da IA generativa para os modelos jornalísticos.

É um caminho que parece acelerar o fenômeno “Google zero”, quando sites deixam de receber tráfego da ferramenta de buscas do Google. Até aqui, esses cliques foram um dos principais pilares econômicos da internet — há alguns anos, publishers já vem apontando para a diminuição desse volume, mas o Modo IA acendeu uma luz vermelha em todo o mundo, que pode ser agravado com o lançamento do Gemini 3 nas buscas.

https://www.estadao.com.br/link/empresas/google-apresenta-gemini-3-nova-geracao-da-sua-ia-saiba-tudo-sobre-o-lancamento

Comentários estão desabilitados para essa publicação