Google amplia para US$ 85 bi captação recorde para bancar gastos com IA

O Google aumentou o valor de sua captação recorde de recursos para quase US$ 85 bilhões, cerca de US$ 5 bilhões a mais do que tinha como meta, em uma indicação de que os investidores continuam imperturbáveis a respeito dos planos de gastos colossais da gigante da tecnologia com infraestrutura de inteligência artificial.

Em um informe nesta quarta-feira (3), a Alphabet, controladora do Google, declarou que a receita bruta com a venda de novas ações ordinárias de classe A e classe C, assim como de uma colocação privada de US$ 10 bilhões para a Berkshire Hathaway, deve somar US$ 84,75 bilhões.

No início desta semana, a empresa anunciara que tinha a expectativa de levantar até US$ 80 bilhões. Mas, segundo fontes a par do assunto, depois da forte demanda de mais de 75 investidores, entre eles grandes fundos mútuos e fundos soberanos, o Google decidiu aumentar o volume da oferta de ações ordinárias e conversíveis de US$ 30 bilhões para US$ 35 bilhões e atrair mais investidores de longo prazo.

Goldman Sachs, JPMorgan Chase e Morgan Stanley garantiram a operação. O equivalente a mais US$ 40 bilhões será vendido diretamente no mercado de forma gradual, a partir do terceiro trimestre.

Supera a oferta da Petrobras

A venda é a primeira oferta de ações da Alphabet em mais de duas décadas e será a maior já registrada, superando a venda de ações da Petrobras em 2010, que chegou a US$ 70 bilhões.

O bom resultado da transação alimentou especulações de que as “big techs” rivais seguirão o mesmo caminho.

A gigante das buscas na internet está aproveitando a valorização de suas ações, cujo preço mais do que dobrou no último ano, e de sua classificação de crédito semelhante à do governo de um país para diversificar suas fontes de financiamento.

As quatro gigantes do Vale do Silício – Alphabet, Amazon, Meta e Microsoft – esperam investir em conjunto US$ 725 bilhões na área da inteligência artificial este ano.

No começo, as empresas conseguiam financiar esses investimentos com as enormes quantias obtidas com seus negócios principais, mas as contas começaram a sobrecarregar suas finanças.

Executivos se viram às voltas com questionamentos de acionistas e analistas sobre a proporção do fluxo de caixa consumida pelos gastos com centros de dados e chips para impulsionar suas pesquisas e produtos de lA, que nas fases iniciais geravam pouco retorno em termos de receita, comparativamente.

Mas à medida que os ganhos relacionados à inteligência artificial começam a crescer, faz sentido que as concorrentes da Alphabet a sigam na captação de mais recursos por meio de uma combinação de dívida e ações para compensar os gastos, de acordo com Heath Terry, chefe de pesquisa de IA do Citi. “O primeiro passo foi parar de recomprar ações, o segundo é emitir novas ações”, disse. Ele observou que a escassez de poder de computação tem puxado os preços para cima. “A demanda está superando em muito a oferta.”

Fluxo de caixa

O Google planeja despesas de capital de US$ 190 bilhões com a inteligência artificial este ano, e a expectativa é de que esse valor aumente de “maneira expressiva” em 2027.

Isso significa que os gastos vão superar logo o fluxo de caixa operacional, que foi de US$ 174 bilhões no ano passado. Para resolver essas questões, o Google também contraiu US$ 85 bilhões em novas dívidas a taxas baixas para proteger seu balanço patrimonial, com o que elevou sua dívida total para US$ 100 bilhões.

Além das novas fontes de financiamento, outro fator que tem deixado os investidores mais tranquilos são as primeiras indicações de que os | produtos de IA do Google começam a gerar receitas significativas, com assinaturas de chatbots para consumidores e vendas para grandes empresas.

A demanda na área da inteligência artificial também deu um impulso à divisão de computação em nuvem do Google. A empresa registrou um salto de receita de 63% no primeiro trimestre, em comparação com o mesmo período do ano anterior, para US$ 20 bilhões, e garante ter uma carteira de contratos de US$ 460 bilhões para aluguel de espaço em centros de dados.

“A principal conclusão é que, embora as necessidades de investimento de capital relacionadas à IA tenham batido recordes e sejam revisadas para cima com frequência, o mesmo se aplica à demanda sem precedentes pelos serviços de nuvem do Google”, disse John Blackledge, analista da TD Cowen.

A colocação privada para a Berkshire elevará a participação do grupo de investimento na Alphabet para algo em torno de US$ 32 bilhões, o que equivale a cerca de um décimo de sua carteira de ações. A emissão de ações é uma das maiores de que a Berkshire já participou. Ela também fará da Alphabet uma das cinco maiores participações em ações negociadas em bolsa da Berkshire, ao lado de sua participação de longa data na Coca-Cola, avaliada em mais de US$ 31 bilhões.

“[A venda de ações] representa uma medida estratégica proativa para otimizar nossa flexibilidade financeira”, disse Anat Ashkenazi, diretora financeira da Alphabet. “O acesso mundial a financiamento e a profunda flexibilidade financeira [são] componentes estratégicos de nossa estratégia de longo prazo, em especial dadas a escala e a intensidade de capital da oportunidade atual.”

https://valor.globo.com/financas/noticia/2026/06/04/google-amplia-para-us-85-bi-captacao-recorde-para-bancar-gastos-com-ia.ghtml

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