Globo acelera estratégia para avançar sob novos hábitos de consumo e cenário digital

A Globo iniciou uma nova etapa de sua estratégia corporativa. O objetivo é organizar, priorizar e acelerar as transformações internas – a partir de seu DNA de contadora de histórias, desdobrar a criação de conteúdo entendendo as mudanças de hábito do consumidor e o rápido avanço digital. Com esse cenário e um país tão diverso, o público passou a se conectar de maneiras diferentes em cada contexto – seja em formatos, plataformas ou linguagens.

“Durante nossa transformação digital, percebemos a necessidade de transformar a área de Estratégia, que já existia e estava vinculada à de Tecnologia, em uma estrutura independente”, diz Paulo Marinho, CEO da Globo. “Essa área passou a organizar prioridades e acelerar decisões que muitas vezes já estavam no nosso radar, mas precisavam de mais coordenação.”

Ao todo, mais de 30 ações estratégicas foram consolidadas em quatro diretrizes: multiformato, multidistribuição, multigeracional e multissoluções. “Agora, entramos em uma fase mais focada em execução, disseminação e acompanhamento para transformar esses direcionadores em iniciativas cada vez mais concretas, com escala, eficiência e impacto direto no negócio e na experiência do público”, afirma Marinho.

Um exemplo é o investimento crescente na criação de vídeos curtos verticais – de notícias, esportes, reality shows e outros assuntos – feitos para ver no celular e exibidos em sites e perfis sociais da Globo.

Os microdramas são o destaque nessa frente. Produzidos pelos Estúdios Globo e em parceria com produtoras independentes, contam histórias completas em poucos minutos e funcionam como porta de entrada para universos narrativos maiores. As “novelinhas”, como são chamadas, já alcançaram 25% dos assinantes do Globoplay, com engajamento principalmente entre o público jovem. A expectativa é lançar um microdrama inédito por semana e reunir mais de 50 títulos no catálogo da plataforma de streaming até o fim do ano.

Essa ênfase sublinha a abordagem multigeracional da Globo. “Hoje existem mais possibilidades de consumo [de mídia] em todas as gerações, mas o hábito multitela é muito forte entre o público jovem, que convive com a internet e o celular desde que nasceu”, diz Marinho. “Falamos com todos os públicos, mas vamos acelerar a produção de conteúdo voltado para este segmento. Por isso, estamos avançando em novos formatos e novas linguagens.”

A investida mais recente é o GloboPop, plataforma digital gratuita que reúne os vídeos curtos verticais e os organiza em um aplicativo para dispositivos móveis, com conteúdo original, da Globo e de criadores. O lançamento se segue à criação da ge tv, canal digital gratuito de eventos e transmissões esportivas com caráter multiplataforma – pode ser visto no Globoplay, no portal ge.globo, nos canais ge tv no YouTube e no TikTok, e em serviços de Claro, Vivo, Oi e Samsung.

“Existe uma falsa oposição entre TV aberta e digital. Não vejo conflito entre grade [o modelo de programação da TV aberta] e sob demanda, vejo complementaridade”, afirma Marinho. “Um mesmo conteúdo pode nascer em uma grande produção para TV aberta ou streaming, gerar desdobramentos digitais, cortes verticais, conversa em rede social e experiências na vida real.”

• Globoplay, que completou dez anos em 2025, é considerado vital. “É a peça central da nossa estratégia de crescimento e de fortalecimento da produção audiovisual por reunir toda a potência da Globo”. A plataforma chegou ao “breakeven” [ponto de equilíbrio entre receita e despesa] no ano passado e tornou-se o serviço de streaming com a maior média de horas assistidas por usuário (2h10 por dia).

O filme “Ainda Estou Aqui”, produção original Globoplay premiada com Oscar de Melhor Filme Internacional em 2025, ajudou a sedimentar o caminho da produção cinematográfica, que está sendo reforçada. “Já lançamos mais de 500 filmes por meio de marcas como Globo Filmes, Globoplay e Telecine, e seguimos ampliando nossa atuação com a criação do núcleo de filmes dos Estúdios Globo” “, diz Marinho. Entre os próximos lançamentos para cinema está o longa-metragem “No Jardim do Ogro”, “, estrelado pela atriz Alice Braga, outro original Globoplay.

Anunciada em agosto do ano passado, a holding do Grupo Globo começou a funcionar em janeiro, em uma das mudanças gerenciais mais significativas dos últimos anos. “A holding representa um passo importante na evolução da governança”, ressalta o empresário. “Preserva a identidade e a vocação de cada operação, mantendo uma visão integrada e coordenada de nossos investimentos, da alocação de capital e de nossos talentos estratégicos.”

Na nova estrutura, Marinho acumula o cargo de CEO da Globo com o de vice-presidente de Empresas de Mídia da holding. A vice-presidência de Negócios e Investimentos é liderada por Roberto Marinho Neto.

“Nós e o João Roberto [Marinho], presidente do Grupo Globo, somos apoiados pelo Luis Henrique Guimarães, vice-presidente executivo da holding. Dessa forma, tenho uma visão mais estratégica e integrada da Globo, da Eletromidia (de mídia externa, adquirida em novembro de 2024) e da Editora Globo, que inclui também o Sistema Globo de Rádio”, diz Marinho. “A estrutura da holding ajuda a conectar melhor esses ativos, com mais coordenação em estratégia, investimento, inovação e geração de valor.”

“Jornal, revista e rádio construíram relações de confiança ao longo de décadas e seguem fundamentais na forma como as pessoas se informam, se aprofundam em temas de interesse e se conectam com suas comunidades”, diz Marinho. “Nosso objetivo é continuar sendo a principal empresa de notícias e mídia segmentada do país.”

O avanço da inteligência artificial, que amplia o volume de notícias em circulação em um ambiente no qual o cidadão já é bombardeado por informações de todos os tipos, confere ainda mais valor ao “trabalho jornalístico humano, com apuração e credibilidade”, ‘, afirma.

“A Editora Globo é um dos raros casos de mídia editorial com margem positiva e crescente. A integração com o audiovisual acontece de forma natural e progressiva. Nossas marcas hoje se expandem para eventos, vídeo, streaming, podcasts e projetos multiplataforma”, diz ele. “Um exemplo é o crescimento do negócio de experiências proprietárias da Editora Globo, com iniciativas como Rio Gastronomia, Baile da Vogue, eventos do Valor, da CBN e de O Globo.” A empreitada mais recente é a Casa Cor, cuja aquisição pela Editora Globo foi anunciada em abril.

A Globo Comunicações e Participações (que reúne os ativos de TV, streaming e internet) encerrou o ano passado com lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de R$ 2,451 bilhões – alta de 57% em relação a 2024 (R$ 1,557 bilhão). A receita líquida cresceu 11% e chegou a R$ 18,283 bilhões.

Marinho classifica o início de 2026 como “desafiador” em relação aos custos devido à Copa do Mundo e à antecipação de competições como o Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil, que têm impacto nas despesas com direitos esportivos. “Ainda assim, os primeiros meses do ano confirmam a solidez do modelo de negócio da Globo. As diferentes frentes de receita seguem evoluindo de forma consistente na TV e no digital, o que tem sustentado o crescimento e o avanço de margem”, afirma.

A fase da pandemia chegou a levar a margem da Globo para perto de zero, mas a empresa atravessou esse período e conseguiu elevar sua margem de 5,5% em 2020 para 13,4% no ano passado, diz Marinho. “Existe uma cultura muito forte entre os acionistas de olhar as transformações estruturais do mercado sem perder de vista a sustentabilidade de longo prazo. Foi isso que permitiu acelerar a transformação digital, ampliar nosso portfólio e investir em novas frentes estratégicas mesmo em momentos desafiadores.”

https://valor.globo.com/empresas/noticia/2026/05/21/globo-acelera-estrategia-para-avancar-sob-novos-habitos-de-consumo-e-cenario-digital.ghtml

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