A principal fabricante de chips de memória da China, ChangXin Memory Technologies (CXMT), processou o Pentágono na sexta-feira devido à sua inclusão em uma lista de empresas que os EUA afirmam estar ajudando o exército de Pequim.
“A CXMT não é afiliada às forças armadas chinesas”, afirmou a empresa no processo federal. “A CXMT projeta, produz e vende seus chips DRAM para uso civil e comercial, não para uso militar.”
O Departamento de Defesa dos EUA declarou à Reuters: “Por uma questão de política, o Departamento não comenta sobre litígios pendentes ou em andamento”.
O Pentágono designou a CXMT como uma empresa militar chinesa sob o governo Biden, e o governo Trump manteve a empresa na lista em uma atualização feita em junho.
O processo da CXMT busca anular a designação e se remover de uma lista do Pentágono que pode desencadear restrições em contratos governamentais e danos à reputação.
“Desde sua designação inicial em janeiro de 2025, a CXMT tem sofrido continuamente danos reputacionais e comerciais”, disse a empresa em nota à Reuters, acrescentando que está movendo a ação para proteger seus interesses comerciais.
A CXMT é a principal fabricante chinesa de chips de memória de acesso aleatório dinâmico (DRAM), amplamente utilizados em smartphones, computadores pessoais, servidores, sistemas de inteligência artificial e outros eletrônicos. A empresa, cuja receita saltou 874% no primeiro semestre, espera entrar no mercado norte-americano no longo prazo, informou a Reuters.
Seu processo, movido no Tribunal Distrital dos EUA para o Distrito de Colúmbia, nomeia como réus o Departamento de Defesa, o secretário de Defesa Pete Hegseth, o subsecretário de Defesa Steve Feinberg e o secretário assistente de Defesa para Política de Base Industrial Michael Cadenazzi.
A CXMT argumenta que a decisão do Pentágono foi “arbitrária”, careceu de suporte probatório e violou seus direitos ao devido processo legal.
De acordo com a queixa, a empresa passou mais de um ano fornecendo informações ao Pentágono para contestar a designação, buscando a remoção da lista.
A CXMT disse que o Pentágono publicou um aviso em fevereiro afirmando que a empresa seria removida da lista, mas retirou o aviso no mesmo dia. A empresa alegou que o Departamento de Defesa posteriormente não explicou adequadamente a alteração ao recolocá-la na lista.
“Nenhuma dessas determinações é apoiada pelo registro dos fatos, pela lei aplicável ou por uma tomada de decisão fundamentada”, afirmou a CXMT.
O processo da CXMT reflete o de outras empresas chinesas. Em junho, a Alibaba, gigante chinesa de tecnologia e e-commerce, processou o governo dos EUA por ter sido colocada na lista.
