Por Paola Gonçalves Rangel do Prado/Diplomata social
O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) possui nove escritórios regionais no Brasil, por meio dos quais atua junto à sociedade brasileira. O ERESP (Escritório de Representação do Ministério das Relações Exteriores em São Paulo) vem mostrando protagonismo quando o assunto é educação. O Modelo de Simulação das Nações Unidas para o Ensino Médio (MONUEM ERESP) é exemplo dessa iniciativa, que tem como objetivo levar os modelos de simulação da ONU para escolas públicas, buscando, assim, democratizar o debate em torno dos temas de política externa e relações internacionais.
Mais especificamente, este projeto foi concebido com o objetivo de ampliar o acesso à cultura de simulações das Nações Unidas (ONU), prática tradicionalmente restrita a instituições privadas ou a estudantes com maior acesso a atividades extracurriculares desse tipo. As atividades do MONUEM ERESP foram iniciadas em 2018, na Escola estadual Ministro Costa Manso em São Paulo, tendo, inicialmente, as aulas ministradas pelos estagiários do ERESP.
Importante destacar que o modelo das Nações Unidas não é recente. Surgiu na Universidade de Harvard (Havard Model United Nations – HMUN) há mais de quarenta anos e proporciona aos estudantes, desde então, a experiência de agir como um Diplomata em um ambiente de negociação de temas internacionais, representando um país.
Em um esforço mais amplo de promoção de políticas públicas voltadas para a inclusão educacional, o ERESP ampliou as parcerias para atender a um maior número de estudantes e proporcionar oportunidades de aprendizado acessíveis e gratuitas para jovens que, muitas vezes, não teriam contato com esse tipo de formação. O desafio da diplomacia brasileira de expandir o projeto MONUEM ERESP vem consolidando, desde seu início, uma série de parcerias com Universidades junto à Secretaria de Estado da Educação.
Dentro desse contexto, surge dentro da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) o Diplomata Social, que desde 2019 é um dos principais parceiros do Itamaraty nessa iniciativa. Este programa educacional, iniciativa da ESPM Social, conta com o apoio do curso de Relações Internacionais desta Instituição de Ensino Superior e atua em conformidade com as práticas promovidas pelo MONUEM ERESP.
Assim como outros parceiros que promovem essa ação junto ao Itamaraty, o Diplomata Social dedica-se à democratização da educação, levando conteúdos de geopolítica e atualidades para jovens de escolas públicas e estaduais. Promove, como resultado deste processo, simulações da ONU, permitindo que os estudantes desenvolvam habilidades diplomáticas e compreendam melhor temas referentes às relações internacionais.
Além do ensino de geopolítica e atualidades, o programa permite o desenvolvimento de habilidades fundamentais, como oratória, argumentação, negociação e resolução de conflitos. Com isso, pode incentivar que os estudantes do Ensino Médio da rede pública atuem de forma mais ativa na sociedade, seja na academia, na política, em organizações internacionais ou até buscando ingressar em um curso superior.
O projeto do ERESP, portanto, atua como um instrumento de equidade educacional, aproximando estudantes da rede pública do debate internacional e incentivando sua participação em discussões sobre política externa e diplomacia. Ao oferecer conteúdo e atividades que preparam estes jovens para compreender e interagir com as dinâmicas das relações internacionais, o MONUEM ERESP, o Diplomata Social e outros parceiros contribuem para a formação de futuros profissionais qualificados para atuar áreas estratégicas da política global. A democratização desses conhecimentos fortalece o interesse de jovens da rede pública para carreiras em diversas áreas, como por exemplo relações internacionais e direito. Além disso, pode, em um futuro não tão distante, ampliar a diversidade de vozes e perspectivas na diplomacia brasileira.
Finalmente, o projeto desempenha um papel essencial na formação cidadã, incentivando o pensamento crítico sobre o cenário global e o impacto das decisões internacionais no cotidiano. É importante reconhecer que o acesso às carreiras diplomáticas e ao estudo de relações internacionais no Brasil ainda é desigual, com barreiras socioeconômicas que dificultam a entrada de jovens de baixa renda nesse campo, o que limita a inclusão de novas perspectivas. Programas como o Diplomata Social, atuam como uma resposta a essa desigualdade, ampliando o acesso e preparando estudantes de maneira mais inclusiva e representativa. Servem de ponte entre a educação, formulação de políticas e diplomacia, garantindo que mais jovens possam se engajar em temas globais e, mais adiante, quem sabe, representar o Brasil nos mais diversos espaços diplomáticos.
Fonte: MINISTÉRIO DAS RELAÇÕES EXTERIORES. Escritório de Representação em São Paulo (ERESP). Disponível em: https://www.gov.br/mre/pt-br/eresp. Acesso em: 19/03/2025.
