Contratações para atuar com IA triplicam

A chegada da inteligência artificial (IA) nas empresas está impulsionando a transformação das competências exigidas nas equipes, com reflexos na admissão de mais profissionais. Somente o volume de contratações para cargos ligados à IA no Brasil quase triplicou em 2025, em relação a 2024.

Os dados são da pesquisa “Barômetro de Empregos em IA – Análise do Brasil”, da consultoria PwC. O estudo, obtido com exclusividade pelo Valor, analisou mais de um bilhão de anúncios de vagas na Europa, Ásia, Américas, África e Oceania. No Brasil, foram avaliados registros entre 2021 e 2025.

“O principal achado é que a demanda por profissionais com competências em IA acelerou fortemente no mercado nacional”, destaca Camila Cinquetti, sócia e líder de people da PwC Brasil. “O número de vagas que exigem habilidades relacionadas ao segmento saltou para cerca de 182 mil em 2025, quase três vezes o volume observado em 2024 [63 mil].”

Segundo a consultora, o avanço mostra que a familiaridade com os sistemas digitais inteligentes já faz parte das listas de aptidões buscadas para diversas funções e setores da economia. “A IA não apenas cria demanda por novas competências, mas acelera a transformação das funções existentes”, avalia.

O estudo indica que ocupações mais integradas à novidade apresentam níveis maiores de mudança nos atributos exigidos, diz.

“Isso sugere que o grande desafio para empresas e profissionais não será somente adotar as ferramentas de IA, mas desenvolver capacidades complementares nos times, como julgamento, criatividade, liderança e resolução de problemas complexos.”

A pesquisa indica que as organizações mais ligadas à IA registram uma maior evolução no número de trabalhadores contratados do que as menos envolvidas com os modelos de linguagem (52% ante 36%), além de apresentarem um maior crescimento no valor dos salários pagos (24% ante 17%).

Sem considerar o segmento de tecnologia, conhecido como o mais digitalizado e com a maior fatia de vagas em IA no mercado de trabalho, o setor de energia e serviços de utilidade pública é o destaque no ranking de indústrias com a maior demanda de vagas, representando 19,5% do total de posições disponíveis. Segundo o relatório, aparece antes de manufatura (14,8%), serviços profissionais (14,3%), varejo e consumo (13,9%).

Diante dos resultados do estudo, Cinquetti diz que investir continuamente na qualificação da força de trabalho não pode sair da agenda dos empregadores. “A pesquisa sinaliza que os atributos solicitados pelas ocupações associadas à IA mudam em ritmo acelerado, o que requer requalificação permanente”, explica. É preciso tratar a IA como um instrumento de aumento de produtividade e não apenas de automação de rotinas, compara. “Os dados globais obtidos indicam que empresas mais aderentes à IA registram um crescimento mais rápido de produtividade, do número de empregos e salários, sugerindo que as mais bem-sucedidas utilizam a tecnologia para potencializar o trabalho humano e criar valor.”

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