Como a Apple se equilibra entre Pequim e Washington

O executivo-chefe da Apple, Tim Cook, prometeu aumentar o investimento da gigante de tecnologia na China, enquanto a empresa navega pela guerra comercial entre Pequim e Washington.

Muitas empresas americanas tornaram-se cautelosas sobre as relações com a China, à medida que as duas maiores economias do mundo se enfrentam por causa de tarifas e enquanto o presidente americano, Donald Trump, busca promover a manufatura nos Estados Unidos em vez de em outros lugares.

Mas Cook disse ao ministro da Indústria da China, Li Lecheng, que continuará investindo no país, de acordo com um resumo oficial de sua reunião em Pequim divulgado pelos chineses, embora não tenha fornecido detalhes sobre o tamanho do investimento potencial. A Apple não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

A empresa, que também fez promessas de investimentos a Washington, permaneceu até agora relativamente ilesa na guerra comercial entre os Estados Unidos e a China. Outras companhias, como Nvidia e Qualcomm, tornaram-se alvo de investigações chinesas.

Washington há muito tempo impõe sanções a empresas chinesas como a Huawei.

Um consultor de assuntos governamentais baseado em Xangai, que pediu anonimato por não estar autorizado a falar com a imprensa, disse que as empresas americanas estão receosas de irritar a Casa Branca, o que poderia prejudicá-las no maior mercado consumidor do mundo por parecerem muito pró-China.

Ao mesmo tempo, elas buscam evitar parecerem insinceras em Pequim, onde se comprometeram a estar “na China, para a China”, acrescentou ele.

Em agosto, Cook presenteou Trump com uma placa personalizada feita nos Estados Unidos, montada em um suporte de ouro 24 quilates, comemorando o “Programa de Manufatura Americana” da Apple, após dizer que investiria US$ 100 bilhões adicionais na fabricação doméstica.

Quando o executivo visitou a China, em março deste ano, a Apple tornou públicos seus planos para um novo fundo de energia limpa no país, no valor de 720 milhões de yuans.

Enquanto isso, a Apple, que depende de fornecedores e fábricas na China, onde a maioria de seus celulares, os iPhones, é montada, tem tentado transferir parte de sua capacidade de fabricação para a Índia.

O diretor operacional da Apple, Sabih Khan, visitou na terça-feira a Lens Technology, uma fornecedora chinesa de vidro para a Apple, disse a empresa em um comunicado nesta quarta-feira.

A Lens Technology produz as coberturas de vidro para produtos da Apple, incluindo o iPhone e o Apple Watch, e é parceira há 19 anos.

A China espera que a Apple continue a explorar o mercado chinês e a crescer junto com os fornecedores chineses, disse o ministro da Indústria, Li Lecheng, a Cook. O ministro, que também é responsável pela área de tecnologia da informação no governo, acrescentou que a China continuaria a promover um bom ambiente de negócios para empresas estrangeiras, incluindo a Apple.

As remessas da Apple na China cresceram 0,6% em relação ao ano anterior, para 10,8 milhões de unidades no terceiro trimestre, em um cenário de demanda lenta no mercado de celulares inteligentes (com acesso à internet) da China, segundo dados da empresa de pesquisa IDC.

Impulsionada pela série iPhone 17, foi a única marca entre os três maiores fornecedores da China a alcançar crescimento nas remessas durante o período.

Como parte de sua viagem à China nesta semana, Cook visitou a loja da Apple em Xangai e se encontrou com desenvolvedores de jogos chineses e como designer das populares bonecas Labubu, disse ele em postagens no Weibo, rede social chinesa similar ao X.

Na segunda-feira, ele disse que o iPhone Air estaria disponível para prévenda na China depois que o ministério da indústria abriu caminho para que as principais operadoras de telecomunicações operem com chips digitais. “A comunidade empresarial sempre foi um estabilizador das relações China-EUA e um promotor da cooperação pragmática”, ‘, disse o embaixador da China nos EUA, Xie Feng, durante um evento em Washington na terça-feira.

Muitas empresas norte-americanas “escolheram a China” e estão beneficiando ambos os países, acrescentou Xie.

https://valor.globo.com/empresas/noticia/2025/10/16/como-a-apple-se-equilibra-entre-pequim-e-washington.ghtml

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